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Denunciado por intolerância religiosa, padre se desculpa com família de Preta Gil

Padre Danilo César pediu desculpas públicas à família de Preta Gil após acordo judicial e caso reacendeu debates sobre intolerância religiosa e respeito à diversidade de crenças

19 mai 2026 - 16h21
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O pedido público de desculpas feito pelo padre Danilo César à família de Preta Gil voltou a colocar em evidência um debate delicado e necessário no Brasil. Trata-se da intolerância religiosa e o respeito às diferentes formas de fé.

Padre faz retratação pública à família de Preta Gil após falas polêmicas sobre religiões afro
Padre faz retratação pública à família de Preta Gil após falas polêmicas sobre religiões afro
Foto: brasileiras e caso reacende debate - Reprodução/YouTube/Instagram / Bons Fluidos

A retratação aconteceu durante uma missa realizada no interior da Paraíba. Ocorreu meses após declarações do religioso envolvendo a cantora e religiões de matriz africana provocarem forte repercussão nacional. O pedido faz parte de um acordo firmado na Justiça Cível do Rio de Janeiro entre o padre, a Diocese de Campina Grande e a família Gil.

O que aconteceu?

As falas que motivaram as denúncias ocorreram poucos dias após a morte de Preta Gil, em 2025, vítima de um câncer colorretal. Durante uma homilia transmitida ao vivo pelo YouTube da paróquia, o padre associou o sofrimento enfrentado pela cantora à sua espiritualidade ligada a religiões afro-indígenas. Na ocasião, ele declarou: "Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?"

O religioso também fez comentários ofensivos direcionados às religiões afro-brasileiras durante a celebração. As declarações repercutiram intensamente nas redes sociais e motivaram denúncias por intolerância religiosa. O vídeo da missa acabou sendo removido do canal da igreja após a repercussão negativa.

Gilberto Gil classificou fala como "agressão"

Durante um ato inter-religioso realizado meses depois - e que fazia parte das medidas acordadas com o Ministério Público Federal - Gilberto Gil comentou publicamente o episódio. Na ocasião, ele definiu as falas do padre como uma "agressão".

O encontro reuniu representantes de diferentes crenças e teve como objetivo promover diálogo, conscientização e reflexão sobre a diversidade religiosa no Brasil.

O posicionamento de Gilberto reforçou a importância de discutir não apenas liberdade de expressão. Mas também os impactos que discursos intolerantes podem causar sobre comunidades religiosas historicamente alvo de preconceito.

O pedido de desculpas público

Durante a missa do Dia das Mães, transmitida ao vivo pela internet, o padre leu integralmente o texto previsto no acordo judicial firmado com a família de Preta Gil. 

"Reconheço que, na homilia proferida em 27 de julho de 2025, minhas palavras foram ofensivas, inadequadas e que, por minha imprudência, causaram dor aos familiares de Preta Gil, motivo pelo qual lamento e me retrato publicamente", afirmou.

Ele também ressaltou a importância do respeito entre diferentes crenças religiosas. "A liberdade religiosa é um dos pilares dos direitos humanos. Sem ela, o exercício de nossa própria catolicidade poderia nos ser privado ou restrita", declarou.

Em outro trecho, o religioso reconheceu o valor histórico e cultural das religiões de matriz africana. "Acerca das religiões de matriz africana, importante que se reconheça a sua importância histórica e cultural e como um dos elementos constitutivos da diversidade do povo brasileiro."

Pedido de desculpas na íntegra

Ao final da celebração, o padre leu o seguinte texto:

"Eu, Danilo César de Sousa Bezerra, dirijo-me publicamente a Gilberto Passos Gil Moreira, Flora Nair Giordano Gil Moreira, Francisco Gadelha Gil Moreira Muller de Sá, Nara Aguiar Gil Moreira, Marília de Aguiar Gil Moreira, Maria Gadelha Gil Moreira, Bem Giordano Gil Moreira, Isabela Giordano Gil Moreira e José Gil Giordano Gil Moreira, bem como à memória de Preta Maria Gadelha Gil Moreira, para apresentar minhas desculpas formais.

Reconheço que, na homilia proferida em 27 de julho de 2025, minhas palavras foram ofensivas, inadequadas e que, por minha imprudência, causaram dor aos familiares de Preta Gil, motivo pelo qual lamento e me retrato publicamente.

A liberdade religiosa é um dos pilares dos direitos humanos, e sem ela, o exercício de nossa própria catolicidade poderia nos ser privado ou restrita. Como consequência, todos temos que respeitar todas as pessoas que creem de forma diferente, que manifestam religiosidade de forma diversa da nossa fé católica.

Todas as pessoas merecem respeito oriundo de sua dignidade como criaturas de Deus. Acerca das religiões de matriz africana, importante que se reconheça a sua importância histórica e cultural e como um dos elementos constitutivos da diversidade do povo brasileiro.

Por isso, peço sinceras desculpas pelas falas proferidas naquela ocasião e assumo o firme propósito de não voltar a repeti-las".

Medidas educativas e reparação

Além da retratação pública, o acordo firmado prevê a doação de cestas básicas para uma instituição social. O padre também assumiu compromissos junto ao Ministério Público Federal para evitar responsabilização criminal.

Entre as medidas estabelecidas estão cursos sobre intolerância religiosa, participação em eventos inter-religiosos e leitura de obras relacionadas à temática racial e às religiões afro-brasileiras.

O caso acabou se transformando em um símbolo de um debate mais amplo sobre convivência, respeito e pluralidade religiosa em um país marcado por grande diversidade espiritual e cultural.

Bons Fluidos
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