Como a alimentação saudável protege os rins e previne doenças
"A proteína também merece atenção, principalmente quando consumida em excesso e sem necessidade", alerta a nutricionista Thamires Aniceto
Uma alimentação equilibrada é essencial para preservar a função renal e prevenir doenças crônicas, como insuficiência renal e cálculos. O consumo adequado de água, somado à redução de sódio, açúcar e ultraprocessados, diminui a sobrecarga nos rins e ajuda no controle da pressão arterial e do diabetes. Priorizar frutas, vegetais e proteínas magras fornece antioxidantes e nutrientes vitais, garantindo a filtragem sanguínea eficiente e promovendo a longevidade da saúde renal.
A doença renal pode exigir mudanças importantes na alimentação.
O que é escolhido no prato diariamente contribui para o controle de fatores relacionados ao desenvolvimento e à progressão da doença como hipertensão, diabetes e obesidade.
A nutricionista Thamires Aniceto, pós-graduada em nutrição clínica e nutrição Renal, parceira da BioFlovit Clinical, empresa de suplementos, esclarece que o sódio, o consumo excessivo de proteínas e a presença frequente de alimentos ultraprocessados são alguns dos pontos que merecem atenção para evitar uma sobrecarga do órgão.
Além disso, expressões como "integral", "natural", "zero" ou "sem açúcar" podem transmitir uma ideia de alimento saudável, mas não significam que, sozinhas, sejam a melhor escolha.
A seguir a nutricionista Thamires Aniceto explica como a alimentação pode ajudar na saúde dos rins, prevenir doença renal, quais nutrientes podem causar uma sobrecarga na órgão e o que observar nos rótulos antes de colocar um produto no carrinho:
1 - Como a alimentação ajuda em um caso de doença renal?
Thamires Aniceto: A alimentação tem um papel muito importante em todas as fases da doença renal. Ela não deve ser vista apenas como uma lista de alimentos que o paciente pode ou não pode comer, mas como parte fundamental do tratamento.
Por isso, a alimentação precisa ser individualizada de acordo com a fase da doença. No tratamento conservador, por exemplo, o objetivo é ajudar a preservar a função renal pelo maior tempo possível, além de controlar fatores que podem acelerar a progressão da doença, como hipertensão, diabetes e obesidade.
Uma coisa que considero muito importante é não transformar a alimentação do paciente renal em uma sequência de proibições. Muitas vezes, o paciente chega ao consultório com medo de comer frutas, legumes ou proteínas.
Meu papel é justamente mostrar que é possível comer bem e com segurança, fazendo escolhas e ajustes de acordo com a realidade daquela pessoa. No fim, não existe uma dieta renal igual para todo mundo. Existe a dieta adequada para aquele paciente, naquele momento da doença.
2 - Como a alimentação pode ajudar a prevenir doenças renais? Quais hábitos alimentares mais protegem os rins no dia a dia?
Thamires Aniceto: A prevenção começa muito antes de aparecer uma alteração nos exames. A alimentação tem um papel importante porque ajuda a controlar fatores que estão entre as principais causas e fatores de risco para a doença renal, como hipertensão, diabetes e obesidade.
No dia a dia, priorizar uma alimentação mais variada, com frutas, verduras, legumes, leguminosas, cereais e fontes de proteína de boa qualidade em quantidades adequadas.
A prevenção não significa deixar de comer o que gosta ou viver fazendo restrições. É justamente o contrário: é aprender a fazer escolhas melhores dentro da sua realidade e construir uma rotina alimentar que consiga manter a longo prazo.
3- Quais alimentos ou nutrientes mais sobrecarregam os rins e devem receber atenção?
Thamires Aniceto: Mais do que pensar em um alimento isolado, precisamos olhar para o padrão alimentar e para a quantidade consumida. O excesso de sódio é um dos principais pontos de atenção porque está relacionado ao aumento da pressão arterial, que é um importante fator de risco para a doença renal. E muitas vezes o problema não está apenas no sal usado no preparo, mas nos alimentos ultraprocessados, embutidos, temperos prontos, caldos, molhos e outros produtos industrializados.
Outro ponto que merece atenção é o uso indiscriminado de dietas muito ricas em proteína. Hoje existe uma grande valorização desse tipo de alimentação, mas proteína não é "quanto mais, melhor".
A proteína também merece atenção, principalmente quando consumida em excesso e sem necessidade.
Dietas muito hiperproteicas, especialmente quando feitas por conta própria, não são adequadas para todas as pessoas e precisam ser avaliadas por um profissional capacitado de acordo com o contexto de cada indivíduo.
4- Na hora de comprar alimentos no supermercado quais cuidados é possível tomar?
Thamires Aniceto: Uma das coisas mais importantes é aprender a olhar além da frente da embalagem. Eu sempre oriento meus pacientes a olhar a lista de ingredientes. Uma regra prática é: quanto maior e mais complicada for essa lista, mais atenção aquele produto merece.
Quando encontramos muitos ingredientes, aditivos, aromatizantes, corantes e diferentes tipos de açúcar, estamos diante de um produto mais ultraprocessado.
Também vale observar a quantidade de sódio na tabela nutricional e comparar produtos semelhantes. E não se deixar levar apenas por palavras como "integral", "natural", "zero" ou "sem açúcar", porque elas não significam, sozinhas, que aquele alimento seja a melhor escolha.
Uma dica que gosto de dar é priorizar alimentos que conseguimos reconhecer de verdade: frutas, verduras, legumes, ovos, carnes e outros alimentos minimamente processados. E, quando for comprar um produto industrializado, parar alguns segundos para ler o rótulo, pode fazer muita diferença.
No supermercado, o primeiro cuidado é simples: vire a embalagem e leia a lista de ingredientes. Quanto mais extensa e cheia de nomes que você não reconhece, maior deve ser a sua atenção!
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.