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Bebês vacinados por engano contra covid acendem alerta

Após dois casos de imunização infantil incorreta, especialistas explicam sobre as reações imediatas e tardias que a vacinação pode ocasionar

7 dez 2021 15h48
| atualizado às 16h27
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Recém-nascido-no-hospital
Recém-nascido-no-hospital
Foto: Cultura RM Exclusive/Wonwoo Lee/Getty Images / Bebe.com

Recentemente, Sorocaba, cidade do interior de São Paulo, foi cenário de dois casos preocupantes relacionados ao coronavírus. Uma menina de dois meses e um menino de quatro foram ao mesmo posto de saúde para a atualizar a carteirinha de vacinação com a pentavalente (responsável pela prevenção contra tétano, hepatite B, coqueluche, difteria e meningite) só que, por engano, acabaram imunizados contra a Covid-19.

Diante do equívoco, a Secretaria de Saúde da cidade entrou em contato com o Ministério da Saúde, com o Centro de Vigilância Epidemiológica do estado e também com a Pfizer. A conclusão foi de que as duas crianças vacinadas fossem levadas ao Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) para serem monitoradas por dez a 15 dias, já que apresentaram reações como febre alta, vômito e dor.

"Outros casos semelhantes a estes infelizmente ocorreram, porém, as crianças evoluíram bem. Estas falhas são chamadas de 'erros de Imunização'", explica Ana Karolina Marinho, membro do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI). No entanto, ainda que situações anteriores tenham tido desfechos positivos, o pediatra Paulo Telles, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), enfatiza que a internação é uma medida de prevenção necessária, principalmente porque ainda não há estudos de bebês dentro dessa faixa etária que tenham recebido o imunizante.

 

Os perigos da vacinação incorreta

 

Inicialmente, Ana Karolina esclarece que os sinais apresentados pelo público infantil são similares ao que é observado entre os adultos após a imunização. "São eventos adversos esperados para as vacinas e encontrados na bula do fabricante. Alguns deles estão relacionados ao estímulo natural do sistema imunológico pelas vacinas e são autolimitados", pontua.

Já para alergista e imunologista Brianna Nicoletti, o acontecimento é preocupante e para entender sua gravidade, ela cita o exemplo da vacina da gripe. Ela é produzida por meio de uma técnica parecida com a do coronavírus e só é recomendada a partir dos seis meses de idade.

"Logo, o que dá para entender é que, muito provavelmente, a imunização contra a Covid-19 não vai acontecer para crianças abaixo dos seis meses, o que significa que foi um erro muito sério", defende a médica.

Paulo segue a mesma opinião de Brianna. "Ao aplicar uma vacina que não foi testada em bebês e sem uma dose não prevista para a faixa etária, corremos risco de uma reposta inflamatória mais intensa e possíveis efeitos colaterais secundários", esclarece o pediatra.

 

 

 

 

Em caso de erro, monitoramento médico é essencial!


Ainda segundo a imunologista, reações imediatas mais importantes como febre alta, vômito e dor podem promover risco de desidratação e inflamação mais generalizada. "O que, eventualmente, pode fazer com que estas crianças possam vir a precisar de um suporte diante desse processo inflamatório proporcionado pela vacina que elas não estavam preparadas imunologicamente para receber", pontua a especialista.

A alergista também teme pelas reações tardias autoimunes mais sérias, que apareceriam exatamente pela sobrecarga do sistema imunológico, como é o caso da púrpura, miocardite, e Guillain-Barré. Entretanto, os três especialistas concordam que é cedo para tentar traçar reais consequências em decorrência da vacinação errada, já que não há nenhuma publicação que estudou como este público se comporta diante da imunização.

"Em uma situação como esta em que ainda não sabemos o que esperar de efeitos, temos que deixar os bebês monitorizados com controle da frequência e ritmo cardíaco, padrão respiratório, temperatura, eliminações e balanço hídrico. Mas muito importante dizer que a imunização não necessariamente causará problemas graves e talvez até deixe os bebês protegidos contra a Covid-19", finaliza Paulo.

Para os pais que têm dúvidas sobre a imunização incorreta diante de outras vacinas previstas no calendário infantil, a situação varia se o equívoco foi para um intervalo maior ou menor do indicado na bula. "Podemos ter efeitos colaterais mais intensos ou falha na resposta imunológica vacinal, deixando a criança sem proteção à doença. No entanto, muitas vezes, não causará problema nenhum", pontua Paulo.

Esta circunstância pode ser facilmente evitada com cuidados básicos na hora da vacinação. Quando o profissional da saúde mostrar o rótulo do imunizante antes de aplicá-lo no bebê, atente-se ao nome da vacina e não tenha vergonha de perguntar caso surja alguma dúvida.

 

 

 

Bebe.com
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