Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Cosméticos com cheiro e cara de doce: a estratégia de marketing que virou válvula de escape

De maquiagens inspiradas em sobremesas a embalagens com apelo sensorial, marcas transformam rituais de autocuidado em mimos e pequenas indulgências

13 ago 2026 - 08h22
Compartilhar
Exibir comentários

Milkshakes, chantilly, brigadeiro, torta de limão e glazed donuts. Basta rolar o feed das redes sociais para perceber que os cosméticos do mercado de beleza estão cada vez mais parecidos com a vitrine de uma confeitaria sofisticada.

Entenda por que produtos de beleza com cheiro, textura e embalagens de sobremesas viraram febre, a estratégia e a relação com o corpo e mente
Entenda por que produtos de beleza com cheiro, textura e embalagens de sobremesas viraram febre, a estratégia e a relação com o corpo e mente
Foto: nndanko/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos

Vídeos destacando texturas aveludadas, fragrâncias açucaradas e embalagens "apetitosas" viralizam diariamente. No entanto, mais do que uma escolha estética passageira, essa tendência revela uma mudança profunda na forma como consumimos cosméticos. O produto deixa de vender apenas ativos tecnológicos e passa a oferecer uma experiência sensorial e lúdica.

A estratégia do "mimo" e do luxo acessível com cosméticos

Na opinião dos especialistas entrevistados pela revista 'Elle', o uso de doces nas campanhas visuais — consagrado por marcas globais como a Rhode, de Hailey Bieber — ativa gatilhos emocionais de desejo e recompensa.

  • Conexão com a infância: A associação entre doces e merecimento nasce cedo. O cosmético saboroso funciona como o "docinho" após um dia cansativo.

  • Luxo acessível: Desde o século XIX, a delicadeza dos doces é usada pela publicidade para vender um estilo de vida sofisticado por um preço viável.

  • Experiência sensorial: Textura, aroma e embalagem transformam a rotina de cuidados em um pequeno ritual de prazer pessoal.

Nesse sentido, ao posicionar um hidratante em cenários açucarados, as marcas transformam a compra. O produto deixa de ser visto como um gasto fútil e ganha o status de um merecido presente.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por ELLE Brasil (@ellebrasil)

A contradição: indulgência sem calorias na era do hipercontrole

Por outro lado, pesquisadores e críticos de cultura apontam uma forte tensão por trás desse fenômeno. O boom dos produtos com aroma de sobremesa coincide com uma era de hipercontrole do corpo, impulsionada por dietas ultrarrestritivas e pelo uso crescente de medicamentos para perda de peso.

Para a pesquisadora Iza Dezon, em um contexto de privação alimentar, os cosméticos doces funcionam como uma válvula de escape psicológica. "Existe um interesse por esses cheiros e gostos como oportunidade de sentir indulgência sem necessariamente transformar isso em alimentação", disse à revista.

A crítica de beleza Jessica DeFino, por sua vez, reforçou, ao site 'Beauty Matter', esse olhar provocativo, destacando que produtos com temática de comida oferecem uma forma alternativa de consumir o prazer do doce sem quebrar os padrões estéticos impostos pela sociedade.

Em suma, a tendência das sobremesas na beleza prova que um simples gloss de chocolate vai muito além da maquiagem: é uma ferramenta sofisticada de marketing que conversa diretamente com os nossos desejos, memórias e contradições culturais.

Bons Fluidos
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra