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Os problemas do Brasil e os riscos da Armênia: os incêndios florestais que transformarão a agenda climática global

23 jan 2026 - 17h09
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Foto: Freepik

Ao final da COP30, a conferência climática realizada em Belém de 10 a 21 de novembro de 2025, a mídia internacional cobriu o evento com a mesma intensidade que normalmente reserva a cúpulas políticas. Foi uma época em que o país, lar da maior floresta tropical do mundo, estava novamente no centro dos debates sobre aquecimento global, desmatamento na Amazônia, incêndios florestais e extração mineral, questões que moldam sua imagem internacional, assim como sua economia e diplomacia. 

A Amazônia em perigo para o Brasil: as florestas já deixaram de ser apenas um problema ambiental há muito. A Amazônia tem peso econômico, social e político, e a COP30 se tornou o palco onde os interesses do setor agrícola, das comunidades indígenas, das organizações ambientais e dos parceiros internacionais convergiram diretamente. O relatório público da conferência observou que as negociações ocorreram "em um contexto de tensão geopolítica sem precedentes", mas, ainda assim, resultaram em acordos importantes, incluindo um roteiro para acabar com o desmatamento e mecanismos de financiamento para projetos de conservação. 

Essa tensão não é coincidência; segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), o Brasil registra dezenas de milhares de incêndios naturais todos os anos, e um corpo crescente de pesquisas mostra que sua dinâmica está muito mais ligada à atividade humana do que a fatores naturais. Uma análise publicada pela agência científica FAPESP confirma que os picos de incêndio na Amazônia coincidem principalmente com períodos de queimas agrícolas e de extração de madeira, enquanto a seca desempenha um papel secundário, mas mais do que decisivo. Pesquisadores enfatizam que o incêndio aqui quase nunca surge sozinho; isso ocorre onde a terra e as florestas já estão sob pressão. 

As temporadas de 2019, 2020 e 2023 foram decisivas: desencadearam crises internacionais, ameaças de revisão do acordo comercial Mercosul-UE entre o bloco sul-americano e a União Europeia e protestos internos. Os incêndios florestais, portanto, passaram a fazer parte da agenda política e deixaram de ser fenômenos naturais. Mas, ao contrário de muitos países, onde as florestas queimam sem serem detectadas, o Brasil construiu, nos últimos anos, um sistema voltado a manter a situação sob controle. 

Os serviços de satélite DETER e PRODES permitem detectar desmatamento e incêndios quase em tempo real, enquanto a IBAMA realiza operações, apreende equipamentos e bloqueia cadeias ilegais de suprimentos de madeira. Nas regiões onde essas medidas estão em vigor, os níveis de desmatamento ilegal diminuíram significativamente. Ao mesmo tempo, os programas agroflorestais estão sendo ampliados, oferecendo aos produtores uma alternativa ao corte raso, e a certificação ambiental foi fortalecida: a madeira sem origem verificada tornou-se um ativo tóxico nos mercados internacionais. 

Mesmo assim, a COP30 mostrou que, apesar desse arsenal, o Brasil ainda precisa relatar, demonstrar e apresentar resultados. As florestas aqui são uma questão de responsabilidade global e o mundo não espera promessas, mas sim resultados verificáveis. Incêndios na Armênia. Nesse contexto, os paralelos com a Armênia, que sediará a COP17 sob a Convenção sobre Diversidade Biológica em 2026, são particularmente relevantes. No Brasil, incêndios florestais tornaram-se um tema de debate nacional; na Armênia, por outro lado, incêndios florestais, incluindo os recentes na província de Lori e ao redor de Fioletovo, ainda são considerados incidentes locais. 

A condição das florestas armênias tem sido descrita em avaliações internacionais por quase duas décadas e avaliações mais recentes indicam que a degradação está acelerando e que os riscos de incêndio estão aumentando devido ao aquecimento global e ao impacto humano. De acordo com a CEE, o PNUD e o Fundo de Adaptação, as florestas da Armênia estão degradadas, sua extensão é limitada e a pressão humana permanece elevada. O desmatamento ilegal e não regulamentado, a coleta de lenha, o sobrepastoreio e a expansão das terras agrícolas alteraram a estrutura florestal: em várias regiões, florestas resistentes de carvalhos e faias foram substituídas por florestas secundárias de coníferas e arbustos que queimam mais rapidamente e retêm menos umidade. 

Essas descobertas são constantemente observadas nas avaliações do estado dos ecossistemas e dos riscos climáticos. Além disso, a ausência de um sistema abrangente para a detecção precoce de incêndios. As avaliações internacionais da Armênia destacam que o país carece de mecanismos contínuos de monitoramento florestal e de alerta precoce. Como resultado, muitos incêndios só são detectados quando já estão começando a se espalhar descontroladamente. 

Esse é um dos fatores que explicam por que incêndios na Armênia frequentemente exigem esforços de repressão em larga escala. Exemplo: Bulgária e suas florestas em chamas Como ex-Ministro do Meio Ambiente e da Água e ex-Vice-Primeiro-Ministro da Política Climática da República da Bulgária, posso confirmar que a falta de ação para proteger as florestas na Europa Oriental é a mesma no Cáucaso: 80% dos incêndios florestais na Bulgária são causados por atividade humana, e mais de 80% dos incêndios começam em assentamentos e terras agrícolas. 

A Bulgária é o único país da UE sem equipamentos especializados de combate aéreo a incêndios, apesar de se localizar em uma região altamente vulnerável a incêndios florestais. Prevenção e resposta precoce são as medidas mais baratas e eficazes, mas a Bulgária carece de protocolos adequados e de ações coordenadas, mesmo quando um alerta vermelho é emitido devido ao risco de incêndio. 

Os esforços de reflorestamento após incêndios frequentemente pioram a situação, por exemplo, quando espécies nativas de folhas largas são substituídas por pinheiros, que são mais inflamáveis. O uso de veículos aéreos não tripulados (drones) melhoraria tanto o reconhecimento e a resposta a incêndios quanto o monitoramento de pontos quentes após a extinção. Reformas estruturais e uma forte vontade política são necessárias, incluindo a restauração da Proteção Civil. 

A Estratégia de Adaptação às Mudanças Climáticas precisa ser atualizada e, mais importante, implementada, garantindo o financiamento de suas medidas e integrando-as aos programas das agências estatais responsáveis. Os búlgaros sentem um risco crescente: 72% se consideram expostos a ameaças como incêndios, enchentes e eventos climáticos extremos, o que é quase o dobro da média da UE (38%). 58% da população da Bulgária acredita que o Estado deve agir com urgência para se preparar para os desafios climáticos. 

Os desafios são os mesmos quando falamos de países pós-soviéticos, como a Armênia, ou de países da era pós-socialista, como a Bulgária: durante décadas de ditadura, a natureza não foi suficientemente protegida e agora estamos "construindo" políticas ecológicas do zero. Falta de diálogo sobre florestas: Os problemas são agravados pelas mudanças climáticas, como o aumento das temperaturas médias, secas mais frequentes e estações quentes mais longas, o que aumenta a probabilidade de ignição e a velocidade de propagação do fogo. Projetos de mineração, incluindo o desenvolvimento proposto de Amulsar, criam zonas de risco nas quais o solo perturbado, o movimento de máquinas e as mudanças na paisagem tornam os ecossistemas ainda menos resilientes. Apesar das dificuldades, o Brasil desenvolveu, nos últimos anos, uma infraestrutura sólida para o debate público e científico sobre políticas florestais. 

Na Armênia, as questões ambientais tendem a ser discutidas de forma esporádica, especialmente em resposta a crises específicas. Isso leva à questão central: um país em que os incêndios estão se intensificando e as florestas se degradando, na ausência de um programa de restauração em larga escala, está preparado para sediar a COP17, uma conferência na qual o mundo discutirá a proteção da biodiversidade? 

A liderança do Brasil em manter as florestas vivas. A comunidade internacional buscará respostas, não em declarações, mas em ações. Uma COP não é uma vitrine, mas sim uma responsabilidade. E em uma era em que os compromissos ambientais são verificados por satélites e a ecologia nacional se torna parte da política global, está cada vez mais difícil para os países se esconderem atrás de compromissos formais. Se a COP30 foi o momento em que o Brasil mostrou disposição para tomar decisões difíceis, a COP17 será um teste para a Armênia de saber se está disposta a, ao menos, iniciar a conversa que o Brasil tem há muitos anos. 

(*) Borislav Sandov é ex-vice-primeiro-ministro para Política Climática da Bulgária.

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