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Cozinha de afeto e boas histórias

Gabriela Barretto, dona do Chou e sócia do 'Futuro Refeitório', é a gestora do seu próprio negócio, porém sem perder a ternura jamais.

28 dez 2022 - 12h36
(atualizado às 12h58)
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Foto: restaurantechou/Reprodução/Instagram

Quem entra no Chou não imagina que por trás do restaurante fofo, com jeito de casa, trilha sonora delícia e comidas para "compartir", como dizem nossos hermanos argentinos, tem uma moça que foi criada literalmente na roça. Gabriela Barretto, dona do Chou e também sócia do 'Futuro Refeitório', viveu até os 15 anos em Descalvado, no interior de São Paulo. Morava num sítio com a família e foi ali, pra driblar o tédio de tardes sem amigos para brincar na vizinhança, que se descobriu na cozinha.

"Minha mãe assinava a revista Claudia e eu fazia as receitas da Palmirinha desde muito pequena, cozinhava o que era possível com os ingredientes locais; tinha açúcar, leite de vaca fresco, mel produzido no sítio, as frutas do pomar, os legumes e verduras da horta", lembra. "Não tinha vendinha nem mercado perto, então improvisava mesmo".

Gabriela é a gestora do seu próprio negócio, porém sem perder a ternura jamais. Em 2016 lançou o livro "Como cozinhar sua preguiça" (Melhoramentos), com as receitas do Chou e que fala muito sobre uma comida descomplicada. O amor pelas palavras faz com que ela tenha atitudes como apresentar a conta aos clientes dentro de um livro. Uma pessoa cuidadosa, que administra seus negócios com capricho. No dia a dia, dá conta de todas as etapas do processo (da orientação no preparo dos pratos à escolha da playlist do restaurante) e só vai para a cozinha em ocasiões especiais: "Hoje minha relação com a comida tem muito mais a ver com prazer próprio, cozinhar para a minha família...", conta. "Como empresária acho que consigo desenvolver um ambiente de trabalho muito mais amoroso e inclusivo, é uma construção que faço há muito tempo, acredito não se resolve nada com grito".

Já o 'Futuro Refeitório' tem como inspiração um futuro distópico, em que locações abandonadas se transformam em pequenos mundos. Foi assim que o pátio do estacionamento virou o restaurante com a cozinha aberta mais impressionante da cidade em que é possível tomar café da manhã, almoçar, jantar, trabalhar, passar para tomar um café no meio da tarde.

"Faço lugares que eu gostaria de ir, sempre penso o lugar meio pra mim", diz Gabriela. "No fundo só queria fazer um lugar que tivesse um bom pão, um bom café, boa comida..."

Estadão
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