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Quando o Brasil inundou a Amazônia para criar um reservatório, provocou algo diferente: um vasto cemitério de árvores e animais

Um experimento gigantesco e não intencional que demonstrou por que rotular uma fonte de energia como "renovável" nunca é suficiente para determinar seu verdadeiro custo

28 ago 2026 - 17h11
(atualizado às 19h13)
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Resumo
Inaugurada em 1989 na Amazônia, a hidrelétrica de Balbina causou grande impacto ambiental ao inundar 2.360 km² de floresta para gerar modestos 250 MW. Por causa do terreno plano, a represa submergiu mais de 160 milhões de árvores no rio Uatumã e sacrificou 35 vezes mais mata por megawatt do que a usina de Tucuruí. A inundação fragmentou a floresta em milhares de ilhas, convertendo a região em um vasto cemitério de árvores e animais.
Quando o Brasil inundou a Amazônia para criar um reservatório, provocou algo diferente: um vasto cemitério de árvores e animais.
Quando o Brasil inundou a Amazônia para criar um reservatório, provocou algo diferente: um vasto cemitério de árvores e animais.
Foto: Xataka

Em 1981, em meio à estratégia brasileira de grandes projetos de infraestrutura para desenvolver a Amazônia, teve início a construção da usina hidrelétrica de Balbina, no rio Uatumã, ao norte de Manaus.

O enchimento do reservatório começou em 1987, e a usina foi inaugurada em 1989 com uma capacidade instalada de 250 MW. Para alcançar essa potência, foi necessária a criação de um lago com cerca de 2.360 km² — uma área maior do que a ilha de Tenerife.

Uma questão de escala

O problema estava na própria geografia: um rio relativamente pequeno que corria por um terreno extraordinariamente plano significava que vastas extensões de terra precisavam ser inundadas para gerar uma quantidade comparativamente modesta de energia hidrelétrica.

De fato, um estudo comparativo publicado em 2018 resumiu isso com uma estatística contundente: Balbina sacrificou 35 vezes mais floresta por megawatt de capacidade instalada do que a usina de Tucuruí, também na Amazônia.

250 MW e um cemitério de árvores

Quando o rio Uatumã foi represado, a água se espalhou lateralmente pela floresta tropical, submergindo milhões de árvores — algumas estimativas sugerem mais de 160 milhões. Antigos pontos mais elevados transformaram-se em milhares de ilhas (um estudo contabilizou 3.546), e essa fragmentação foi, inicialmente, até vista como um possível benefício ambiental: ilhas de floresta que sobreviveriam, cercadas pelo reservatório.

Ocorreu o oposto. Pesquisas posteriores revelaram que muitos desses fragmentos eram ...

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