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vc repórter: swingers trocam baladas por festas particulares

1 jun 2009 - 20h45
(atualizado às 21h06)
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A fachada é simples: apenas uma porta grande de madeira, sem nenhum logo. Na calçada, ouvem-se ecos de uma música dance dos anos 90. Quem passa em frente pode achar que se trate de alguma balada saudosista, mas a localização dá a dica: Moema, bairro conhecido por suas ruas com nomes de pássaros e tribos indígenas. E um dos pontos do swing em São Paulo.

Swingers, landing + interna
Swingers, landing + interna
Foto: Getty Images

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Essas baladas, ao lado de encontros pela internet e festinhas privadas, são opções para a troca de casais - ou swing, simplesmente. Os adeptos da prática buscam, nesses lugares, o prazer na mudança da rotina e nas fantasias sexuais.

Aos que questionam sobre o destino do casal numa noite de sábado, a resposta campeã é "vamos sair para jantar com uns amigos". Explicar direitinho como é esse jantar pode causar constrangimento. Embora a prática esteja difundida, muitas pessoas ainda ligam swing com promiscuidade, o que os swingers - como são chamados entre si - discordam: "Temos isso como estilo de vida, para ser levado com cumplicidade e responsabilidade", diz Cláudia*, 42, casada com Rick*, 44, há um ano.

O casal tem cinco filhos (de idades entre 7 e 25 anos) de relacionamentos anteriores e, até hoje, só contou para alguns amigos e dois familiares sobre a preferência. Cláudia diz que ela e o atual marido conheceram as casas de swing por intermédio de uma amiga. "Ao contrário do que a maioria imagina, não tem sexo à vontade. É uma balada normal, onde pessoas com os mesmos objetivos se encontram", diz.

Nas primeiras horas da madrugada, a casa está praticamente cheia. O público não obedece a um padrão: um jovem aceita dançar com uma stripper na pista, enquanto um senhor, apoiando-se na bengala, vai ao bar para mais uma bebida. "A faixa etária do nosso público varia dos 19 aos 60 anos, conforme o dia da semana e a temática da festa", explica Renato Aguiar, responsável pela Nefertitti, uma das casas mais famosas de São Paulo, localizada no Brooklin.

Há cabines privativas e coletivas, com sofás, ventiladores e porta-papel para a higiene. As privativas remetem a um confessionário, com direito à tela que dificulta a visão do padre, permitindo a quem estiver passeando pelo corredor dar uma espiadinha. Para os que gostam de platéia, é só manter a cortina aberta.

Um casal passa pelo corredor, hesita um instante e vai observar uma dessas cabines. Mãos dadas, um par de alianças lustrosas e um sorriso de satisfação nos rostos.

Um labirinto, com corredores escuros e saídas falsas, é o lugar mais concorrido da noite. É praticamente impossível reconhecer de quem e de onde vêm os sussurros. Alguém solta: "se vocês se perderem, guiem-se pelos espelhos. Quando encontrar um, estarão no caminho certo". Dica preciosa anotada. Mais que espelhos, o labirinto tem diversas cabines com "glory holes", buracos por onde se pode tatear uma pessoa - dentro ou fora da cabine - sem sequer um contato visual.

No claro

Dentro de uma das casas temáticas, em São Paulo, um casal chama atenção por serem os mais jovens. Felipe* e Tatiana*, com 20 e 22 anos, respectivamente, são apenas amigos e formam um casal falso. "Estamos juntos somente para eu pagar menos", confessa o rapaz. Dependendo da casa, o preço cobrado para homens desacompanhados chega a mais de R$ 200. Para o casal, o valor geralmente cai pela metade. Muitas vezes, mulheres entram na faixa.

Após a primeira volta no lugar, Felipe se empolga: "É uma balada mais refinada. Caso role, dá para ir para um local mais reservado, sem temer a represália do segurança por atentado ao pudor", comenta com sorriso no canto da boca.

Segundo os próprios swingers, as casas já não são mais a primeira opção procurada pelos casais. Embora haja estabelecimentos com maior controle (muitas vezes com o preenchimento de um questionário logo na entrada), justamente para impedir a participação de outro tipo de público, os veteranos preferem festas particulares, marcadas em fóruns e comunidades da internet.

Cláudia explica: "Swing, até um ano atrás, era uma brincadeira séria e seletiva, era um pouco mais seguro e fechado. Hoje, está ficando banalizado, as casas popularizaram os preços. É bem comum encontrarmos casais quase adolescentes, o que achamos um grande absurdo. As noites continuam lotadas, mas de um público que não tem nada a ver, geralmente homens solteiros a procura de sexo fácil e descompromissado", diz.

Há casais que não gostam muito do clima de profundo breu e do número de ofertas de curiosos das casas. Prestes a comemorar trinta anos de casados (seis de swing), Antonio* e Helena* usam a internet para encontrar parceiros. Evitam as casas pelo grande número de voyeurs (os que gostam de observar) e também por serem, como eles mesmos se definem, "chatos" no processo de seleção. "Sou liberal, mas não saio com qualquer um. Muito menos faço algo no escuro", conta Helena, 48. O casal, que tem quatro filhos maiores de 20 anos, possui uma estratégia para seleção. "Geralmente nós conversamos pela internet. Se fluir, marcamos um encontro num barzinho. Rolando química, pulamos para o motel", explica Antonio, 51.

Um bar também foi a opção para o primeiro encontro de Marcos*, 52, e Alice*, 53, com um casal. Na época, com dez anos de casados, sofreram "ressaca moral" após a experiência inédita. "Foi uma mistura de culpa e tesão. Mesmo tendo sido prazeroso, você se pergunta: 'Como gostei disso? Que loucura!', depois você vai se questionando e aceitando, até ver que não há nenhum crime nisso", relembra Alice.

* Todos os nomes são fictícios a pedido dos entrevistados.

O internauta Tiago Dias, de São Paulo (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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