Anos de culpa e ansiedade: por que milhões de mulheres vivem com TDAH sem saber?
Muitas mulheres crescem sem saber que convivem com o transtorno. Veja por que o diagnóstico costuma chegar apenas na vida adulta.
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) foi, por décadas, visto quase exclusivamente através de um espelho masculino: o garoto agitado, que não para quieto na carteira da escola e interrompe os colegas. Enquanto os meninos frequentemente manifestam o subtipo hiperativo-impulsivo, as meninas tendem a apresentar o subtipo predominantemente desatento — caracterizado por desorganização interna, esquecimentos frequentes, distração silenciosa e uma exaustão crônica para dar conta da rotina.
Essa diferença na apresentação dos sintomas faz com que muitas mulheres passem a infância e a juventude mascarando suas dificuldades. Elas desenvolvem estratégias exaustivas de compensação (camouflaging ou masking) para parecerem adaptadas ao ambiente social, o que resulta em um diagnóstico tardio — frequentemente só na vida adulta, após anos lidando com crises de ansiedade, depressão ou burnout.
"Fato é que em mulheres a gente hoje está fazendo mais diagnóstico de população, mas infelizmente nós ainda temos a convicção que é uma população que está subdiagnosticada."
— Dr. Michel Haddad, psiquiatra e chefe da Seção de Psiquiatria do HSPE/Iamspe, em entrevista durante o evento TDAH sem Rótulos organizado pela Cellera Farma.
O que a ciência diz sobre o impacto na vida adulta
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