Como funciona a canonização na Igreja Católica? Entenda!
Entenda como funciona o processo de canonização na Igreja Católica, os cinco passos para alguém se tornar santo e o papel dos milagres nessa jornada
No último domingo (7), o mundo acompanhou a canonização de Carlo Acutis, conhecido como o primeiro santo millenial, e de Pier Giorgio Frassati. A veneração de santos é uma prática que atravessa séculos na Igreja Católica. É uma forma de homenagear fiéis considerados exemplos de virtude e devoção, cujas histórias inspiram gerações. Alguns foram discípulos de Jesus; outros, mais recentes, como Madre Teresa, se tornaram referências pela fé e pelas obras realizadas em vida.
Mas afinal, reconhece-se alguém como santo? O processo, conhecido como canonização, segue critérios específicos que foram formalizados em 1234, quando a Igreja estabeleceu um procedimento oficial para identificar os candidatos à santidade. Antes disso, a aclamação popular era o principal critério, o que torna impossível saber o número exato de santos reconhecidos. Desde a padronização, estima-se que a canonização ocorreu com cerca de 3.000 pela Igreja Católica.
Quem pode se tornar santo?
Em teoria, qualquer pessoa pode ser declarada santa. O requisito inicial é que tenha falecido, geralmente há pelo menos cinco anos. Esse intervalo busca garantir a isenção do processo, mas pode reduzir-se em casos excepcionais - como o de Madre Teresa, que se tornou elegível apenas dois anos após sua morte. A canonização segue cinco etapas principais, que envolvem investigações rigorosas, reconhecimento de virtudes, análise de milagres e, por fim, um decreto formal do Papa.
Passo 1: Estar morto
A jornada rumo à santidade começa após a morte do candidato. Embora a regra geral seja aguardar cinco anos, não existe limite máximo de tempo. O monge São Beda, por exemplo, morreu em 735, mas só foi canonizado em 1899, mais de mil anos depois.
Passo 2: Servo de Deus
Inicialmente, o processo ocorre em nível diocesano. O bispo local reúne documentos, depoimentos e relatos sobre a vida da pessoa e encaminha ao Vaticano. Se comprovado que o candidato viveu em santidade, pureza e devoção, recebe o título de "Servo de Deus".
Passo 3: Virtudes heroicas
Em seguida, o processo vai para a Congregação para as Causas dos Santos, que inclui cardeais, bispos e teólogos. Para avançar, o candidato precisa ter vivido as quatro virtudes cardeais - prudência, justiça, temperança e coragem - além das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Quando reconhece-se essas qualidades de maneira exemplar, a pessoa torna-se "Venerável".
Passo 4: Beatificação
A beatificação acontece quando atribui-se um milagre à intercessão do candidato após sua morte. Esses milagres passam por investigações detalhadas do Vaticano. Quando confirmados, a pessoa torna-se "Beato". Entre os milagres mais relatados estão:
- Curas inexplicáveis confirmadas por médicos;
- Liquefação, como o sangue de São Januário, que se liquefaz em datas específicas;
- Incorruptibilidade, quando o corpo não se decompõe;
- Cheiro de santidade, em que, em vez de odores comuns da decomposição, emana um perfume agradável.
Consideram-se, tamém, outros fenômenos místicos durante a vida - como estigmas, levitação e bilocação. Há, porém, uma exceção: os mártires, que morreram em defesa da fé, podem ser beatificados mesmo sem a comprovação de um milagre.
Passo 5: Canonização
Para que a beatificação eleve-se à canonização, é necessário o reconhecimento de um segundo milagre atribuído ao candidato, geralmente por meio de orações feitas pelos fiéis. No caso dos mártires, exige-se apenas um milagre. Após a confirmação, o Papa emite um decreto formal e declara o candidato santo, entrando para o catálogo oficial da Igreja.
Uma vez reconhecido como santo, a pessoa pode ser venerada publicamente pela Igreja. Missas podem ser celebradas em sua memória, igrejas podem ser dedicadas em sua honra e imagens passam a representá-lo com a tradicional auréola. Além disso, é instituído um dia de festa litúrgica, no qual os fiéis recordam e celebram sua vida e exemplo de fé.