Dor de cabeça por estresse no trabalho? Neurologista ensina a controlar
Especialista explica por que o estresse crônico, associado à vida profissional, pode desencadear crises de enxaqueca e indica estratégias para proteger o corpo
O estresse crônico devido à preocupação excessiva com o trabalho, até mesmo fora do horário de expediente, pode provocar dor de cabeça com maior frequência, principalmente em quem já tem tendência a sofrer com enxaquecas. A neurologista Danielle Wilhour explica por que isso acontece, além de apresentar estratégias para preservar a saúde emocional e, assim, combater o desconforto físico.
"Vejo muitos pacientes cuja dor aumenta por causa da cultura de trabalho de alta pressão tão comum atualmente. Embora pareça algo fora do controle, existem medidas que podem ajudar", apontou em um artigo publicado no 'The Conversation'.
Estresse e dor de cabeça
Segundo a especialista, o desgaste constante faz com que o sistema nervoso permaneça em estado de alerta, impedindo que o corpo se recupere após atividades exaustivas. O resultado desse processo, então, é o aumento do cortisol e da adrenalina, bem como da frequência cardíaca e da tensão muscular. Dessa forma, o estresse contínuo ainda eleva a sensibilidade à dor.
Isso porque o organismo fica tão esgotado e atento que qualquer estímulo — que antes passaria despercebido — ativa os alarmes e é interpretado pelo cérebro como um incômodo forte. Esse esgotamento ocasiona, portanto, o aumento na ocorrência e na gravidade dos episódios de enxaqueca. Além disso, a sobrecarga física acumulada após horas de expediente pode desencadear dores de cabeça tensionais.
A irritação crônica também afeta o sono, o que piora o estado emocional e deixa o cérebro ainda mais vulnerável, elevando o risco de novos episódios. "O estresse crônico atua tanto como gatilho quanto como fator agravante da enxaqueca. O sistema neurológico de quem sofre de enxaqueca costuma ser mais sensível a mudanças ambientais, incluindo alterações no repouso, no ambiente, nas oscilações hormonais e na intensidade do estresse", esclareceu Wilhour.
Estratégias contra a enxaqueca
A neurologista aponta, contudo, que é possível controlar não somente a preocupação e a irritação excessivas, como os impactos para a saúde física. A sua principal dica é criar momentos intencionais de recuperação para o corpo. Ela recomenda, por exemplo, que, em vez de sair imediatamente do trabalho para outras obrigações, o profissional reserve de cinco a dez minutos entre as atividades para respirar profundamente, alongar-se ou simplesmente ficar em silêncio.
"Até pausas breves ajudam a reduzir a tensão muscular e os níveis de hormônios do estresse", ressaltou.
Ademais, indica, assim como outros especialistas, incluir atividades físicas na rotina. Segundo Danielle Wilhour, caminhadas, yoga ou alongamentos leves auxiliam o cérebro na regulação hormonal e na liberação de endorfina, substância responsável por controlar a dor. Outra orientação é prevenir dores de cabeça tensionais ajustando a postura e fazendo pausas para se movimentar durante o dia.
Ela também sugere recorrer à prática de atenção plena, como a meditação, para ensinar o sistema nervoso a reagir ao estresse de forma mais flexível. Por fim, aconselha estabelecer limites para o trabalho. "Sempre que possível, reduza o uso de e-mails fora do expediente, determine um horário claro para encerrar o dia e mantenha alguns espaços da casa livres de atividades profissionais. Procure ajuda se as dores persistirem", conclui.
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