BA.3.2: Tudo o que você precisa saber sobre a nova variante da Covid
A cepa, identificada pela primeira vez em 2024, na África, já registra casos em ao menos 23 países, incluindo territórios europeus e norte-americanos
A nova variante da Covid, chamada de BA.3.2, já foi detectada em cerca de 23 países. Segundo informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, a cepa atingiu territórios norte-americanos, asiáticos e europeus, onde as ocorrências aumentaram entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. No entanto, até o momento, nenhum caso foi registrado no Brasil.
O que já se sabe sobre a variante de Covid?
Identificada pela primeira vez em novembro de 2024, na África, a BA.3.2 descende da Ômicron, variante que surgiu em 2021 e se tornou alvo de preocupação pela alta taxa de transmissão, o que ocorre devido número significativo de mutações (cerca de 50) na proteína spike, responsável por facilitar a ligação às células humanas. A nova cepa também acende alerta, pois apresenta entre 70 e 75 alterações na estrutura.
De acordo com a professor de medicina na Universidade de Virgínia (EUA), Kyle B. Enfield, essa quantidade não significa maior risco de casos severos ou até letalidade. Em uma análise de dezembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também apontou "não há estudos clínicos ou epidemiológicos publicados indicando que BA.3.2 esteja associada a maior gravidade da doença em comparação com outros descendentes (da Ômicron) em circulação".
Entretanto, conforme ressaltou Enfield, a disseminação do vírus tende a ser mais rápida. Isso porque as mutações dificultam o seu reconhecimento pelo sistema imunológico, o que facilita a transmissão e leva ao aumento de casos. Nesse cenário, o especialista ressaltou ainda que a vacina atual contra a Covid-19 pode não ser tão eficaz.
"Os imunizantes foram desenvolvidos para proteger contra cepas da linhagem JN.1, predominantes nos EUA desde janeiro de 2024. A BA.3.2, contudo, difere o suficiente dessas cepas para reduzir a capacidade de reconhecimento inicial pelo organismo. Isso não significa que é necessário evitar a vacinação. Um amplo conjunto de evidências mostra que reduzem hospitalizações e mortes por Covid-19", explicou em um artigo publicado no 'The Conversation'.
Dicas de proteção contra a variante
A vacinação é importante especialmente para pessoas com condições crônicas, mais suscetíveis a formas graves da doença. Além disso, Enfield recomenda adotar cuidados para reduzir o risco de infecção e transmissão, como lavar as mãos após usar o banheiro, antes de manipular alimentos e após o contato com pessoas doentes. "A prática diminui o risco de infecções respiratórias em 16% a 21%", destacou.
O especialista também indica o isolamento ao apresentar sintomas como dor de garganta, tosse, congestão nasal, fadiga, dor de cabeça e febre. Outros sinais incluem náusea e diarreia. Ademais, deve-se priorizar ambientes ventilados e buscar orientação profissional em caso de suspeita do diagnóstico. A recomendação vale especialmente para gestantes, pessoas com comorbidades ou acima de 60 anos.