Dificuldade para aprender nem sempre é preguiça: pediatra faz alerta para sinais de saúde dos pequenos
Impaciência, queda nas notas e recusa para ir às aulas podem indicar transtornos como TDAH, dislexia ou até falhas na visão
Dificuldades no aprendizado infantil muitas vezes são erroneamente rotuladas como preguiça, mas podem indicar problemas de saúde física, emocional ou distúrbios do neurodesenvolvimento. Pediatras alertam que sinais como desatenção, queda no rendimento escolar e alterações comportamentais exigem investigação médica, incluindo avaliação visual, auditiva e psicológica, para garantir o diagnóstico precoce e o suporte adequado ao pleno desenvolvimento da criança.
Cada criança possui seu próprio ritmo de desenvolvimento e aprendizado. No entanto, quando desafios para ler, escrever, memorizar ou manter a atenção se tornam persistentes e afetam a autoestima, é hora de acender o alarme. Estatísticas nacionais revelam que cerca de um terço dos estudantes do ensino fundamental ainda não atinge o nível esperado de alfabetização, um cenário que exige atenção de pais e educadores.
De acordo com a Drª. Daniela Gandolphi de Carvalho Nucci, médica pediatra do Vera Cruz Hospital, alguns comportamentos merecem investigação quando não melhoram com apoio pedagógico. "A atenção deve estar voltada principalmente para a evolução individual da criança. A comparação mais importante não deve ser com os colegas, mas com a evolução da própria e com as oportunidades de aprendizagem que recebeu", afirma a especialista.
Sinais de alerta no comportamento e no aprendizado
Muitas vezes, a barreira no aprendizado não tem relação com a inteligência. Uma criança muito criativa e com excelente raciocínio pode, por exemplo, enfrentar dislexia ou TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Da mesma forma, alterações físicas simples — como problemas na visão ou na audição — costumam ser confundidas com falta de atenção na sala de aula.
Nesse sentido, vale observar se o seu filho apresenta alguns dos seguintes sinais frequentes:
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Queixas físicas antes de ir para a aula, como dores de cabeça ou de barriga
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Frases de desestimulo, como "eu sou burro" ou "não consigo aprender"
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Necessidade de se aproximar demais das telas ou pedir para repetir frases com frequência
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Erros constantes ao associar sons e letras ou na interpretação de textos simples
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Trocas de linha durante a leitura e extrema dificuldade para organizar tarefas
"A alfabetização depende de várias habilidades que começam a se desenvolver muito antes da entrada na escola. A avaliação deve considerar o desenvolvimento infantil como um todo, e não apenas a leitura ou as notas", explica.
O papel da família e a busca por ajuda especializada
Contudo, buscar uma avaliação médica não significa rotular a criança. Pelo contrário, é o primeiro passo para compreender as necessidades individuais e buscar auxílio de neuropediatras, fonoaudiólogos ou psicopedagogos. "Avaliar não significa necessariamente diagnosticar um transtorno, mas compreender o perfil da criança e oferecer a ajuda adequada no momento certo", ressalta.
Em suma, o suporte em casa precisa ser focado em acolhimento e rotina. Em vez de cobranças rígidas, o ideal é dividir tarefas longas em etapas curtas e valorizar cada pequeno progresso. "Gritos, ameaças, castigos e horas seguidas de exercícios tendem a aumentar a ansiedade e não corrigem uma dificuldade de aprendizagem. A criança precisa compreender que ter dificuldade não significa ser menos inteligente e que pedir ajuda também faz parte de aprender", finaliza a médica.
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