Corrida: o erro na passada que causa dor e cansaço
Quer evoluir na corrida, mas sente dores constantes? O problema pode estar na sua técnica; saiba como corrigir
Você já terminou um treino de corrida curto sentindo-se desproporcionalmente exausto? Ou convive com dores crônicas nos joelhos e na lombar que insistem em aparecer quilômetro após quilômetro?
Muitos corredores culpam o tênis, o peso corporal ou a falta de fôlego. Mas, na grande maioria dos casos, o obstáculo para uma execução perfeita é um detalhe automático: a forma como o seu pé toca o solo.
Existe um erro bastante comum na biomecânica da corrida que transforma o exercício em uma sucessão de "pancadas". Estamos falando do Overstriding (passada excessiva).
O detalhe que faz diferença na corrida
Para entender o erro, precisamos visualizar a mecânica ideal da corrida.
Imagine uma linha vertical desenhada do seu quadril até o chão. Essa é a sua linha de Centro de Gravidade.
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Na corrida eficiente: O pé deve aterrissar alinhado ou muito próximo dessa linha, "embaixo" do corpo. Isso garante que a energia seja usada para impulsionar você para a frente.
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O erro comum: O corredor lança o pé muito à frente do corpo (20 ou 30 cm) antes de tocar o solo, geralmente com o joelho travado.
Pode parecer um detalhe técnico irrelevante, mas na corrida, a física é implacável. Ao pisar muito à frente, você gera uma força de frenagem. É como se, a cada passo, você puxasse o freio de mão.
Por que esse erro cansa mais?
A sensação de "bateria acabando" na metade do treino muitas vezes não é falta de condicionamento cardiovascular, mas sim ineficiência mecânica.
Quando você comete esse erro de passada, a sua corrida se torna uma luta contra a física:
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Efeito de frenagem: Como o pé toca o chão à frente do corpo, ele gera uma força contrária ao movimento. Seus músculos precisam trabalhar o dobro: primeiro para vencer essa frenagem, depois para empurrar o corpo. Isso drena a energia que você precisaria para manter o ritmo na corrida.
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Oscilação vertical: Corredores com passada muito longa tendem a saltar muito para cima (movimento vertical) em vez de fluir para a frente. Você gasta energia "pulando" em vez de avançar.
Como a dor começa
Se o cansaço é ruim, a lesão é o pesadelo de quem ama a corrida. A técnica incorreta é a principal vilã por trás das patologias mais famosas do esporte.
Ao aterrissar com o pé muito à frente (geralmente com o joelho esticado), a articulação perde sua capacidade natural de amortecimento. Sem essa "mola", a onda de choque da passada viaja livremente pelo esqueleto:
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Canela: A vibração causa inflamação no periósteo (a temida Canelite).
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Joelho: Sofre compressão excessiva, gerando a "Síndrome do Corredor".
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Lombar: O impacto reverbera na coluna, causando dores nas costas pós-treino.
Basicamente, insistir nesse erro é como dirigir um carro em uma estrada esburacada sem amortecedores: a estrutura do veículo (seu corpo) vai quebrar, e sua vida útil na corrida será curta.
Sinais de alerta na corrida
Como saber se você está correndo errado? O corpo dá sinais claros. Preste atenção nestes indícios durante o seu próximo treino:
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Barulho excessivo: Sua passada é barulhenta? Se você ouve um "PLAP, PLAP" alto a cada passo, está batendo o pé com força excessiva. A corrida eficiente deve ser silenciosa.
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Cadência baixa: Você dá poucos passos por minuto? Passadas muito longas resultam em uma frequência baixa (geralmente abaixo de 160 passos/min).
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Desgaste do tênis: Verifique a sola do seu tênis de corrida. Um calcanhar excessivamente gasto indica que você está "entrando" com o pé muito à frente.
Ajustes simples na passada
A boa notícia é que corrigir a passada e melhorar sua corrida não exige meses de adaptação. Com consciência corporal, você sente a diferença na hora.
O segredo não é "pensar em como pisar", mas sim mudar o ritmo.
1. Aumente a cadência
Esta é a regra de ouro da corrida eficiente. Se você encurtar a passada e der mais passos por minuto, é fisicamente impossível pisar muito à frente.
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Dica: Tente correr como se o chão estivesse quente (pisadas rápidas e curtas). O ideal é buscar algo próximo de 170 a 180 passos por minuto.
2. Incline o corpo levemente
Muitos praticantes de corrida correm com o tronco muito ereto.
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Dica: Incline-se levemente para a frente a partir dos tornozelos (não dobre a cintura). A gravidade ajuda a levar o corpo à frente, fazendo com que o pé pouse naturalmente na posição correta.
3. Busque o silêncio
Tente transformar sua corrida em um movimento "ninja". O objetivo é fazer o mínimo de barulho possível ao tocar o solo.
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Dica: Ao focar no silêncio, seu corpo instintivamente ajusta a aterrissagem para absorver o impacto, corrigindo a técnica automaticamente.
Conclusão
Ter uma vida longa na corrida não é sobre fazer mais força, é sobre desperdiçar menos energia. Ao corrigir esse detalhe técnico, você tira o "freio de mão" do seu desempenho.
No início, a passada mais curta pode parecer estranha, mas insista. Em poucas semanas, suas dores diminuirão e você perceberá que sua passada se tornou mais prazerosa, rápida e constante. Escute seu corpo e corra com inteligência.
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