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O que é a frenectomia lingual e por que ela influencia na amamentação?

Má formação no freio da língua pode trazer prejuízos ao aleitamento - para a mãe e para o bebê - e precisar de intervenção cirúrgica.

26 set 2021 14h02
| atualizado em 29/9/2021 às 11h14
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Dor, empedramento e lesões no mamilo podem acontecer durante o processo de amamentação, mas não podem ficar sem investigação. Com a ajuda de um especialista em aleitamento e o pediatra, é preciso descobrir as causas destes desconfortos, que podem ser bem variados.

bebe-chorando
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Foto: vichie81/ / Bebe.com

"Temos uma sensação dolorosa de assadura na primeira semana de vida do bebê, não mais do que isso. Então, se houver muita dor na amamentação, é necessário checar o que está acontecendo e uma das causas pode ser o freio da língua da criança", afirma Adriana Cátia Mazzoni, odontopediatra e membro do Grupo de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

A má formação do freio da língua do bebê, chamada de anquiloglossia, resulta na limitação dos movimentos que o órgão é capaz de fazer. A curto prazo, a condição pode afetar o processo de aleitamento do recém-nascido, mas no futuro a fala também poderá ser prejudicada.

"É quando o paciente possui um freio que segura a região anterior da língua, mas que deveria ser livre. Nesse caso, é realizada a cirurgia da frenectomia lingual, a fim de remover esse freio que nasceu de uma forma anormal, curto ou encurtado", explica a odontopediatra.

Entenda o que gera a má formação

O que acontece é que durante o processo de formação do bebê, ainda dentro do ventre da mãe, a língua se desenvolve grudada à mandíbula. À medida que a gravidez avança, o órgão passa se descolar desta região maxilar até que a sua movimentação fique totalmente livre. Em alguns bebês, no entanto, esse processo de separação da língua é incompleto e sobram algumas fibras que irão limitar a mobilidade da região: o famoso "freio curto".

A língua é, curiosamente, um dos órgãos mais fortes do nosso corpo, e se a sua formação estiver fora do padrão, a criança poderá sofrer com uma hipotrofia muscular e desbalancear o seu processo de alimentação. "Quando você tem uma limitação dessa movimentação por causa de uma fibra como o freio lingual, a musculatura acaba não se desenvolvendo de forma equilibrada. Não há desconforto ou dor para o bebê, mas ele pode, por exemplo, ter dificuldade de fazer uma amamentação adequada", completa Adriana.

Amamentação pode estar em risco! 

Por ter o freio da língua encurtado, o bebê não conseguirá fazer o movimento de retirada do leite de maneira correta. Em crianças com a formação dentro dos padrões, a língua terá a liberdade para pressionar a aréola da mãe contra o palato e, assim, permitir que o leite saia através do mamilo. Já em bebês que apresentam o freio curto, o movimento de ondulação executado pela linguinha vai apertar apenas o bico do mamilo e prejudicar todo o processo de amamentação.

"O leite se localiza na aréola da mãe, então, à medida que o bebê fica fazendo o movimento de extração na região do mamilo, ele pode machucar o local, além de tirar menos líquido. Quando isso acontece, o mamilo sai da boca do bebê de uma forma achatada ou com o formato de batom e a mãe acaba desenvolvendo fissuras ou mesmo traumas por conta desta inadequação", afirma a odontopediatra.

Agora você já sabe o motivo por trás daquelas mamadas que deixam o seu bebê irritado! Depois de tanto esforço para tirar o leite e não conseguir, a criança pode se cansar e entrar em um estado de ansiedade e até ter problemas de ganho de peso.

Se não bastasse tudo isso, a incapacidade da língua do bebê de promover um movimento de sucção adequado permite que bolhas de ar sejam ingeridas em conjunto com o leite. Tudo que entra precisa sair, não é mesmo? Sendo assim, a criança que não consegue fazer o aleitamento correto também sofrerá mais com gases, arrotos e até regurgito.

"Durante a mamada com a posição inadequada, a língua, muitas vezes, faz estalinhos quando escapa ou descola do peito: é nesse momento que tem muita entrada de ar. Um bebê que mama adequadamente fecha a boca de modo hermético no peito, então, não tem esse problema", explica Adriana.

Ok, mas será que o bebê precisa passar pela cirurgia?

Os sinais são variados, mamãe! Veja alguns sinais que podem aparecer durante a amamentação e que, combinados, indicam que o bebê possui o freio curto:

  • a mãe sente dores fortes na amamentação;
  • mamas com fissuras e inflamadas;
  • empedramento do leite;
  • excesso de gases do bebê;
  • regurgito;
  • arrotos excessivos;
  • bebê com dificuldade em ganhar peso.

Por isso também, a importância do teste da linguinha, avaliação da funcionalidade da língua do bebê. Se não examinada, a má formação, com certeza, trará consequências em períodos importantes do desenvolvimento da criança.

"Uma língua mal desenvolvida não permite que as arcadas dentárias se formem adequadamente, limita o crescimento da mandíbula e durante a introdução alimentar o bebe poderá engasgar bastante. E, no futuro, poderá prejudicar a fala, que precisa desta parte anterior livre", relata Adriana. Portanto, diante deste cenário e com a orientação e indicação do pediatra, é hora de considerar a realização da cirurgia da frenectomia.

Calma, a cirurgia é simples!

O procedimento da frenectomia é simples: "É feita a remoção do freio que está segurando a língua. Na verdade, é retirado apenas a fibra do freio que está impedindo que ela fique livre na movimentação", explica a especialista.

A cirurgia é geralmente realizada em consultório odontológico e a recuperação do bebê é rápida. Logo após a finalização do procedimento ele já poderá iniciar a adaptação para o aleitamento com acompanhamento do médico. Na maioria dos casos, o pediatra é o profissional ideal para avaliar a mamada ou se há alguma limitação nos movimentos, mas a observação também pode ser feita através de um fonoaudiólogo.

É indicado que a cirurgia seja realizada logo nos primeiros meses de vida da criança, já que em idades maiores o procedimento poderá exigir a aplicação de anestesia e uma recuperação com o período mais longo.

Já o corte pode ser feito de formas variadas e isso vai depender do cirurgião que for realizar o procedimento: laser, tesoura ou bisturi. Os métodos tendem a ser o menos invasivo possível para que o bebê se adapte à nova condição de forma rápida e segura.

"A técnica cirúrgica depende da habilidade do profissional que vai atender o bebê em remover todas as fibras do freio para que a língua realmente fique livre e que a gente possa depois fazer uma nova adequação da pega", finaliza a odontopediatra.

Bebe.com
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