Doação de medula óssea: 7 mitos que você precisa conhecer
Entenda como funciona a doação de medula óssea e esclareça dúvidas sobre dor, cirurgia, cadastro e recuperação
Mitos sobre a doação de medula óssea afastam potenciais voluntários por medo e desinformação. O procedimento não afeta a coluna, pois o tecido é coletado da bacia ou por aférese no sangue, sem dor intensa e com rápida regeneração pelo organismo. A chance de compatibilidade é rara, exigindo critérios de saúde e idade (18 a 35 anos) para o cadastro. Além de tratar cânceres como leucemia, o transplante combate doenças benignas, reforçando a importância da contínua ampliação do banco de doadores.
Confusão com a medula espinhal, medo de cirurgia e receio da dor estão entre os principais equívocos
"Para doar medula óssea, precisa mexer na coluna?" A dúvida parece estranha para quem conhece o procedimento, mas é uma das principais razões pelas quais algumas pessoas têm receio de se cadastrar como doadoras. E desfazemos o primeiro mito de forma simples: não se retira a medula óssea da coluna.
A confusão acontece porque existem duas estruturas com nomes semelhantes, mas funções completamente diferentes. A medula espinhal fica localizada na coluna vertebral, enquanto a medula óssea é um tecido encontrado dentro dos ossos, o conhecido tutano. "Quando a doação ocorre por punção direta, ela não é feita na coluna, mas no osso da bacia", explica a hematologista Beatriz Nery, médica do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).
Mas esse está longe de ser o único equívoco relacionado à doação. Afinal, é preciso passar por cirurgia? Dói? O organismo consegue repor? E tem realmente chances de chamar quem se cadastrou? Confira os principais mitos:
"Retira-se a medula da coluna"
MITO. A medula espinhal, localizada na coluna, não é a mesma coisa que a medula óssea. A segunda fica no interior dos ossos e é responsável pela produção das células do sangue. Quando realiza-se a coleta diretamente da medula óssea, a punção acontece no osso da bacia, e não na coluna.
"Toda doação de medula exige cirurgia"
MITO. Existem duas formas de coleta. Em uma delas, retira-se as células-tronco do sangue periférico por meio de uma máquina de aférese, que separa as células necessárias e devolve o restante ao doador. Na outra, coleta-se a medula óssea por punção no osso da bacia, em centro cirúrgico e sob anestesia geral. A escolha do método depende principalmente da doença que será tratada.
"Doar medula é extremamente doloroso"
MITO. A experiência varia de acordo com o método utilizado. Na coleta por aférese, pode haver algum desconforto antes da doação, já que são aplicadas injeções para estimular a migração das células-tronco da medula para o sangue. Já na punção direta, realiza-se o procedimento sob anestesia geral. Portanto, o doador não sente dor durante a coleta. Nos dias seguintes, pode haver desconforto no local da punção, que dá para controlar com analgésicos.
"Depois da doação, o organismo fica sem medula"
MITO. O organismo repõe as células doadas. Segundo a médica, esse processo leva, em média, de 10 a 20 dias. Durante esse período, é comum que o doador apresente algum cansaço, especialmente nos dias seguintes ao procedimento.
"Quem se cadastra provavelmente será chamado para doar"
MITO. A chance de um cadastro resultar em uma doação é baixa. Isso acontece porque a compatibilidade entre doador e receptor depende de características genéticas bastante específicas. "Quando um doador é chamado, significa que, dentre uma enorme variabilidade genética, há compatibilidade com o receptor", explica a hematologista. Por isso, o cadastro não significa que a pessoa necessariamente terá de realizar a doação. Ao contrário: quanto maior e mais diversificado for o registro de potenciais doadores, maiores são as possibilidades de encontrar alguém compatível para quem precisa do transplante.
"Qualquer pessoa saudável pode se cadastrar"
MITO. Existem critérios de idade e saúde para o cadastro. Em geral, prioriza-se a inclusão de pessoas entre 18 e 35 anos, e o doador permanece ativo nos registros até os 60 anos. Também são investigadas condições que podem interferir na elegibilidade, como histórico pessoal de câncer, algumas doenças autoimunes, infecções crônicas — entre elas tuberculose, doença de Chagas e hepatites — e determinadas condições crônicas, como diabetes, obesidade e insuficiência cardíaca.
"Transplante de medula serve apenas para tratar câncer"
MITO. Embora seja uma modalidade importante no tratamento de algumas doenças malignas do sangue, como leucemias, linfomas, mieloma e neoplasias mielodisplásicas, o transplante também pode ser indicado para algumas doenças benignas. Entre elas estão determinadas imunodeficiências primárias, anemia falciforme e falências medulares congênitas.
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