Reciclar com personalidade é o novo luxo na decoração
Rosana Ferreira
O desejo de ter tudo novo e na "última moda" sempre fez parte do imaginário quando o assunto é casa. Mas esse modelo, que às vezes beira as ambientações de showroom de móveis, está cedendo espaço para o resgate de decorações personalizadas, o que inclui histórias de família ou de determinados móveis e objetos. Nesse contexto, reciclar o antigo com olhar do novo é o caminho.
» Árvores descartadas pela natureza viram esculturas mobiliárias
» vc repórter: mande fotos
e notícias
"Estamos na onda do 'novo luxo', ou seja, comprar um lustre e mandar restaurar é uma opção, mas personalizá-lo de forma criativa é o melhor caminho¿, diz o designer de interiores Fábio Galeazzo, de São Paulo, que projetou a Café da Praça da Casa Cor São Paulo 2009, que vai até 14 de julho, no Jockey Club de São Paulo, cujo tema é sustentabilidade.
Aliás, o conceito de sustentabilidade tem grande responsabilidade nessa nova maneira de pensar o design de interiores. E não apenas pelo apelo comercial que essa palavra tem, mas pelo que começa a representar para o grande público: a preservação ambiental.
O espaço projetado por Galeazzo é um exemplo de reaproveitamento de móveis de época e de materiais, característica que permeia seu trabalho há 15 anos. "Isso está relacionado às minhas origens. Aprendi esses hábitos com meus avós italianos, filhos da Segunda Guerra", conta.
Por isso é comum ver madeiras de manejo sustentável e de demolição certificadas em seus projetos, como no Café da Praça, que também contou com couro de tilápia, pela primeira vez utilizado como tecido, para revestir um sofá de época. "É o aproveitamento de um material destinado ao lixo que se torna um artigo de luxo e sustentável", comenta Galeazzo. Essa característica também está presente nas cadeiras de época descartadas, que ganharam vida por meio da pintura colorida e do novo revestimento, que qualquer pessoa pode fazer para sua casa.
Outro item de destaque no ambiente de Galeazzo é o uso da moderna resina Corian, um material constantemente renovável, que fez um contraponto ao rústico e ao antigo no tampo da mesa, no balcão e no suporte dos vasos. "A onda dos materiais rústicos em contraste com objetos de design é a grande moda", revela o designer. E o melhor: o Corian é elaborado a partir da combinação de acrílico de alta qualidade e minerais naturais, que permite transformar uma peça em outra quando quiser.
Reaproveitamento
A decoradora Neza Cesar segue os mesmos preceitos de reciclagem, como mostra a suíte que ela projetou para a apresentadora e modelo Ana Hickmann no Casa Hotel. Além de preservar os detalhes art déco do prédio do Jockey Club de São Paulo, ela agregou à decoração peças reaproveitadas, como a cômoda antiga que recebeu o acabamento de laca brilhante, além de luminárias do século 19 que se misturam às recém-lançadas arandelas Baccarat. No banheiro, a bancada da pia feita de madeira de demolição encontra o par perfeito: o patchwork de espelhos antigos.
"Esse ímpeto pelo reaproveitamento de móveis e peças decorativas vem de muitos anos atrás, quando morei em Londres e em Paris, cidades que me marcaram pela preservação da história", diz Neza. E é por valorizar a cultura e a história, além de evitar a produção de lixo, que a designer aposta nesse caminho. "O mundo está muito centrado no consumo desenfreado, no que está na moda. Isso não é chique", opina.
Para o arquiteto inglês Glen Finch, radicado no Brasil, garimpar peças antigas faz com que a decoração ganhe um toque exclusivo, que as demais não têm. "E essa história pode vir da própria peça, da família ou da ocasião em que foi adquirida, como em uma viagem. Isso agrega valor sentimental à decoração"¿, diz.