Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Galinha ajuda adolescente autista a enfrentar ansiedade; conheça a história

Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Nicolas encontrou na galinha Pops uma fonte de conforto e segurança emocional

13 jul 2026 - 20h25
Compartilhar
Exibir comentários

Aos 14 anos, Nicolas Silva tem uma companhia especial nos momentos de ansiedade e estresse: Pops, a galinha garnisé que vive com sua família há quase três anos. O vínculo entre os dois chama atenção e, além disso, mostra como diferentes animais podem ocupar um importante espaço afetivo na vida de pessoas autistas. Morador de Campinas, no interior de São Paulo, o adolescente recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos 8 anos.

Nicolas encontrou na galinha Pops uma fonte de conforto e apoio emocional para enfrentar momentos de ansiedade e estresse
Nicolas encontrou na galinha Pops uma fonte de conforto e apoio emocional para enfrentar momentos de ansiedade e estresse
Foto: klebercordeiro/Gettyimages / Bons Fluidos

Durante a pandemia de Covid-19, um psiquiatra recomendou à família que Nicolas tivesse um animal de apoio emocional. Inicialmente, a família testou a convivência com hamsters e já tinha cachorros. No entanto, foi com a galinha que o adolescente desenvolveu uma conexão diferente. Atualmente, Pops acompanha o adolescente em algumas terapias e, sobretudo, o ajuda a se acalmar em situações de ansiedade e estresse.

Em entrevista ao 'G1', Nicolas resumiu o que sente quando está ao lado da ave: "Me acalma". Já sobre o que mais gosta em Pops, respondeu: "O carinho dela".

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por g1 (@portalg1)

Como um animal se torna fonte de apoio emocional?

Segundo Ceres Faraco, especialista em psicologia animal , um bichinho pode ocupar esse lugar quando sua presença proporciona conforto, segurança e bem-estar psicológico. "Essas sensações podem reduzir o estresse, a ansiedade, a solidão e promover a regulação emocional da pessoa", explica.

Embora cães e gatos apareçam com mais frequência quando o assunto é apoio emocional, outras espécies também podem desenvolver vínculos significativos com os seres humanos. Portanto, a capacidade de oferecer suporte não está limitada aos animais tradicionalmente associados a essa função.

"É totalmente possível que uma galinha exerça esse papel. Embora cães e gatos sejam mais comumente associados a animais de apoio emocional, a capacidade de oferecer suporte não está restrita a eles", afirma.

Além disso, a especialista explica que galinhas apresentam uma inteligência social complexa, reconhecem indivíduos e respondem às interações. Dessa forma, também podem construir relações afetivas significativas.

Por que os animais podem ajudar pessoas autistas?

No caso de pessoas com TEA, a relação com os animais pode oferecer uma forma de interação mais simples e previsível. Consequentemente, essa característica pode tornar o contato menos ameaçador do que algumas interações sociais humanas.

"O convívio oferece uma forma de comunicação mais simples e previsível, reduzindo a sobrecarga sensorial e a ansiedade que podem surgir em interações sociais humanas complexas e ambíguas", explica.

Além disso, o animal pode atuar como um "facilitador social" e um "amortecedor" do estresse. Assim, sua presença se transforma em um foco tranquilizador e em uma fonte constante de conforto e previsibilidade.

O contato físico também pode oferecer estímulos táteis reguladores. No caso de Nicolas, por exemplo, a mãe, Priscila Silva, percebe que, quando o filho está nervoso, ele procura as galinhas quase imediatamente. "Ele ficou nervoso com alguma coisa, na hora você vê que ele está lá com as galinhas. Já sei onde procurar", contou ao g1.

Existe uma explicação para o efeito calmante dos animais?

A sensação de tranquilidade proporcionada pela presença de um animal também pode envolver respostas fisiológicas. Nesse sentido, o contato e a interação podem provocar mudanças no organismo relacionadas ao estresse e ao bem-estar. Segundo a especialista, o toque e o carinho podem favorecer a liberação de ocitocina, hormônio associado ao bem-estar, à redução do estresse e do medo e ao aumento da confiança.

Além disso, a interação com animais pode contribuir para a redução dos níveis de cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Ao mesmo tempo, esse contato pode ajudar na regulação da frequência cardíaca e da pressão arterial.

"O foco na interação com o animal também pode desviar a atenção de pensamentos ansiosos ou estressores, proporcionando um senso de controle e previsibilidade", explica. Para Nicolas, essa relação também trouxe mudanças na autonomia e na socialização. Inclusive, o adolescente chegou a construir uma casinha de madeira para as aves no quintal da família.

A relação precisa ser saudável para os dois

Apesar dos possíveis benefícios, a convivência com animais exige responsabilidade. Por isso, a especialista alerta que a família deve considerar tanto as necessidades da pessoa quanto o bem-estar do animal.

Alergias, fobias e comportamentos agressivos ou imprevisíveis do animal são alguns fatores que merecem atenção. Além disso, a família precisa avaliar se possui condições físicas, emocionais e financeiras para oferecer os cuidados necessários. No caso do animal, é fundamental garantir alimentação adequada, abrigo, acompanhamento veterinário e um ambiente que permita comportamentos naturais da espécie.

"É importante observar o comportamento do animal para garantir que ele também esteja confortável na interação, evitando situações que possam estressá-lo", orienta. Da mesma forma, a interação com a criança ou o adolescente deve receber supervisão. Assim, é possível garantir uma convivência segura, respeitosa e baseada no cuidado mútuo.

"A escolha de um animal para convívio, especialmente para fins de apoio emocional, deve ser feita com extrema cautela, considerando a compatibilidade entre as necessidades e os temperamentos da pessoa e do animal", conclui. No caso de Nicolas e Pops, a conexão nasceu de forma espontânea e, com o tempo, transformou-se em parte da rotina da família. Para o adolescente, porém, a explicação permanece simples: a presença e o carinho da galinha o acalmam.

Bons Fluidos
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra