Ar-condicionado: item essencial no Brasil, mas luxo nos EUA
Ar-condicionado, essencial no Brasil, é luxo nos EUA. Entenda as razões culturais e econômicas por trás dessa diferença.
O ar-condicionado é um item indispensável na maioria das residências brasileiras, especialmente durante os meses de verão, quando as temperaturas podem ultrapassar os 40°C em várias regiões do país. Para muitos, ele representa conforto e qualidade de vida, sendo encontrado em casas, apartamentos e estabelecimentos comerciais.
Nos Estados Unidos, no entanto, a realidade é diferente. Embora o ar-condicionado seja comum em áreas de clima quente, como o sul da Flórida ou o sudoeste, ele não é tão prevalente em todo o país. Em muitas regiões, especialmente no norte e no meio-oeste, as casas não são equipadas com esse aparelho, devido ao custo elevado e à infraestrutura elétrica insuficiente.
A falta de ar-condicionado nos EUA não é apenas uma questão de conforto, mas também de saúde pública. Durante ondas de calor intensas, como as que afetaram severamente cidades como Nova Orleans, a ausência de refrigeração adequada tem levado a um aumento nas internações hospitalares por causas relacionadas ao calor, como insolação e desidratação.
Além disso, a qualidade do ar piora com o calor, criando um ambiente prejudicial à saúde respiratória e cardiovascular dos americanos. O calor, combinado com a poluição atmosférica, tem aumentado a mortalidade entre pessoas com doenças respiratórias pré-existentes.
O custo das tarifas elétricas para manter o ar-condicionado afeta duramente as economias domésticas nos EUA. Famílias de baixa renda acabam comprometendo até 10% de seus orçamentos apenas para refrigerar suas casas, colocando-as diante de dilemas como pagar pela energia ou atender a outras necessidades essenciais, como alimentos e medicamentos.
Essa situação é agravada pelo insuficiente acesso à energia barata, deixando milhões de cidadãos em risco durante períodos de calor extremo. O número de internações e mortes relacionadas ao calor duplicou nas últimas duas décadas, especialmente em comunidades carentes, onde a falta de ar-condicionado é mais comum.
No Brasil, o ar-condicionado é visto como um item essencial para o bem-estar, especialmente em regiões como o Centro-Oeste e o Norte, onde as temperaturas elevadas são constantes. O acesso à energia elétrica e os custos relativamente mais baixos tornam o uso do ar-condicionado mais viável para a população.
Essa diferença de percepção entre os dois países reflete não apenas questões econômicas, mas também culturais. Enquanto no Brasil o ar-condicionado é associado ao conforto e à qualidade de vida, nos EUA ele é visto como um luxo acessível apenas para uma parte da população.
Por fim, essa disparidade destaca as diferenças nas infraestruturas urbanas e nas condições climáticas entre os dois países, evidenciando como fatores econômicos e culturais influenciam o acesso a tecnologias que, em muitos lugares, são consideradas básicas.