PUBLICIDADE

Somente Áustria 2002? A Ferrari e suas ordens de equipe na F1

Áustria 2002 seja a ordem de equipe mais lembrada da Ferrari na F1. Mas os italianos já agiram antes para “orientar” seus pilotos...

12 mai 2022 16h45
| atualizado às 18h04
ver comentários
Publicidade
Schumacher e Barrichello na chegada do GP da Austria de 2002
Schumacher e Barrichello na chegada do GP da Austria de 2002
Foto: Legendary F1 / Twitter

Hoje fazem 20 anos do famoso “hoje não, hoje sim” da Áustria 2002. Com certeza, algo que não sai da memória dos fãs da F1, especialmente dos brasileiros. Este talvez seja o caso mais marcante de ordens de equipe. Mas a Ferrari já utilizou desta carta outras vezes...vamos lembrar

1956

Fangio e sua Ferrari D50
Fangio e sua Ferrari D50
Foto: Ferrari / Divulgação

Naquele ano, a Ferrari contava com Juan Manuel Fangio em suas fileiras, após a saída da Mercedes. Na maioria das etapas daquele, a equipe alinhou 4 carros por etapa, sendo Fangio, Castelotti e Collins titulares e variação do 4º carro.

Logo na primeira etapa, na Argentina, já houve problema: Fangio largou na frente, mas estava na terceira posição até a volta 29, quando seu carro apresentou uma falha na bomba de combustível. O time pediu para que Luigi Musso, que ocupava o quarto carro, parasse e desse lugar ao argentino.

Embora tenha rodado, Fangio aproveitou-se da quebra dos concorrentes e ganhou a prova. Neste caso, o regulamento permitia esta troca e tanto ele como Musso ganharam os pontos pela vitória (metade para cada um), com o argentino ainda levando o ponto da volta mais rápida.

O campeonato se desenrolou e na última etapa, na Itália, Fangio chegava praticamente com o título nas mãos. A única chance que tinha de perder era ele não pontuar e seu companheiro Peter Collins vencesse a prova.

Fangio largou na pole e estava em terceiro até a volta 16, quando a sua suspensão quebrou. Nesta hora, o título ainda era seu, pois Collins estava na 7ª posição. Mas a Ferrari não queria correr riscos e mandou Luigi Musso parar e fazer a troca com Fangio.

O italiano, que estava em terceiro, se recusou a trocar. Diante disso, a equipe pediu que Collins fizesse a troca. Cavalheiramente e, por se considerar jovem ainda, que poderia ter mais chances, o inglês parou e como se fosse uma parada normal, deu lugar ao argentino. Fangio   então chegou em segundo e garantiu o título...

1964

John Surtees com a Ferrari azul e branca rumo ao título
John Surtees com a Ferrari azul e branca rumo ao título
Foto: Contos da F1 / Twitter

Graham Hill (BRM), John Surtees (Ferrari) e Jim Clark (Lotus) chegavam ao GP do México com chances de título. Para Hill, um terceiro lugar bastaria. Para Clark, somente a vitória bastava e Surtees não poderia chegar em segundo.

O escoces saiu na pole position, com Surtees na 4ª posição ao lado de seu companheiro Lorenzo Bandini. Hill alinhou seu BRM na 6ª posição. Clark largou muito bem e manteve a liderança, enquanto Hill e Surtees caíam para a 11ª e 12ª posição, respectivamente.

Enquanto Clark disparava na frente, Hill escalava o pelotão e obtinha a 3ª posição na volta 30. Era justamente o que ele precisava para ser campeão.  Mas Bandini estava em sua perseguição e atacou o inglês. Os dois se encontraram e a BRM vai parar no guard-rail. Mesmo assim Hill consegue voltar, para no box e tira parte dos escapamentos. Volta à pista mais sem chance alguma.

Neste momento, o título volta para Clark, já que Surtees estava em 4º. Só que faltando 10 voltas, o motor do escoces começa a vazar óleo e Clark vai tentando levar até o final. Dan Gurney, o 2º colocado, tirou a diferença e ultrapassou o escoces na penúltima volta.

A esta altura, a Ferrari havia mandado Bandini reduzir o ritmo e na última volta, Surtees assume o 2º lugar com a passagem dada por seu companheiro e o abandono de Clark. Este resultado lhe deu o título, lembrando que nesta prova, a Ferrari correu com as cores azul e branco, por discordâncias com o Automóvel Clube Italiano.

1979

Scheckter e Villeneuve em Monaco 1979. Esta ordem se repetiu em Monza
Scheckter e Villeneuve em Monaco 1979. Esta ordem se repetiu em Monza
Foto: Ferrari / Divulgação

Naquele ano, a regra do campeonato de pilotos era um tanto quanto diferentona:  O campeonato tinha 15 etapas, mas eram válidos os 4 melhores resultados das 7 primeiras etapas e os 4 melhores resultados das 8 restantes.

Na primeira parte, a Ferrari dominou, embora Jacques Laffite (Ligier) tenha vencido as duas primeiras. Villeneuve venceu 2 e Scheckter mais 2. Como o sul-africano foi mais constante, terminou na frente.

Para a segunda parte, a Williams de Alan Jones cresceu na disputa, vencendo três seguidas. Mas Lafitte seguia na briga, com 3 terceiros lugares seguidos e Scheckter ia pontuando. Até que no GP da Itália, a equipe pede a Villeneuve, que ainda tinha chances de título, não fizesse nada para impedir que Scheckter ficasse à sua frente. Contrariado, o canadense aceitou. Na corrida, Scheckter venceu, sendo escoltado por Villeneuve e praticamente garantiu o título daquele ano.

1982

Pironi e Villeneuve: a F1 e a Ferrari nao seriam as mesmas após esta disputa
Pironi e Villeneuve: a F1 e a Ferrari nao seriam as mesmas após esta disputa
Foto: Legendary F1 / Twitter

Após 1979, Villeneuve achava que tinha status de primeiro piloto na equipe e acreditou piamente nisso até o GP de San Marino, quando a Ferrari indicou no fim da prova que Villeneuve e Pironi mantivessem suas posições, após muitas brigas ao longo da prova. Só que Pironi não quis saber e passou Villeneuve na última volta.

Esta ação gerou festa para a torcida, porém uma grande crise na Ferrari, que desembocou em um final trágico de temporada, que contamos aqui.

1999

Michael Schumacher havia quebrado a perna em Silverstone e a Ferrari teve que colocar suas fichas em Eddie Irvine para a disputa do título. Mika Salo assumiu o posto de segundo piloto e o irlandês foi para a briga com Mika Hakkinen. Na penúltima prova, na Malásia, Michael Schumacher voltou para o posto.

Por mais louca que seja a situação, a Ferrari priorizou Irvine. Embora Schumacher tenha sido pole e largado na frente, logo na 3ª volta foi feita a troca de posições, já que Irvine estava em segundo, e o alemão fez o papel de batedor a prova toda, mesmo mais á frente, quando Hakkinen ficou em 2º.

Mesmo assim, Irvine e a Ferrari perderam o campeonato, pois no Japão Hakkinen venceu e o irlandes ficou em 3º, ficando dois pontos atrás do finlandês.

2002

Barrichello e Schumacher cruzam a linha de chegada em Indianápolis 2002
Barrichello e Schumacher cruzam a linha de chegada em Indianápolis 2002
Foto: F1 / Twitter

Após a patuscada da Áustria, havia a necessidade de uma resposta da Ferrari e de Michael Schumacher. E ela veio em Indianápolis: Na última volta, o alemão abriu passagem para que Barrichello o passasse. O brasileiro ainda ficou na dúvida, tirou o pé do acelerador, mas chegou 11 milésimos à frente. Oficialmente, é a segunda menor diferença da história da F1 e foi uma iniciativa de Schumacher.

2010

Esta é outra que dói para os brasileiros. No GP da Alemanha, Felipe Massa e Fernando Alonso vinham juntos e o brasileiro liderava a prova, controlando o espanhol. Até que na volta 48, veio a famosa frase da Ferrari para Massa “Felipe, Fernando é mais rápido que você. Você pode confirmar que entendeu a mensagem?”. Na volta seguinte, Massa deu passagem ao espanhol.

Alonso venceu a prova e se colocou mais próximo na disputa do campeonato. E Felipe Massa ficou desvalorizado na questão interna da equipe.

 

Parabólica
Publicidade
Publicidade