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Qual é o melhor shoyu do mercado? Teste às cegas avaliou 14 marcas

Um grupo de especialistas degustou o molho de soja tradicional muito usado na culinária japonesa; veja quem ganhou

3 out 2024 - 13h27
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Considerado uma das bases da culinária asiática, o shoyu, ou molho de soja fermentado, é presença cativa nas mais diversas receitas. Graças ao seu sabor potente - e repleto de personalidade - pode ser utilizado para temperar carnes, aromatizar caldos, saltear legumes e, também, como complemento do sushi e do sashimi.

O que é shoyu?

Embora existam uma infinidade de receitas de shoyu, a mais tradicional, de acordo com o livro Microbiologia de alimentos fermentados (publicado pela Editora Blucher), tem como base grãos de soja, que são cozidos e, depois, misturados com trigo tostado. Em seguida, entra em cena o Aspergillus oryzae, ou simplesmente koji. Trata-se de um micro-organismo, que é amplamente utilizado na produção de bebidas como o saquê, e responsável pela fermentação. "É esse processo que vai adicionando ao molho de soja outras camadas de sabor, que vão além do sal", explica o chef consultor Eiji Tomimatsu.

Nessa mistura dos grãos com o koji é adicionada uma salmoura e, a partir daí, se inicia o moromi, como é conhecido o processo de envelhecimento do molho de soja fermentado. Essa etapa pode levar meses, mas, também, pode ser acelerada pela indústria. E é aí que entram em cena ingredientes como glucose, glutamato monossódico e corante caramelo, para recriar tanto a cor quanto o sabor que seriam obtidos com a fermentação prolongada.

As amostras de shoyu foram degustadas tanto in natura quanto no sashimi de atum
As amostras de shoyu foram degustadas tanto in natura quanto no sashimi de atum
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Como usar o shoyu?

O molho de soja fermentado pode ser utilizado nos mais diversos preparos, mas, por conta de seu sabor potente, é preciso ter cuidado. "O shoyu deve ser somente um toque. Se utilizado em excesso, pode deixar o prato muito salgado", explica a restauratrice Regina Hwang, que comanda o restaurante coreano Portal da Coreia, no bairro da Liberdade. Segundo ela, o shoyu também é essencial na cozinha coreana, mas ela utiliza o ganjang, versão coreana do molho de soja fermentado, mas um pouco mais leve do que a versão japonesa.

O shoyu serve como base de, praticamente, todas as receitas servidas no restaurante japonês Imakay. Com sede em Campo Grande (MS) e filial no bairro paulistano do Itaim Bibi, a casa reúne sushi bar e parrilla, de onde saem uma infinidade de cortes de inspiração asiática. Combinados como o sashimi que leva o nome da casa (R$ 84, 10 peças) e reúne fatias de salmão, atum, buri maturado por 13 dias, robalo e pescada amarela, chegam à mesa com um shoyu preparado na casa. "Como o brasileiro gosta de mergulhar o sushi no shoyu, nós o deixamos mais suave", explica o sushi chef Danilo Gonçalves, do Imakay. Ele acrescenta ao molho de soja fermentado ingredientes como dashi, o caldo base da culinária japonesa, além de katsuobushi (lascas de bonito seco), saquê e gengibre.

O chef consultor Eiji Tomimatsu e, ao fundo, a restauratrice Regina Hwang, do Portal da Coreia
O chef consultor Eiji Tomimatsu e, ao fundo, a restauratrice Regina Hwang, do Portal da Coreia
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Esse preparado de shoyu também é utilizado nos pratos japoneses quentes da casa. "Dependendo da finalidade, nós o deixamos mais suave ou mais intenso", explica Gonçalves. É o caso de grelhados de inspiração asiática na parrilla, como o wagyu tataki (R$ 98, 10 fatias), em que fatias finas do corte são seladas e chegam à mesa com molho de shoyu, alho e laranja.

No Jojo Ramen, que tem três endereços na capital paulista, o shoyu também é utilizado em todos os preparos. O molho de soja fermentado é protagonista do shoyu ramen (a partir de R$ 55), em que a massa de textura elástica é mergulhada em caldo temperado com shoyu orgânico e de fermentação natural, e finalizada com alga nori, menma (broto do bambu) e chashu (carne de porco temperada com shoyu e grelhada).

Sashimi Imakay: o combinado servido no restaurante japonês reúne peças de salmão, atum, buri maturado, robalo e pescada amarela
Sashimi Imakay: o combinado servido no restaurante japonês reúne peças de salmão, atum, buri maturado, robalo e pescada amarela
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

O chef Tohya Yamashita, que comanda a rotisseria japonesa Sozai Japanese Deli, no bairro do Paraíso, utiliza o shoyu no preparo de carnes de cozimento longo, como o buta no kakuni (panceta de porco cozida com shoyu e gengibre, R$ 51,03, 350 g) e o oxtail (rabada bovina) cozido com shoyu, saquê mirim e sansho, uma especiaria que é muito utilizada nas cozinhas japonesa e chinesa (R$ 50,75, 350 g). "Além do tradicional, eu costumo utilizar outros tipos de shoyu, como o do tipo usukuchi, que é mais claro e mais salgado", explica ele.

O júri (da esq. para dir.): Danilo Gonçalves, do Imakay, Tohya Yamashita, da Sozai Japanese Deli, Simone Xirata, do Jojo Ramen, Regina Hwang, do restaurante Portal da Coreia, e o chef consultor Eiji Tomimatsu
O júri (da esq. para dir.): Danilo Gonçalves, do Imakay, Tohya Yamashita, da Sozai Japanese Deli, Simone Xirata, do Jojo Ramen, Regina Hwang, do restaurante Portal da Coreia, e o chef consultor Eiji Tomimatsu
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Embora existam diversas categorias de shoyu, a versão tradicional foi o recorte escolhido por Paladar para esta degustação. E para descobrir qual é a melhor marca de shoyu disponível no mercado, Paladar reuniu um time de especialistas na filial paulistana do restaurante Imakay para provar, às cegas, 14 marcas. E, para compor o time de jurados, Paladar convidou os chefs Danilo Gonçalves, do Imakay, Tohya Yamashita, da Sozai Japanese Deli, as restauratrices Simone Xirata, do Jojo Ramen, e Regina Hwang, do restaurante Portal da Coreia, além do chef consultor Eiji Tomimatsu.

O júri avaliou as amostras a partir de quatro critérios: aparência, consistência, aroma e sabor
O júri avaliou as amostras a partir de quatro critérios: aparência, consistência, aroma e sabor
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Como foi realizado o teste

Em todas as provas realizadas por Paladar, a reportagem faz um levantamento das marcas disponíveis no mercado. E, nos dias anteriores ao teste, as amostras são adquiridas* em grandes redes de supermercado e empórios da capital paulista. No caso de produtos artesanais, eles são comprados nas lojas on-line das próprias marcas de forma anônima. Ou seja, em ambos os casos, as marcas não sabem que seus produtos serão submetidos a uma degustação às cegas. O Paladar Testou é uma iniciativa 100% editorial. Além disso, o júri também não tem conhecimento de quais marcas fazem parte da seleção antes do resultado da apuração.

As amostras foram avaliadas a partir de quatro critérios: aparência, consistência, aroma e sabor. Além de provar os molhos de soja fermentado in natura, o júri experimentou a combinação entre os produtos e o sashimi de atum. E o campeão do teste às cegas foi o shoyu orgânico da MN Food. Composto somente de quatro ingredientes (soja e trigo orgânicos, água e sal marinho), o molho de soja da marca é elaborado com fermentação natural. A seguir, confira a avaliação** das marcas de shoyu tradicional disponíveis no mercado e veja também quais delas deram "match" com o sashimi de atum.

O shoyu orgânico da MN Food foi o campeão do teste às cegas
O shoyu orgânico da MN Food foi o campeão do teste às cegas
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

As melhores marcas de shoyu

  1. MN Food
  2. Kikkoman
  3. Arrifana

* os valores dos produtos mencionados a seguir são dos dia 25 e 26 de setembro de 2024.

** as avaliações abaixo são um compilado dos comentários dos jurados ao longo da prova.

Veja a avaliação de todas as marcas testadas

Arrifana

O shoyu produzido pela marca paulistana conquistou medalha de bronze no teste às cegas. Elaborado com soja e milho, a formulação inclui itens como glutamato monossódico e corante caramelo. Com aroma delicado, tem leve dulçor e sal na medida. No entanto, poderia ter um sabor mais natural (R$ 3,14, 150 ml, no Assaí Atacadista).

Azuma

Produzido pela Kikkoman do Brasil, esse shoyu elaborado com soja e trigo passa pelo processo de fermentação, de acordo com informações do site da marca, que não constam no rótulo. Denso e com coloração mais escura, o molho tem aroma agradável. Na boca, se destaca o sabor adocicado e um tom a mais de sal (R$ 13,90, 500 ml, no Koa Food Market).

Cepêra

A soja e o milho são a base do shoyu da marca. Segundo informações do site da marca - e omitidas no rótulo -, o molho de soja passa por um processo de longa fermentação. Com coloração bem escura, o shoyu tem aroma alcoólico e, na avaliação gustativa, sente-se apenas o sal. Falta complexidade (R$ 4,92, 150 ml, no Assaí Atacadista).

Daimaru

O shoyu da marca é classificado como macro, ou seja, o público-alvo do produto são os adeptos de uma dieta macrobiótica. Elaborado com fermentação natural, leva somente quatro ingredientes: água, soja, milho e sal. Com coloração mais clara e textura fluída, tem aroma tostado e sabor salgado (R$ 6,99, 150 ml, no Empório Azuki).

Gota

Fabricado pela marca sergipana Maratá, o shoyu é classificado como molho no rótulo, já que tem como base um molho à base de soja. E, também, leva milho, açúcar, sal, corante caramelo e vinagre na formulação. Com coloração mais escura e consistência mais líquida, tem um aroma ácido, que se estende ao sabor. O molho também tem sabor adocicado (R$ 2,61, 150 ml, no Assaí Atacadista).

Hatenkoo

Feito de soja e milho, o shoyu da marca Maruiti passa pelo processo de fermentação, de acordo com informações do rótulo. Xarope de glicose, corante caramelo, glutamato monossódico, sal e açúcar são outros componentes que se destacam entre os ingredientes. Com textura densa e coloração mais escura, o molho de soja tem aroma de cereais. Na boca, predomina o dulçor (R$ 5,59, 150 ml, no Empório Azuki).

Hinomoto

Segundo informações da embalagem, o molho de soja da marca passa pelo processo de fermentação. À base de soja e milho, leva componentes como açúcar cristal, glucose de milho, além de corante caramelo e glutamato monossódico. Com coloração mais escura e textura densa, tem um aroma de torra que parece artificial. Na boca, se destacam o umami e o dulçor, mas falta complexidade (R$ 4,20, 200 ml, no Towa).

Karui

O shoyu da marca Ponzan é fermentado, de acordo com o rótulo. À base de soja e milho, o molho de soja leva ingredientes como sal, açúcar, glucose, amido de milho, glutamato monossódico e corante caramelo - o único do teste que não contém água na formulação. Com coloração mais escura e um aroma sutil de cereal, na boca predomina o dulçor. Menção honrosa por formar a melhor combinação com o sashimi de atum (R$ 10,90, 500 ml, no Tajimaya).

Kikkoman

Embora exista a versão importada da marca nas gôndolas, o shoyu escolhido para o teste foi o produzido no Brasil, que conquistou o segundo lugar do ranking. Elaborado com fermentação natural, o molho tem como base soja, trigo, água, sal e álcool. Com coloração mais clara e textura fluída, tem aroma de fermentação e um toque herbal. Na boca, tem sabor delicado, com um toque de acidez e leve picância. Poderia ter um tom a menos de sal (R$ 20,70, 150 ml, no Towa).

Knorr

O molho de soja da marca é produzido pela Sakura. À base de soja, milho, água, sal e açúcar, o shoyu contém “aromatizante sintético idêntico ao natural”, de acordo com informações do rótulo. Com coloração mais clara e textura líquida, tem aroma de cereais. Na avaliação gustativa predomina o sal e um leve toque de acidez - falta personalidade. (R$ 7,47, 150 ml, no Sonda Supermercado)

MN Food

O shoyu orgânico da marca conquistou medalha de ouro na degustação às cegas. Elaborado com fermentação natural, o molho contém apenas quatro ingredientes: soja e trigo orgânicos, água e sal marinho. Com coloração mais clara, tem boa textura e um agradável aroma fermentado. Na boca, tem sal na medida e sabor de umami. Também harmonizou muito bem com o sashimi de atum. (R$ 11,90, 150 ml, no Towa)

Mitsuwa

Elaborado com fermentação natural, segundo informações do rótulo, o shoyu produzido pela marca alimentícia Wilson combina soja, milho e trigo. A formulação inclui ainda açúcar, glicose, sal, água, corante caramelo e glutamato monossódico. Com coloração intensa e textura fluída, o shoyu tem aroma artificial, que combina acidez e notas de cereais. Na boca predomina o dulçor. (R$ 10,50, 500 ml, no Marukai)

Natural & Healthy

O shoyu da marca é elaborado com fermentação natural e tem como base soja e milho. Além dos cereais, a formulação inclui água, sal e koji (arroz inoculado em fungo Aspergillus orizae), que é utilizado no processo de fermentação. Com coloração mais clara e textura fluída, o shoyu tem um aroma ácido, que se estende ao sabor, além de um tom a mais de sal. (R$ 6,60, 150 ml, na Casa Mart)

Sakura

À base de soja e milho, o shoyu tradicional da marca passa pelo processo de fermentação natural. Água, sal, açúcar, corante caramelo e glutamato monossódico são alguns destaques da formulação. Cor intensa e textura líquida são algumas características do molho de soja da marca, que tem aroma de cereais, com notas amadeiradas. Na boca, predomina o sabor salgado. (R$ 5,48, 150 ml, no Hirota Food Supermercados)

Estadão
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