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O que é o mercado de crédito de carbono e por que o Brasil está no centro desse debate

Especialista avalia que modelo é um dos formatos de financiamento climático mais benéficos para o país

5 jun 2026 - 04h59
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Mercado de crédito de carbono pode ser benéfico financeiramente para o Brasil
Mercado de crédito de carbono pode ser benéfico financeiramente para o Brasil
Foto: Getty Images/Ignacio Palacios

O mercado do crédito de carbono surgiu com a assinatura do Protocolo de Kyoto, no Japão, em 1997, durante a COP3, a 3ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (ONU). Na época, estabeleceram-se metas obrigatórias para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

É nesse contexto, reforçado em 2015 com o Acordo de Paris, que o crédito de carbono entra como uma alternativa sustentável para ajudar os países a diminuírem a emissão de gases. Um crédito representa uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) evitada ou removida da atmosfera. 

Ana Luci Grizzi, executiva de sustentabilidade e especializada em Governança Climática e Capital Natural, afirma que existem três mercados de carbono no Brasil. O primeiro é o mercado regulado na Secretaria Extraordinárai de Mercado de Carbono, dentro do Ministério da Fazenda.

O segundo é o mercado de carbono voluntário, que pode ser tanto florestal, para conservação e restauro, ou agrícola, enquanto o terceiro se refere ao mercado de programas jurisdicionais, que está relacionado ao processo de certificação feito por Estados. 

"O mercado regulado só estará funcionando em 2030 e seu foco é a indústria no Brasil. Mesmo assim, a gente sabe que terá uma seleção dessas empresas. O voluntário existe no país em fases mais avançadas e com mais demandas. Já os programas jurisdicionais estão em formação e ainda não vendem créditos diferentes, são diferentes porque são políticas públicas", explica. 

Ana Luci Grizzi é executiva de sustentabilidade e com especialidade em Governança Climática e de Capital Natural
Ana Luci Grizzi é executiva de sustentabilidade e com especialidade em Governança Climática e de Capital Natural
Foto: Divulgação

Como funciona o mercado de crédito de carbono

Vamos supor que uma empresa tenha um projeto de reflorestamento e, com isso, consiga capturar cerca de 5 mil toneladas de CO2 na atsmofera. Essas 5 mil toneladas são convertidas em 5 mil créditos de carbonos, que podem ser vendidos para outra empresa que necessitem cumprir metas relativas a diminuição da emissão de gases. 

A especialista avalia que esse mercado está em processo de formação e consolidação no Brasil, ao passo que, nos próximos anos, ele estará aquecido o suficiente para que o país receba o capital efetivo da prática. 

"É um dos formatos de financiamento climático para a gente mais relevantes Se a gente pensar na Europa, existem várias diversificações com projetos de tecnologia e de engenharia para fazer captura e estocagem de carbono em solo. O nosso é um viés muito mais proveitoso porque tem impacto ambiental positivo, e isso deve ser o suficiente para arrecadar capital", afirma. 

De acordo com o Ministério da Fazenda, o mercado do crédito de carbono pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa no Brasil ao menor custo possível, porque as reduções ocorrem nas áreas em que o impacto financeiro é menor.

No Brasil, o preço estimado do carbono é de cerca de US$ 8,40 por tonelada de CO2, enquanto no mundo o custo fica entre US$ 70 e US$ 100 por tonelada. Dessa forma, os créditos se tornam ativos financeiros negociáveis o que cria oportunidades de investimento sustentável e geração de empregos.

O governo projeta o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,24% até 2030 com a precificação do carbono, atrelado à geração de 1,5 milhão de empregos e ao aumento da renda média dos 20% mais pobres.

Fonte: Portal Terra
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