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Sephora Tweens: crianças de 10 anos 'invadem’ loja de cosméticos; entenda

Fenômeno nasceu de trend do TikTok; psicólogas alertam para pressão estética

19 jan 2024 - 05h00
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Imagina entrar em uma loja de cosméticos e encontrar testadores sujos, líquidos vazando, embalagens “novas” sendo abertas e usadas... É isso que o fenômeno "Sephora Tweens” tem causado nas lojas da franquia de cosméticos Sephora.

Sephora tem franquias espalhadas por todo mundo, inclusive no Brasil
Sephora tem franquias espalhadas por todo mundo, inclusive no Brasil
Foto: AdrianHancu

A onda começou depois que influenciadoras começaram a promover vídeos de cuidados com a pele para crianças de 10/12 anos envolvendo produtos de grifes como a Drunk Elephant, Sol de Janeiro, Rare Beauty, marcas que são vendidas exclusivamente na Sephora.

Se no passado as crianças iam em grupos ao shopping para ver filmes no cinema, agora elas passaram a frequentar (também aos montes) as lojas da Sephora. Na internet é possível encontrar imagens dessas “invasões" feitas por clientes da franquia de cosméticos.

O problema, porém, não é apenas o fato dessas crianças estarem fazendo bagunça nas lojas da marca. Na opinião da psicóloga Vanessa Gebrim, esse movimento mostra como as mulheres sofrem com a pressão estética desde cedo.

@peytonxblack Gremlins I tell you…. GREMLINS #sephorakids #sephoragremlins ♬ Hoist the Colours - Bass Singers Version - Bobby Bass

"A televisão, a internet, as redes sociais e até mesmo a interação com outras crianças influenciam como desde novos entendemos o conceito de beleza; seguir padrões desde pequenos pode gerar problemas que repercutem até na fase adulta", argumenta a especialista.

@eumariadelgado Que caos!! Ficaram sabendo desse caso?? 😳 . . #fyp #sephora #10yearssephora #criancasnasephora #viral #casos #drunkelephant #sephorakids ♬ som original - maria delgado

Segundo a psicóloga Jacqueline Texeira, estar em contato com padrões estéticos inalcançáveis quando criança pode levar a graves problemas de autoestima, de baixa autoconfiança, distorção da imagem corporal e até mesmo desenvolvimento de transtornos alimentares.

Além disso, do ponto de vista dermatológico, alguns produtos e cosméticos que são vendidos na Sephora não devem ser usados por crianças, por conter ácidos e ingredientes agressivos. 

"Para conversar com suas filhas sobre isso, é importante adotar uma abordagem aberta e empática", avalisa Jacqueline. Ela dá algumas dicas de como começar esse diálogo. Veja:

  1. Promova uma comunicação aberta: Crie um ambiente seguro e acolhedor para que suas filhas se sintam à vontade para falar sobre suas preocupações e inseguranças em relação à aparência.
  2. Desconstrua os padrões de beleza: Explique que a beleza vem em diferentes formas, tamanhos e cores, e que não há um único padrão a ser seguido. Ajude-as a reconhecer a diversidade e a valorizar a individualidade.
  3. Enfatize habilidades e qualidades internas: Incentive suas filhas a valorizarem suas habilidades, talentos e características pessoais, em vez de se concentrarem apenas na aparência física.
  4. Ensine a mídia e a publicidade: Ajude-as a desenvolver um senso crítico em relação às mensagens de mídia e publicidade, explicando que muitas vezes essas imagens são manipuladas e não refletem a realidade.
  5. Promova uma imagem corporal positiva: Incentive um estilo de vida saudável, baseado em alimentação equilibrada, exercícios físicos e autocuidado, sem focar exclusivamente na aparência física.
  6. Seja um modelo positivo: Demonstre amor próprio e aceitação do seu próprio corpo, evitando fazer comentários negativos sobre sua aparência ou a de outras pessoas.

A psicóloga reforça que essas conversas devem ser contínuas e adaptadas à idade e ao desenvolvimento de cada criança. "O objetivo é ajudá-las a desenvolver uma relação saudável com sua aparência e valorizar sua autenticidade", finaliza.

Fonte: Redação Terra Você
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