Cerveja de maçã? Sabores diferentes colorem os bares da Alemanha
Já imaginou cerveja com gosto de pomelo? E cerveja de maracujá? Na Alemanha, parece que vale tudo pra variar um pouco as versões clássicas como Pilsner (que aqui no Brasil é a nossa conhecida Pilsen), Weiss (cerveja de trigo), Lager (cerveja mais amarga) e Schwarz (cerveja escura). Na hora de experimentar, as marcas lançam cervejas com os sabores mais inusitados. Se o público aprova, elas permanecem no mercado, caso não, nunca é tarde para procurar uma nova fruta ou alimento e transformar em suco de cevada.
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Não é à toa que a Alemanha é a terra da cerveja. Na Baviera, por exemplo, cerveja é considerada parte dos produtos da cesta básica por alguns habitantes. Na Universidade de Leipzig, a bebida é vendida no refeitório e nos cafés dentro de suas dependências. Ou seja, tudo dentro da lei. Ao andar de metrô nas grandes cidades do país, como Berlim e Hamburgo, é bastante comum ver alguém com uma garrafa na mão, tanto às 19h, como às 9h da manhã.
Cerveja também é um produto relativamente barato. Em alguns restaurantes, a bebida custa menos do que água, refrigerante ou sucos. Como ela parece estar literalmente em toda a parte, as pessoas começaram a improvisar: misturando cerveja com refrigerante de limão, invenção batizada de Radler, ou com cola, a Diesel. As misturas se popularizaram e hoje fazem parte do cardápio de praticamente todos os bares e restaurantes da Alemanha.
Do improviso, surgiu uma ideia em que as cervejarias resolveram investir: as Biermixe (cervejas misturadas, em alemão). Há cerca de dez anos, elas foram lançadas no mercado e novas receitas estão sempre aparecendo nas prateleiras dos supermercados. Com teor alcoólico mais baixo do que as cervejas normais (2,5%) e por serem normalmente mais doces, elas foram apelidadas de Mädchenbier (algo como cerveja de mulherzinha).
Oliver Kröck, 33 anos, é dono do Fela, um charmoso bar e restaurante na Karl-Liebknecht Str., uma das ruas mais populares de Leipzig. No ramo desde os 18 anos, Kröck conta que, apesar da fama, as cervejas de mulherzinha são consumidas por ambos os sexos.
"Normalmente, o consumo tende a ser maior pelas mulheres. Diria que fica entre 60% e 40%. Os homens tomam as misturas não apenas porque gostam, mas também quando não têm alternativa: como quando ainda precisam dirigir, já que o teor alcoólico é muito mais baixo", explica.
Ele também conta que, além das misturas industrializadas, as Radler e Diesel vendem bastante. E tem gente que também pede cerveja misturada com água mineral com gás. Ele, particularmente, não é um grande fã dessas invenções, preferindo uma clássica Lammsbräu.
Para atrair a curiosidade dos consumidores, os sabores são os mais variados: limão, laranja, maçã, menta, cereja. Sabores mais inusitados como banana e cappuccino já foram vistos, mas não vingaram. Até o Brasil entrou na dança dessas misturas: há a versão com guaraná (cerveja energética) e a com cachaça, chamada de Copa.
No verão, é comum ver os alemães se juntando para fazer churrasco em parques ou lagos. Como nem sempre é possível manter a cerveja gelada, muitos optam pelas versões misturadas, pois elas são mais leves e refrescantes e mais fáceis de beber, mesmo quando não estupidamente geladas.
Alguns brasileiros, ao se depararem com essas variações da paixão nacional, se perguntam: como essa moda ainda não pegou aqui? Fica então a dica para os empreendedores brasileiros: uma cervejinha de limão bem gelada pode ter tudo a ver com o verão e os dias quentes - que são maioria durante o ano e causam certa inveja pelo povo alemão.