Canetas emagrecedoras impulsionam onda de cirurgias plásticas
Com o emagrecimento rápido, cada vez mais pessoas procuram cirurgias plásticas para cuidar do excesso de pele
Cirurgiã plástica explica como o emagrecimento rápido com canetas tem levado pacientes a buscar cirurgias
O avanço das canetas emagrecedoras no Brasil está transformando o perfil dos pacientes nos consultórios de cirurgia plástica. Segundo a cirurgiã plástica Chreichi L. Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), tem se tornado cada vez mais comum casos de pessoas que perderam grandes quantidades de peso em pouco tempo com medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro e agora procuram procedimentos para corrigir flacidez, excesso de pele e alterações corporais. A médica alerta que, sem acompanhamento multidisciplinar, o risco de frustração e reganho de peso é alto.
O novo perfil de pacientes após as canetas emagrecedoras
De acordo com a Chreichi, o emagrecimento acelerado provocado pelas canetas pode criar um corpo que nem sempre reflete o peso conquistado. "A gordura vai embora rápido, mas a pele e os tecidos não acompanham esse ritmo. O que vemos são abdômens flácidos, braços e coxas com sobra de pele, mamas esvaziadas e envelhecimento precoce do rosto", explica.
Esse conjunto de alterações já é conhecido entre especialistas como "Ozempic face" e vem sendo observado com frequência cada vez maior nos consultórios.
Uma nova demanda na cirurgia plástica
A médica afirma que esse fenômeno criou uma nova categoria de pacientes, diferente daqueles que buscavam cirurgia após gravidez, envelhecimento ou bariátrica. "Hoje recebemos pessoas que emagreceram exclusivamente com medicamentos e precisam de procedimentos como abdominoplastia, lifting de braços e coxas, mastopexia e lipo HD corretiva para adequar o corpo ao novo peso", diz.
Para a especialista, trata-se de uma nova fase da cirurgia plástica, diretamente ligada à revolução farmacológica no tratamento do sobrepeso.
Por que só as canetas emagrecedoras não resolvem
Apesar dos resultados expressivos na balança, a especialista ressalta que o uso isolado das canetas não garante um emagrecimento saudável nem duradouro. "Sem nutrição adequada, exercício físico e acompanhamento médico, o paciente perde peso, mas também perde massa muscular, o que aumenta a flacidez e facilita o reganho de gordura", alerta.
Segundo ela, muitos pacientes chegam ao consultório insatisfeitos com o corpo mesmo após emagrecerem, o que mostra que o processo precisa ir além da medicação.
A importância do cuidado multidisciplinar
Para evitar esse ciclo, a cirurgiã defende o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, com médico, nutricionista, educador físico e psicólogo. "Esse suporte permite que o paciente construa um corpo e mente mais firme, funcional e capaz de manter o peso no longo prazo. A cirurgia plástica entra como complemento, não como correção de um tratamento mal-conduzido", explica.
Uma tendência que já chegou aos consultórios
A Chreichi destaca que a procura por cirurgias após o uso de canetas emagrecedoras é uma realidade crescente no Brasil. "Estamos diante de uma nova geração de pacientes que emagrecem rápido, mas precisam de orientação para transformar essa perda de peso em um resultado estético e de saúde sustentável", conclui.