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Autismo pode estar ligado à evolução do cérebro humano? Entenda a nova hipótese científica

Estudo de pesquisadores de Stanford encontrou uma possível relação entre a evolução acelerada de determinados neurônios e a maior vulnerabilidade ao transtorno

25 ago 2026 - 09h30
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Resumo
Um estudo da Universidade de Stanford sugere que o autismo pode estar ligado à evolução do cérebro humano. Pesquisadores identificaram uma evolução acelerada em neurônios corticais ligados à cognição complexa, envolvendo genes associados ao transtorno. A hipótese propõe uma troca evolutiva: as mesmas alterações genéticas que impulsionaram habilidades intelectuais avançadas na espécie humana podem ter aumentado a vulnerabilidade biológica ao desenvolvimento do espectro autista.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, propôs uma nova hipótese para explicar por que o autismo é relativamente comum entre seres humanos. A pesquisa apontou uma possível relação entre a evolução do cérebro humano e alterações associadas ao transtorno do espectro autista (TEA). Publicado na revista Molecular Biology and Evolution, o trabalho analisou diferentes espécies de mamíferos e concentrou a investigação em um tipo específico de neurônio, chamado L2/3 IT. Essas células ficam nas camadas externas do córtex cerebral, região relacionada a funções como linguagem, raciocínio, memória e resolução de problemas.

Estudo investigou uma possível relação entre a evolução do cérebro humano e o autismo
Estudo investigou uma possível relação entre a evolução do cérebro humano e o autismo
Foto: Canva / Bons Fluidos

Neurônios evoluíram de maneira acelerada

Normalmente, células muito abundantes tendem a apresentar uma evolução genética mais lenta. Isso acontece porque alterações em estruturas tão numerosas podem trazer consequências importantes para o organismo. Entretanto, os pesquisadores encontraram uma exceção nos neurônios L2/3 IT. Apesar de serem abundantes no córtex humano, eles apresentaram uma evolução especialmente rápida na linhagem que levou aos seres humanos, em comparação com outros primatas, como chimpanzés e gorilas.

O que o autismo teria a ver com isso?

A equipe também identificou uma relação entre essa evolução acelerada e genes associados ao autismo. Ao analisar dados de expressão genética de mais de 1 milhão de neurônios, os pesquisadores observaram alterações coordenadas em centenas de genes relacionados ao transtorno.

Além disso, 34 genes ligados ao autismo apresentaram redução de expressão nesses neurônios nos humanos. Segundo a hipótese apresentada pelo estudo, algumas mudanças que contribuíram para características vantajosas do cérebro humano também poderiam ter reduzido sua margem de segurança diante de determinadas alterações genéticas.

Uma possível troca evolutiva

Os pesquisadores interpretaram a descoberta como um possível trade-off evolutivo, ou seja, uma situação em que uma característica pode oferecer benefícios e, ao mesmo tempo, aumentar determinados riscos.

Nesse caso, mudanças que ajudaram a desenvolver capacidades cognitivas mais complexas também poderiam ter aumentado a vulnerabilidade a condições neuropsiquiátricas. Portanto, o estudo não afirmou que a evolução do cérebro causou o autismo, mas apresentou uma hipótese sobre uma possível relação entre esses processos.

O que a descoberta pode representar para a ciência?

A pesquisa também pode abrir novas possibilidades para compreender a origem de algumas condições neuropsiquiátricas. Os autores sugeriram que futuras investigações poderiam testar as alterações encontradas em células, organoides cerebrais e modelos animais.

Além disso, a hipótese pode contribuir para ampliar o entendimento sobre a neurodiversidade e sobre as características que tornaram o cérebro humano diferente de outras espécies. Ainda assim, são necessárias novas pesquisas para confirmar como essas alterações estão relacionadas ao autismo.

Bons Fluidos
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