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Para além do bebê: por que olhar para a saúde mental da mãe?

Saúde mental materna: por que cuidar da mulher também faz parte do cuidado com o bebê

5 ago 2026 - 16h40
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Resumo
A chegada de um bebê traz mudanças profundas, especialmente para as mães, que enfrentam transformações físicas, emocionais e sociais. Segundo a Dra. Bianca Bolonhezi, é essencial priorizar a saúde mental materna durante a gestação e o pós-parto. Alterações como baby blues são comuns, mas sinais de sofrimento mais intensos requerem atenção para garantir o bem-estar da família. 👩‍🍼

Mudanças emocionais fazem parte de uma das fases mais intensas da vida. Para a psiquiatra Dra. Bianca Bolonhezi, olhar para a mãe é essencial para a saúde mental pós-parto

Quando um bebê nasce, uma família inteira passa por transformações. A chegada de uma nova vida envolve preparação, descobertas, expectativas e uma rotina que muda completamente. Mas, enquanto todos os olhares costumam se voltar para o bebê, existe uma pessoa atravessando uma das maiores mudanças da própria história: a mãe.

Foto: Freepik / Revista Malu

A saúde mental materna tem ganhado cada vez mais atenção justamente por reconhecer que a gestação, o parto e o pós-parto são períodos de profundas alterações físicas, hormonais, emocionais e sociais.

Segundo a psiquiatra Dra. Bianca Bolonhezi, do Instituto Macabi, cuidar da saúde da mulher nesse período é tão importante quanto acompanhar o desenvolvimento do bebê.

"A maternidade é uma experiência transformadora, mas também pode ser um período de grande vulnerabilidade emocional. A mulher está passando por mudanças no corpo, na identidade, na rotina e nas relações. Por isso, ela também precisa ser acolhida e acompanhada", explica.

A importância de dar atenção á saúde mental pós-parto

Entre as alterações emocionais mais conhecidas está o chamado baby blues, que pode acometer muitas mulheres nos primeiros dias após o parto. Caracterizado por maior sensibilidade, oscilações de humor, choro fácil e sensação de fragilidade emocional, ele costuma estar relacionado às mudanças hormonais e à adaptação a uma nova realidade.

Apesar de ser frequente, é importante diferenciar essas alterações esperadas de sinais que indicam a necessidade de acompanhamento profissional.

"Nem todo sofrimento emocional no pós-parto deve ser minimizado ou atribuído apenas aos hormônios. Tristeza intensa, ansiedade persistente, sensação de incapacidade, culpa excessiva ou dificuldade de se conectar com o bebê são sinais que merecem atenção", destaca Dra. Bianca.

Estudos na área de saúde mental perinatal mostram que alterações emocionais podem surgir ainda durante a gestação e permanecer após o nascimento do bebê. Por isso, o cuidado não deve começar apenas depois do parto, mas acompanhar toda essa jornada.

"A depressão perinatal, por exemplo, pode ter início ainda na gravidez. Isso reforça a importância de um olhar atento durante todo o período gestacional, identificando sinais precocemente e oferecendo suporte quando necessário", afirma a médica.

Para a especialista, cuidar da mãe não significa diminuir a importância do bebê, mas ampliar o olhar para toda a família.

"O nascimento de um filho transforma a vida de todos ao redor, mas transforma profundamente a mulher. Quando cuidamos da saúde mental materna, estamos também cuidando do vínculo, da família e do desenvolvimento saudável dessa nova fase", finaliza Dra. Bianca Bolonhezi.

Revista Malu Revista Malu
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