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Conceição Evaristo: ‘Foi a biblioteca que fez com que a pobreza material não me fizesse sucumbir’

A autora mineira participou de conversa com o escritor Milton Hatoum durante o Encontro Futuro Vivo, nesta terça-feira, 1º

1 set 2026 - 19h24
(atualizado às 22h29)
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Conceição Evaristo
Conceição Evaristo
Foto: Reprodução/Youtube/Terra Brasil

Uma conversa de sofá sobre literatura, passado e futuro com os escritores Conceição Evaristo e Milton Hatoum encerrou os painéis da segunda edição do Encontro Futuro Vivo, em São Paulo, nesta terça-feira, 1º. No diálogo, eles contaram sobre seus primeiros contatos com a literatura e refletiram sobre suas trajetórias de forma leve e descontraída.

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"Minha casa era cheia de carências, mas cheia de palavras. Minha mãe, minhas tias, minhas irmãs, quatro meninas, que cantam e dançam. Isso me fez uma pessoa muito curiosa, de ficar ouvindo a conversa dos adultos, dos vizinhos. Na escola, ela me dava a possibilidade da fala”, relembra Conceição Evaristo, um dos maiores nomes da literatura brasileira, autora de livros como Olhos d'Água (2014) e Canção para Ninar Menino Grande (2018), defensora da escrevivência.

“O contato com a biblioteca pública foi o que fez com que a pobreza material não fizesse com que eu sucumbisse”, continuou a autora, que irá completar 80 anos neste ano e se considera uma mulher com “juventude acumulada”.

Em paralelo, Milton Hatoum, escritor amazonense, que hoje é membro da Academia Brasileira de Letras e tem obras renomadas como Relato de um Certo Oriente (1989) e Cinzas do Norte (2005), conta que seu primeiro livro foi lido por meio da oralidade, ouvindo pessoas contando histórias quando era pequeno. Depois, leu bons livros numa escola pública. 

Os dois também comentaram sobre como, hoje, há a impressão de que tudo passa muito rápido. Que há pressa. Outro ponto foi como as histórias, que também são retratadas em obras da literatura, parecem fragmentadas atualmente. Já o que os mantém vivos não são, por exemplo, livros de autoajuda – mas a pulsão de vida.

Conceição Evaristo relembra infância: ‘Não nasci rodeada de livros, nasci rodeada de palavras’:

Encontro Futuro Vivo

A segunda edição do Futuro Vivo aconteceu nesta terça-feira, 1º, no Teatro Vivo, em São Paulo, com o objetivo de debater caminhos possíveis para uma transição -- nas áreas ambiental, social e tecnológica -- que coloque pessoas e natureza no centro das decisões. 

O encontro reuniu nomes como o médico e neurocientista Miguel Nicolelis, a escritora Conceição Evaristo, a educadora Nora Bateson, a econometrista Gaya Herrington, o escritor Milton Hatoum e a líder indígena Raquel Tupinambá. Ele começou com uma apresentação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), que tocou “Clube da Esquina nº 2”, e teve abertura de Christian Gebara, CEO da Vivo, que apresentou dados sobre crise climática, transformações tecnológicas e transição verde, além de avanços da empresa em metas de diversidade, circularidade, clima e biodiversidade. Entre as iniciativas destacadas esteve o compromisso de proteger e regenerar, pelos próximos 30 anos, mais de 800 hectares da floresta Amazônica, a chamada Floresta Futuro Vivo, com a meta de plantar 900 mil árvores.

Fonte: Portal Terra
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