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Conheça o Gin e sua peculiaridade aromática

10 set 2009 - 15h00
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O gin está entre aquelas bebidas que carrega um séquito de devotos por onde passa na mesma proporção que encara uma multidão de resistentes. É do tipo ame ou odeie. Enquanto é dispensável para alguns, para outros ele entra na categoria de insubstituível. É o caso do crítico de bebidas do The New York Times, Erik Azimov, que em uma de suas colunas escreve que "gin e vodka tem hierarquicamente em comum tanto quanto presidente e vice-presidente. A vodka pode ocupar o posto do gin de tempos em tempos e até mesmo receber as atenções do cerimonial quando em serviço, mas nos momentos importantes você precisa do titular". Talvez essa relação ambígua tenha a ver com sua origem e disseminação no mundo ocidental.

Detalhe da garrafa do London Dry Gin
Detalhe da garrafa do London Dry Gin
Foto: Carlos Alberto Barbosa / Especial para Terra
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Bob Emmons, em The book of gins and vodkas (Open Court, 2000), define gin como uma bebida destilada elaborado a partir de álcool etílico neutro (sem aroma ou sabor predominante) obtido da destilação de grãos ou melaço de beterraba, ao qual se pode adicionar ervas e frutas além de zimbro, desde que o aroma deste último predomine.

Ainda a nessa definição cabe uma subdivisão. Sediada na Inglaterra, a Vodka and Gin Association, aponta que os órgãos reguladores europeus dividem o gin em três tipos, todos com gradação mínima de 37,5% de álcool por volume uma vez engarrafado. Os três tipos de destilados são: Gin (genérico), Destilled Gin e London Gin.

As principais características que distinguem cada um dos tipos dizem respeito à: destilação ou não do álcool etílico que está na base da bebida; uso de substâncias que irão conferir aromas, sabores e aparência ao gin; procedimentos para adicionar tais substâncias.

O nome genérico gin se aplica a uma bebida cuja base é álcool etílico, sem a necessidade de passar por nova destilação. Sua flavorização, que confere aromas e sabores à bebida, pode ser realizada a partir da adição de material natural ou artificial. Também podem ser adicionados à bebida adoçantes e corantes.

A segunda categoria Destilled Gin, demanda uma destilação do álcool etílico misturado a flavorizantes naturais, tais como ervas e frutas. Outros flavorizantes, adoçantes e aditivos podem ser acrescidos ao final dessa destilação, incluindo corantes.

O London Gin, certamente o mais afamado e largamente comercializado, só pode ser elaborado a partir de álcool etílico de qualidade superior, que não exceda cinco por cento de metanol por volume. O álcool etílico deve ser destilado juntamente com flavorizantes naturais, que são os únicos aceitos nessa categoria. Nenhuma adição de corantes e flavorizantes é permitida no London Gin. A bebida resultante da destilação deve ter no mínimo 70% de álcool por volume. Uma pequena quantidade de substância adoçante pode ser acrescida à bebida, desde que não exceda meia grama por litro, ou seja, uma quantia praticamente imperceptível, que não altera o caráter seco do London Dry Gin.

História

O gin surge na Holanda em meados do século XVII. O seu local de nascimento acaba sendo estratégico para sua entrada no Reino Unido, onde se disseminou na primeira metade do século XVIII, quando Guilherme III, Príncipe de Orange, conquistou o trono inglês. A base de seu apoio político estava, entre outros, nos agricultores que produziam principalmente grãos, e viam o preço da saca despencar com o excesso de oferta do produto. Em busca de uma solução para fomentar o consumo de grãos e ampliar a margem de lucro dos produtores, o novo rei edita um ato para o encorajamento da produção de destilados a partir dessa matéria prima, a exemplo do que era produzido na sua Holanda natal. O ato autorizava qualquer cidadão britânico a produzir e comercializar bebida destilada a partir de grãos. A princípio a medida, do ponto de vista econômico, foi um sucesso. Porém, no médio prazo a consequência foi devastadora. O gin tornou-se tão barato e popular, que nos arredores decadentes de Londres, a cada cinco moradias, uma produzia e vendia gin. Isso fez com que a bebida criasse até uma rivalidade com a cerveja, conforme relata Iain Gately, em Drink ¿ a cultural history of alcohol (Gothan Books, 2008).

Como conseqüência do excesso de disponibilidade e consumo da bebida, houve significativo aumento da criminalidade e da necessidade de ampliação dos serviços de saúde. Foram necessários mais de cinco novos atos, outros tantos reis e quase três décadas para que aos poucos o consumo da bebida começasse a ceder. Esse descontrole garantiu a má fama do gin que, entre tantos outros apelidos, era conhecido também como kill me quick! (mate-me logo!). Sua má fama atravessou décadas, reis e rainhas, de debates e atos legislativos do parlamento Inglês, que entre taxas e idas e vindas nas dificuldades em se obter licenças para sua produção e comercialização foi aos poucos criando as condições para que a bebida fosse mais seletiva e de melhor qualidade.

Todavia foram necessários quase dois séculos desde seu surgimento na Inglaterra e outros tantos atos governamentais para recolocar o gin no panorama internacional e dar ares mais nobres à bebida. Dessa vez, porém, os atos viriam do outro lado do Atlântico. Quando a Lei Seca nos Estados Unidos da América (Prohibition), entre 1919 e 1933 fez com que americanos endinheirados atravessassem o mar em direção à Europa na busca de divertimentos regados a coquetéis. Era o cenário ideal para o renascimento do gin como base para diversos drinques. Entre eles o Martinez, já era consagrado desde o século XIX, que levava Old Tom, um gin adoçado. Posteriormente, por volta de 1930, o Martini então recolocaria de maneira definitiva o gin entre as bebidas de prestígio, sendo utilizado ainda em uma enorme variedade de coquetéis.

Fonte: Especial para Terra
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