Byung-Chul Han, filósofo: "Só se estivermos sempre abertos à dor, seja qual for a sua origem, podemos estar abertos à felicidade"
Pensador sul-coreano reflete sobre como a busca obsessiva pela felicidade pode nos afastar de experiências emocionais profundas
O filósofo Byung-Chul Han afirma que a humanidade moderna desenvolveu uma espécie de fobia à dor, impulsionada pela obrigação de ser feliz. A positividade excessiva que nos cerca e o mandato de estar sempre bem nos levam, de certa forma, a negar o sofrimento. Isso nos anestesia e nos esvazia.
Em "A sociedade paliativa", ele fala sobre esse caminho hedonista que, como sociedade, começamos a percorrer: uma cultura que nos convida a aproveitar 100% do tempo e que faz com que "a dor careça completamente de sentido e utilidade".
Ele sustenta que o imperativo neoliberal "seja feliz" não é um convite ao bem-estar, mas uma ordem de desempenho emocional. É preciso estar bem para continuar produzindo. Sorria, porque o sofrimento passa a ser visto como um fracasso pessoal. Mas e se a dor e o sofrimento fossem necessários para a própria felicidade?
Segundo Han, a felicidade não é a ausência de sofrimento, mas algo muito mais complexo do que um simples tudo ou nada. Como explica em seu livro, "a verdadeira felicidade só é possível em fragmentos. É justamente a dor que preserva a felicidade de se transformar em coisa".
A felicidade como experiência, não como exigência
...
Veja também
Para conseguir ser mais positivo você deve adotar esses hábitos, segundo especialista
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.