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Por que o Grande Recife registra tantos incidentes com tubarões? Entenda os fatores

Alterações ambientais, características naturais da costa e comportamento humano ajudam a explicar a concentração de ocorrências

2 jun 2026 - 15h05
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CEMIT substitui placas de alerta de risco de incidentes com tubarões na orla do Grande Recife
CEMIT substitui placas de alerta de risco de incidentes com tubarões na orla do Grande Recife
Foto: Reprodução/SEMAS-PE

Os dois incidentes registrados em apenas dois dias nas praias de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e Boa Viagem, no Recife, voltaram a chamar atenção para um fenômeno que há décadas desafia autoridades e pesquisadores em Pernambuco. Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o caso mais recente, envolvendo uma jovem de 19 anos em Boa Viagem, foi o 84º incidente contabilizado pelo órgão desde 1992. Desse total, 70 ocorreram no Grande Recife.

Especialistas apontam que não existe uma única explicação para a elevada concentração de ocorrências na região. Entre os fatores mais citados está a transformação ambiental provocada pela construção do Porto de Suape, entre as décadas de 1970 e 1980. De acordo com entidades da área ambiental, como o Conselho Federal de Biologia (CFBIO), a obra alterou ecossistemas costeiros importantes, incluindo manguezais e estuários que funcionavam como áreas de reprodução e alimentação de diversas espécies marinhas.

Além das mudanças provocadas pelo complexo portuário, a movimentação de grandes embarcações e a intensa atividade humana modificaram a dinâmica da fauna marinha na região. O crescimento urbano ao longo da costa e o lançamento de resíduos nos rios e no oceano também são apontados como elementos que podem influenciar a presença de peixes menores e, consequentemente, de predadores de maior porte próximos ao litoral.

O Corpo de Bombeiros alerta que períodos de maré alta, baixa luminosidade, chuva e água turva são considerados mais favoráveis para a circulação desses animais perto da praia. Nessas situações, a visibilidade diminui tanto para os banhistas quanto para a fauna marinha, elevando os riscos de interações indesejadas.

Por causa desse cenário, Pernambuco mantém um sistema de monitoramento. O Cemit acompanha os registros desde 1992 e o governo estadual investiu, nos últimos anos, em ações de prevenção, pesquisa científica, educação ambiental e sinalização. Em 2025, foram instaladas 150 novas placas de alerta ao longo dos 33 quilômetros da faixa litorânea considerada mais suscetível a incidentes, entre Olinda e o Cabo de Santo Agostinho.

As autoridades reforçam que a convivência segura com o ambiente marinho depende principalmente do respeito às orientações de segurança. Evitar entrar na água em áreas sinalizadas, observar as condições do mar e seguir as recomendações dos órgãos de monitoramento são medidas consideradas fundamentais.

Fonte: Portal Terra
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