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A ciência do esgotamento: qual é a década mais exaustiva da vida?

Anatomista da Universidade de Bristol explica como o descompasso entre a biologia e as demandas sociais transforma a maturidade no pico do cansaço humano.

8 jun 2026 - 10h06
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Você já parou para se perguntar qual a década mais exaustiva da vida? Independente das escolhas feitas ao longo da jornada, a passagem dos anos traz consigo um aumento inevitável de demandas e responsabilidades. A postura passiva deixa de ser uma opção diante da necessidade de agir e realizar. Segundo a professora Michelle Spear, anatomista da Universidade de Bristol, na Inglaterra, esse cenário atinge seu ponto crítico aos 40 anos, período que ela classifica como a década mais exaustiva de todas. A cientista aponta que ocorre uma combinação potente nesta fase, onde as mudanças naturais do corpo convergem com as exigências máximas da carreira, da gestão doméstica e da criação dos filhos.

Você já parou para se perguntar qual a década mais exaustiva da vida?
Você já parou para se perguntar qual a década mais exaustiva da vida?
Foto: Canva / Bons Fluidos

Para a especialista, o fenômeno é explicado por uma incompatibilidade entre a biologia e a demanda. "Nossos corpos ainda são perfeitamente capazes de produzir energia, mas o fazem em condições diferentes das da fase adulta inicial, enquanto as demandas sobre essa energia frequentemente atingem o pico", explicou em entrevista ao Daily Mail. Assim, o declínio físico silencioso começa por volta dos 30 anos com a perda gradual da massa muscular, processo que só é contido por treinamentos de força regulares. Além disso, a redução dos músculos torna o metabolismo mais lento, o que gera um efeito dominó na qualidade da alimentação e do sono.

Quais os desafios da década mais exaustiva da vida?

Além do fator muscular, Spear destaca que as flutuações hormonais desempenham um papel fundamental, especialmente para as mulheres na perimenopausa. As alterações de estrogênio e progesterona afetam diretamente as áreas cerebrais que regulam a temperatura corporal e a profundidade do repouso. Esse quadro agrava-se pelo fato de que adultos nesta faixa etária apresentam maior sensibilidade ao estresse. Como muitos estão em posições de liderança profissional, a carga mental torna-se um elemento extra na equação da fadiga. A professora esclarece que o cansaço dos 40 anos reflete, muitas vezes, uma "carga cumulativa em vez do envelhecimento em si".

Apesar do cenário desafiador, a ciência oferece uma perspectiva otimista para o futuro. De acordo com a pesquisadora, os níveis de satisfação costumam aumentar significativamente após os 60 anos. Com a proximidade da aposentadoria ou a flexibilização do trabalho, o estresse tende a cair pela metade, permitindo a regularização do sono. A orientadora ressalta que, com os cuidados preventivos adequados, a sexta década de vida pode apresentar uma qualidade superior aos fatídicos 40. O segredo, segundo ela, não é tentar recuperar o vigor da juventude, mas sim mudar o foco da produtividade para a preservação: "O objetivo não é recriar a energia de 20 anos atrás, mas sim proteger e priorizar a recuperação".

 *Leia também: Foco de mulheres na menopausa não deve ser a balança; entenda o risco das dietas radicais

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