Por que o Grande Recife registra tantos incidentes com tubarões? Entenda os fatores
Alterações ambientais, características naturais da costa e comportamento humano ajudam a explicar a concentração de ocorrências
Os dois incidentes registrados em apenas dois dias nas praias de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e Boa Viagem, no Recife, voltaram a chamar atenção para um fenômeno que há décadas desafia autoridades e pesquisadores em Pernambuco. Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o caso mais recente, envolvendo uma jovem de 19 anos em Boa Viagem, foi o 84º incidente contabilizado pelo órgão desde 1992. Desse total, 70 ocorreram no Grande Recife.
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Especialistas apontam que não existe uma única explicação para a elevada concentração de ocorrências na região. Entre os fatores mais citados está a transformação ambiental provocada pela construção do Porto de Suape, entre as décadas de 1970 e 1980. De acordo com entidades da área ambiental, como o Conselho Federal de Biologia (CFBIO), a obra alterou ecossistemas costeiros importantes, incluindo manguezais e estuários que funcionavam como áreas de reprodução e alimentação de diversas espécies marinhas.
Além das mudanças provocadas pelo complexo portuário, a movimentação de grandes embarcações e a intensa atividade humana modificaram a dinâmica da fauna marinha na região. O crescimento urbano ao longo da costa e o lançamento de resíduos nos rios e no oceano também são apontados como elementos que podem influenciar a presença de peixes menores e, consequentemente, de predadores de maior porte próximos ao litoral.
O Corpo de Bombeiros alerta que períodos de maré alta, baixa luminosidade, chuva e água turva são considerados mais favoráveis para a circulação desses animais perto da praia. Nessas situações, a visibilidade diminui tanto para os banhistas quanto para a fauna marinha, elevando os riscos de interações indesejadas.
Por causa desse cenário, Pernambuco mantém um sistema de monitoramento. O Cemit acompanha os registros desde 1992 e o governo estadual investiu, nos últimos anos, em ações de prevenção, pesquisa científica, educação ambiental e sinalização. Em 2025, foram instaladas 150 novas placas de alerta ao longo dos 33 quilômetros da faixa litorânea considerada mais suscetível a incidentes, entre Olinda e o Cabo de Santo Agostinho.
As autoridades reforçam que a convivência segura com o ambiente marinho depende principalmente do respeito às orientações de segurança. Evitar entrar na água em áreas sinalizadas, observar as condições do mar e seguir as recomendações dos órgãos de monitoramento são medidas consideradas fundamentais.
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