Musicoterapia em pacientes cirúrgicos deve considerar perfil clínico e saúde mental
Estudo avaliou a musicoterapia em pacientes cirúrgicos com transtornos mentais ou uso de substâncias, revelando que os encaminhados à prática tinham quadros mais graves e complexos. O grupo atendido teve internações 41,8% mais longas e três sessões não bastaram para reduzir o uso de opioides. Os resultados mostram que a eficácia da terapia depende da frequência das sessões, da integração ao tratamento e do perfil clínico do paciente, sem desabonar o potencial benéfico da intervenção.
17 de setembro de 2026 (Bibliomed). A musicoterapia vem sendo estudada como uma forma complementar de aliviar dor, ansiedade, estresse e fadiga em pacientes internados após cirurgias. Um novo estudo avaliou seu uso em pessoas que, além da cirurgia, também tinham transtornos mentais ou histórico de uso de substâncias.
A pesquisa comparou pacientes que receberam entre 2 e 10 sessões de musicoterapia com outros que receberam apenas os cuidados habituais. Os resultados mostraram que os pacientes encaminhados para musicoterapia eram, em geral, mais graves e complexos. Eles tinham mais ansiedade, transtornos ligados a trauma ou estresse, insuficiência cardíaca, maior uso inicial de opioides e maior necessidade de cuidados paliativos.
Após ajustes estatísticos, o grupo que recebeu musicoterapia apresentou internação 41,8% mais longa. Além disso, uma mediana de três sessões, realizadas em menos de 20% dos dias de internação, não reduziu de forma significativa o uso de opioides.
Isso não significa que a musicoterapia não funcione. O estudo sugere que seus benefícios podem depender da frequência das sessões, do perfil do paciente e da forma como ela é integrada ao tratamento hospitalar.
Fonte: Journal of Integrative and Complementary Medicine. DOI: 10.1177/27683605261444109.
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