Dia das Crianças: psicopedagoga dá dicas de como escolher o presente e a brincadeira ideal por idade
Psicopedagoga orienta considerar interesses, faixa etária e autonomia na hora de escolher presentes que também favoreçam o aprendizado
Para o Dia das Crianças, a psicopedagoga Carla Costa orienta escolher presentes e brincadeiras que respeitem a idade, os interesses e o ritmo individual de cada criança, inclusive daquelas com TEA. Blocos de montar, quebra-cabeças e faz de conta estimulam a criatividade e a autonomia. Mais do que brinquedos caros ou respostas prontas, a especialista ressalta que a presença participativa dos adultos e o espaço para a criança explorar e errar são essenciais para o desenvolvimento infantil.
As vésperas do Dia das Crianças, celebrado no dia 12 de outubro, muitas famílias começam a pensar nos presentes para os pequenos. Para quem ainda está em dúvida, a dica é observar se a escolha desperta interesse e curiosidade, oferecendo possibilidades para a criança brincar, criar, experimentar e fazer descobertas.
Para Carla Costa, psicopedagoga e educadora parental, brincadeiras simples do cotidiano também funcionam como fontes de aprendizado e podem proporcionar experiências importantes. Jogos de encaixe e blocos de montar, por exemplo, ajudam a explorar formas, tamanhos, equilíbrio e relações espaciais. Já os quebra-cabeças estimulam atenção, planejamento e estratégias para solucionar problemas. Outra possibilidade é o "faz de conta", como brincar de escola, casinha, restaurante ou supermercado, que abre espaço para imaginação, linguagem e criatividade.
Brincadeiras para crianças mudam conforme a idade
Com as crianças menores, Costa orienta experiências como ouvir músicas, cantar e contar histórias, além de explorar, com segurança, objetos de diferentes formas, sons e texturas. Conforme a criança cresce, os interesses também se transformam. Nesse momento, jogos de estratégia, cartas, jogos de tabuleiro, atividades artísticas, esportivas e de construção podem ganhar espaço, desde que façam sentido para aquela criança.
"Brincar é uma das principais formas de a criança conhecer o mundo, experimentar possibilidades e aprender. Quando ela monta, desmonta, inventa uma história, cria regras para uma brincadeira ou joga com outras pessoas, muitas habilidades estão sendo mobilizadas ao mesmo tempo. Por isso, mais importante do que procurar um brinquedo que 'desenvolva' determinada habilidade, é oferecer experiências variadas e espaço para que a criança explore, crie, faça escolhas e descubra o que consegue fazer", orienta a especialista.
Como escolher o presente?
Na hora da escolha, a especialista recomenda considerar os interesses, as características e o estágio de desenvolvimento de cada criança, além de observar a indicação etária do fabricante. Livros, materiais para desenho e pintura, instrumentos musicais infantis, jogos de tabuleiro, brinquedos de construção e materiais esportivos aparecem entre as possibilidades.
No caso de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Carla ressalta que não existe um brinquedo específico que funcione para todas. A escolha deve considerar interesses, necessidades e características individuais. Jogos, livros, atividades artísticas e desafios podem ampliar experiências e favorecer diferentes formas de aprendizagem, desde que respeitem o perfil de cada criança.
Adulto não precisa resolver tudo
A forma como o adulto participa da brincadeira também faz diferença. Segundo Costa, ajudar não significa conduzir todos os passos ou oferecer respostas antes que a criança tenha tempo para tentar.
"Também é importante que o adulto não transforme toda brincadeira em uma atividade dirigida ou tente resolver tudo pela criança. Se ela está tentando encaixar uma peça, montar alguma coisa ou encontrar uma solução para um jogo, podemos observar e dar um pouco de tempo antes de intervir. Nem sempre ela precisa de uma resposta pronta. Tentar, perceber que não funcionou, mudar de estratégia e tentar novamente também fazem parte da aprendizagem. O adulto pode estar disponível para ajudar, mas sem retirar da criança a oportunidade de descobrir que ela também consegue encontrar caminhos", destaca.
Para a especialista, o Dia das Crianças também pode servir como um lembrete de que presença e interação fazem parte da experiência de brincar. Reservar um tempo para jogar, construir, desenhar, inventar histórias ou simplesmente acompanhar uma brincadeira pode ser tão significativo quanto o presente escolhido.
*Texto escrito por Anna Vilarina, da Cratvs
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