Aquadate, Choremance e mais: os termos da Geração Z para relacionamentos
De aquadate a choremance, a Geração Z cria novos termos e formatos de encontro para fugir da performance, reduzir a ansiedade e buscar conexões mais reais
A linguagem do amor está mudando - e rápido. Se antes os encontros seguiam roteiros previsíveis, hoje a Geração Z vem desmontando padrões, inventando novas formas de se conectar e criando um vocabulário próprio para dar conta das complexidades afetivas do presente. Em 2026, essa transformação ganha ainda mais força, com tendências que priorizam menos performance, mais realidade e encontros que cabem na vida como ela é.
Cansados de romances filtrados por telas e expectativas irreais, muitos jovens estão apostando em experiências mais simples, honestas e menos ensaiadas. O resultado é um novo glossário amoroso - curioso, criativo e, muitas vezes, revelador sobre como nos relacionamos hoje.
Menos espetáculo, mais vida real
Uma das tendências que melhor traduz esse momento é o choremance. A ideia é conhecer alguém enquanto se vive o cotidiano: passear com o cachorro, ir ao mercado, resolver pendências do dia. Em vez de produzir um encontro perfeito, a proposta é observar o outro em ação, no mundo real. Não à toa, pesquisas já indicam que uma parcela significativa dos solteiros prefere unir encontros a tarefas rotineiras.
Na mesma linha surge o turbo dating, um atalho emocional para quem não quer perder tempo com conversas circulares. Aqui, os assuntos "importantes" - valores, planos, limites, visão de futuro - entram em cena logo no início. É menos sobre criar mistério e mais sobre alinhar expectativas.
Já o fur casting mostra como os pets deixaram de ser detalhe e passaram a ser parte central do estilo de vida. A busca é por alguém que também deseje dividir afeto, rotina e responsabilidade com animais - reflexo direto do crescimento do mercado pet e do lugar emocional que eles ocupam hoje.
E, claro, há o aquadate. Em um país marcado pelo calor e pela relação íntima com a água, praias, cachoeiras e piscinas viraram cenário de encontros possíveis - e desejáveis. Estar perto da água reduz a ansiedade, cria pausas naturais no silêncio e ajuda a transformar o primeiro encontro em algo mais leve e fluido.
Quando o afeto vira estratégia
Nem tudo, porém, é leve nesse novo dicionário. Alguns termos surgem como alerta. Throning, por exemplo, descreve relacionamentos movidos por status, visibilidade ou influência - uma atualização digital do antigo interesse por conveniência. Aqui, o parceiro vira um meio para likes, convites e pertencimento social, esvaziando o sentido da troca afetiva.
Outro comportamento que ganhou nome (e incômodo) é o zombie-ing. Diferente do ghosting, em que a pessoa some, o "zumbi" reaparece depois de um longo silêncio, fingindo que nada aconteceu. Uma mensagem casual, um emoji em um story, e pronto: a ferida é reaberta sem qualquer responsabilização.
Há ainda o freckling, que define romances sazonais: intensos no verão, leves nas férias, mas que desaparecem quando a rotina retorna. Nem sempre há má intenção - o problema surge quando apenas um dos lados entende que aquele vínculo tem prazo de validade.
Dar nome também é se proteger
Pode parecer exagero rotular tudo, mas esse vocabulário afetivo cumpre um papel importante na Geração Z: o da validação emocional. Quando uma experiência ganha nome, ela deixa de ser vivida em solidão. Passa a ser compreendida como um padrão - e, portanto, algo sobre o qual é possível refletir, impor limites e fazer escolhas mais conscientes.
Seja apostando em encontros mais simples, como um aquadate, ou aprendendo a identificar sinais de relações desequilibradas, o mais importante é lembrar que, apesar das novas palavras, alguns princípios seguem inegociáveis. A responsabilidade afetiva, afinal, nunca sai de moda, mesmo quando o glossário muda.