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Japão aprova tratamento com células-tronco para Parkinson; saiba como funciona

Primeiro tratamento com células iPS busca regenerar neurônios e pode mudar o futuro de doenças neurodegenerativas

26 mar 2026 - 10h33
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Um avanço científico que parecia distante começa a se tornar realidade. O Japão aprovou o primeiro tratamento do mundo baseado em células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) para a doença de Parkinson - uma decisão que pode transformar a forma como a medicina encara doenças neurodegenerativas.

Japão aprova terapia inovadora com células
Japão aprova terapia inovadora com células
Foto: tronco para Parkinson e insuficiência cardíaca; entenda como funciona e seus benefícios - Reprodução: Canva/pixelshot / Bons Fluidos

A terapia, chamada Amchepry, foi desenvolvida pela farmacêutica Sumitomo Pharma e tem como proposta atuar diretamente na causa da doença: a perda de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos.

Além disso, o país também autorizou uma segunda inovação, voltada para pacientes com insuficiência cardíaca grave, reforçando o avanço da chamada medicina regenerativa - aquela que busca reparar tecidos danificados do próprio corpo.

O que muda com o novo tratamento

Diferentemente das abordagens tradicionais, que focam no controle dos sintomas, a nova terapia aposta em uma estratégia mais profunda: substituir células que perderam-se ao longo da doença.

No Parkinson, o cérebro sofre uma degeneração progressiva de neurônios produtores de dopamina. Isso leva a sinais conhecidos, como tremores, rigidez muscular e lentidão nos movimentos. A proposta do tratamento é justamente reverter esse processo.

Para isso, utilizam-se células especiais, criadas em laboratório a partir de células adultas (como as da pele) que passam por um processo de "reprogramação" e voltam a um estado mais jovem, semelhante ao das células embrionárias.

Essas células, chamadas de iPS, podem transformar-se em diferentes tipos de tecidos. No caso do Parkinson, elas são direcionadas para se tornarem precursoras de neurônios dopaminérgicos, que depois são implantados no cérebro do paciente.

Uma tecnologia que rendeu Nobel

A técnica por trás dessas células foi desenvolvida pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2012 por essa descoberta. Desde então, a tecnologia vem sendo estudada como uma das mais promissoras da medicina moderna, justamente por permitir a regeneração de tecidos - algo que, até pouco tempo, parecia impossível.

Resultados iniciais animadores

Antes da aprovação, a terapia passou por testes clínicos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Kyoto. O estudo envolveu sete pacientes, com idades entre 50 e 69 anos, que receberam o transplante de milhões de células no cérebro.

Os resultados indicaram que o procedimento foi seguro e apresentou sinais de melhora em alguns sintomas, o que abriu caminho para a autorização - ainda que de forma condicional, com necessidade de acompanhamento contínuo.

Outra inovação: tratamento para o coração

Além do avanço no Parkinson, o Japão também autorizou o uso do ReHeart, uma terapia desenvolvida pela empresa Cuorips para tratar insuficiência cardíaca grave. Nesse caso, a tecnologia utiliza "lâminas" de músculo cardíaco cultivadas em laboratório, que são aplicadas diretamente no coração. O objetivo é estimular a formação de novos vasos sanguíneos e melhorar a função cardíaca.

Esperança para milhões de pessoas

A doença de Parkinson afeta cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo e, até hoje, não possui cura. Os tratamentos disponíveis ajudam a controlar os sintomas, mas não conseguem recuperar as células perdidas. Por isso, terapias baseadas em regeneração celular têm despertado tanto interesse. Elas apontam para um futuro em que será possível não apenas aliviar, mas também reconstruir funções do corpo.

A aprovação desses tratamentos marca um passo importante em uma área que ainda está em desenvolvimento, mas que já começa a mostrar seu potencial. Ainda será necessário acompanhar os resultados a longo prazo e ampliar os estudos, mas o caminho está aberto.

Mais do que uma novidade tecnológica, esse avanço traz algo essencial para quem convive com doenças crônicas: a possibilidade real de mudança. E, em um cenário onde tantas condições ainda não têm cura, isso, por si só, já representa um novo tipo de esperança.

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