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Até 50% dos casos de autismo poderiam ser evitados com intervenções precoces, diz estudo

Novo estudo propõe um modelo biológico integrado para o autismo, conectando genética, ambiente e metabolismo; entenda

17 jan 2026 - 15h04
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As estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de uma em cada 127 pessoas no mundo está no espectro autista. Ainda assim, o autismo segue sendo um dos temas mais debatidos - e, muitas vezes, mal compreendidos - quando o assunto é saúde, ciência e diversidade humana.

Pesquisa recente amplia o entendimento sobre o autismo ao integrar fatores genéticos, ambientais e metabólicos; saiba mais
Pesquisa recente amplia o entendimento sobre o autismo ao integrar fatores genéticos, ambientais e metabólicos; saiba mais
Foto: Reprodução: Canva/Fabian Montaño / Bons Fluidos

Parte da controvérsia nasce do choque entre perspectivas. Enquanto o modelo médico tradicional descreve o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como uma condição associada a prejuízos funcionais, movimentos ligados à neurodiversidade defendem que o autismo é uma variação legítima do funcionamento do cérebro humano, e não um erro a ser corrigido.

O debate se torna ainda mais delicado quando entra em cena a palavra "prevenção". Como não existe, até hoje, uma forma comprovada de evitar o autismo, pesquisas que investigam causas genéticas e ambientais costumam levantar receios éticos, como o risco de práticas eugenistas. Para muitos ativistas, o foco deveria estar em melhorar a qualidade de vida das pessoas autistas que já existem, e não em tentar "impedir" novos casos.

Um modelo que conecta genética, ambiente e metabolismo

É nesse terreno sensível que surge um novo estudo liderado por Robert Naviaux, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego. Em vez de tratar genética e ambiente como explicações opostas, o trabalho propõe um modelo biológico integrado, que une predisposição genética, fatores ambientais, metabolismo e desenvolvimento cerebral.

O estudo não afirma, de forma direta, que o autismo seja evitável. No entanto, sugere que uma parcela dos casos poderia ser reduzida ou modificada a partir de intervenções muito precoces, ainda no período pré-natal ou nos primeiros anos de vida. Trata-se de uma leitura que amplia o entendimento sobre risco - e não de uma promessa de prevenção absoluta.

Os três fatores que podem aumentar o risco de TEA

De acordo com o modelo proposto, o desenvolvimento do autismo estaria ligado à interação de três elementos principais:

1. Predisposição biológica ou genética

Algumas crianças já nascem com uma vulnerabilidade metabólica ou mitocondrial. Essa característica não é evitável e, sozinha, não determina o diagnóstico.

2. Exposição precoce a gatilhos ambientais

Infecções maternas ou infantis, estresse imunológico intenso ou poluição ambiental podem ativar uma resposta natural do organismo conhecida como resposta celular ao perigo.

3. Persistência desses gatilhos em fases críticas do desenvolvimento

Quando essas ativações se repetem ou se prolongam entre o final da gestação e os primeiros dois ou três anos de vida, período crucial para a maturação cerebral, o risco pode aumentar.

Segundo o pesquisador, o problema não está na resposta ao estresse em si - ela é normal e necessária para a sobrevivência. O desafio surge quando esse estado de alerta biológico não se desliga, desviando energia e sinais fundamentais para o desenvolvimento saudável do cérebro.

Autismo não tem causa única - e isso muda tudo

Um dos pontos mais relevantes do estudo é mostrar que o autismo não nasce de um único gene, nem de um único evento ambiental. Ele surge de interações complexas, que variam de pessoa para pessoa e dependem do momento em que ocorrem. Essa visão ajuda a explicar por que o espectro é tão diverso e por que não existe um "tipo único" de autismo.

O trabalho também faz questão de estabelecer limites claros: não afirma que o autismo seja causado apenas pelo ambiente; não responsabiliza pais ou cuidadores; não trata a genética como destino imutável. Ter uma mutação associada ao TEA não significa, automaticamente, desenvolver a condição. A biologia trabalha com probabilidades, não com certezas absolutas.

O que esse estudo realmente nos ensina

Mais do que oferecer respostas prontas, o modelo amplia o debate. Ele sugere que compreender os processos biológicos envolvidos pode abrir caminho para cuidados mais personalizados, respeitosos e precoces - sem apagar a identidade autista. A principal mensagem é clara: o autismo não é falha, não é erro e não é culpa individual. Trata-se de uma resposta biológica complexa a diferentes fatores que influenciam o desenvolvimento do cérebro humano. E, como tal, merece ser acompanhado com ciência, ética, cuidado e, acima de tudo, respeito às pessoas que vivem no espectro.

Bons Fluidos
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