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Nem inteligente, nem artificial: Miguel Nicolelis elenca cinco problemas gerados pela IA

Neurocientista internacionalmente renomado participou do Encontro Futuro Vivo nesta terça-feira, 1º, em São Paulo

1 set 2026 - 16h04
(atualizado às 22h30)
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Miguel Nicolelis diz quais são as três grandes funções da IA e que ‘nenhuma vai curar o câncer’:

Quando o assunto é inteligência artificial, Miguel Nicolelis, referência mundial na neurociência e pioneiro na interface cérebro-máquina, vai na contramão dos que a consideram como uma tecnologia essencial e imprescindível para construir um futuro melhor. O pesquisador apelida a IA de “NiNa’: nem inteligente, nem artificial. Durante participação no Encontro Futuro Vivo, nesta terça-feira, 1º, em São Paulo, ele elencou cinco problemas gerados pela inteligência artificial e comentou sobre como é possível seguir sem ela.

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Nicolelis brinca que explicar o que é cérebro, mente e consciência é a pergunta de um trilhão de dólares. “A neurociência é uma disciplina jovem, de pouco mais de 120 anos. Mas quando não sabemos a resposta de algo, podemos começar dizendo o que essa coisa não é: cérebro não é um computador, nunca foi e nunca será. [...] O cérebro opera com a matéria orgânica e tudo com que tem contato altera sua estrutura microscópica”, começa.

Miguel Nicolelis durante Encontro Futuro Vivo
Miguel Nicolelis durante Encontro Futuro Vivo
Foto: Adilson Santos/Encontro Futuro Vivo

Já sobre a mente, ele pontua que não é um algoritmo ou algo computável. “A mente não pode ser reduzida a um programa de computação. É um fenômeno emergente”, continua. Sobre a consciência, ele diz que nem se arrisca: “A definição da consciência é o cálice sagrado da área, ela desafia a todos nós”.

O pesquisador diz que, quanto espécie, não valorizamos todos os grandes mitos da antiguidade onde o criador é devorado pela criatura, e seguimos reproduzindo. “Até agora, todas as ferramentas, tecnologias, eram assimiladas pelo nosso cérebro como extensões do nosso corpo. Agora a tecnologia que nos absorve, que nos simula. E a resistência a isso não é fútil, está nas nossas mãos”, acredita.

Com relação à questão “artificial” da IA, Nicolelis também rebate. “Não é artificial, precisa de milhares de seres humanos trabalhando a troco de centavos para treinar algoritmos, catalogar dados”, afirma. 

A partir disso, como crítico da “NiNa”, ele elenca cinco problemas que considera terem sido agravados exponencialmente com a tecnologia:

1.Perda da confiança. Quer convencer todos nós que somos inferiores à máquina, remover do ser humano a confiança de que ele é capaz de resolver os problemas humanos. Nenhuma IA vai curar o câncer, vão ser os seres humanos que vão curar. Porque se você treina a IA em tudo que já foi publicado, e a solução não está lá, você só vai produzir um futuro sem futuro, você só vai produzir algo baseado no passado;

2. Vigilância completa – nós com um sorriso nos lábios estamos permitindo usar esses baratinhos.

3. Automação. É o primeiro grande papagaio estatístico digital. Uma máquina estatística de completar a próxima palavra e reproduzir desejos. É uma máquina poderosa de automação, mas alucina;

4.Terceirização emocional, antropomorfizam a IA, o que pode acarretar agravamento de problemas psicológicos;

5.Um parasita global. Data centers estão consumindo a água do planeta, contaminando o solo. E não só tem o potencial de degradar o meio ambiente, mas também a mente humana. O cérebro é igual a um músculo: se você não pensar, refletir, escrever à mão, ele atrofia. 

‘É só desligar e esquecer’

Ao Terra, Nicolelis afirma que sobreviveu sem IA a sua vida inteira e dá dicas para quem quer fazer um “desmame” da tecnologia: “Apesar de ter trabalhado com ela em ciência, em pesquisa, mas não uso de forma alguma. Então, é muito simples, é só usar sua mente, confiar no seu taco e exercitar tudo aquilo que a gente aprendeu na escola. É procurar nossas próprias fontes, ler livros, escrever com a mão e basicamente não renunciar à nossa capacidade de pensar por si só ou por si mesmo. É basicamente isso."

Para Nicolelis, o foco é o botão on/off. “É só desligar o celular e esquecer dele. É difícil, mas é que nem parar de tomar Coca-Cola, uma hora você se acostuma”. “Você pega um livro, vai correr, vai olhar pra uma jabuticabeira, vai assistir futebol, vai namorar... Namorar é importante, a espécie precisa. Tem várias formas de ser ser humano. E é muito simples: é um botão chamado on/off”, finaliza.

 

Fonte: Portal Terra
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