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Ricciardo: “Ainda quero ganhar um título mundial de F1”

No entanto, o piloto da McLaren afirma que já lida bem com a possibilidade de não realizar o sonho e que aprendeu a se cobrar menos

20 out 2021 15h26
| atualizado às 16h47
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Ricciardo ainda carrega o sonho de ser campeão mundial
Ricciardo ainda carrega o sonho de ser campeão mundial
Foto: McLaren / Twitter

O longo período de domínio da Mercedes na Fórmula 1, que já dura desde 2014, permitiu a Lewis Hamilton atingir números históricos e quebrar vários recordes que pareciam inalcançáveis. Mas o sucesso de uma única equipe e praticamente só um piloto tem algumas consequências ao esporte, e uma delas é limitar as chances de outros pilotos gravarem seus nomes no panteão dos campeões. 

Daniel Ricciardo é um dos que teve sua chance negada pelo domínio da Mercedes até o momento. O australiano ganhou os holofotes justamente em 2014, quando foi promovido da Toro Rosso à Red Bull e, já em sua primeira temporada no time, venceu três corridas e terminou o campeonato em 3º, à frente de seu colega Sebastian Vettel, que havia sido recém-coroado tetracampeão. 

Depois de um ano ruim da equipe em 2015, mais um 3º lugar entre os pilotos em 2016, e mais vitórias em 2017 e 2018. No entanto, apesar do bom desempenho, das vitórias, pódios e da fama conquistada de um dos pilotos que melhor ultrapassa na categoria, Ricciardo nunca pôde, de fato, competir contra os carros da Mercedes. Já desgastado na Red Bull, ele optou por abraçar o projeto da Renault, onde ficou por dois anos. Mas, com um carro ainda menos competitivo, ele pouco pôde fazer. 

O piloto admite que se cobrava e sentia certa frustração por não conseguir conquistar o tão sonhado título mundial: “Houve uma época em que eu estava um pouco amargo, tipo, ‘eu já deveria ter um título, isso é um saco, lugar errado, hora errada’, coisas assim”, contou ao podcast Beyond The Grid, promovido pela F1. 

Ricciardo fez questão de afirmar que ainda mantém vivo o sonho de ser campeão, mas já lida melhor com a possibilidade de não conseguir: “Talvez seja o amadurecimento, mas não penso mais dessa forma. Ainda estou aqui porque acredito que posso ganhar um título, e quero ganhar, mas estou em paz com o que quer que aconteça.” 

Esse ano, Riccardo se mudou para a McLaren, que se mostra mais competitiva do que a Renault foi nos últimos anos, mas ainda está longe de poder brigar por título. “Digamos que eu fique na McLaren por 5 anos e não consigamos ganhar um título, eu vou não olhar para esse período como um fracasso. Talvez essa seja a mudança de pensamento que eu fiz. Não me entenda mal, isso não vai me fazer menos focado ou menos motivado, mas eu quero curtir meu tempo nesse esporte.” 

Em seu começo na McLaren, o australiano apresentou dificuldades para acompanhar o ritmo de seu novo colega, Lando Norris, 9 anos mais jovem. Mesmo assim, foi ele que conquistou a única vitória da equipe na temporada até o momento, com uma performance dominante no GP da Itália. Além dos importantes pontos no campeonato, a primeira vitória desde 2018 serviu para relembrar Ricciardo de que a Fórmula 1 é mais do que somente ser campeão. 

“O objetivo é ser campeão mundial, e acho que é por isso que eu acordo toda manhã com esse desejo”, falou ao podcast. “Mas não quero que isso dite minha felicidade. Vencer em Monza foi, provavelmente, tudo que eu precisava para me dar toda a felicidade em 2021. Também provou que você pode conseguir muito não só com o título.” 

Por fim, Ricciardo admitiu que o medo de se frustrar o fez repensar a cobrança sobre si mesmo: “Eu só não quero apostar tudo em uma única coisa e depois ficar mal pelo resto da minha vida porque não consegui.” 

Aos 32 anos, Ricciardo tem contrato com a McLaren até 2023. Ainda há tempo para ele ser campeão, especialmente considerando o fato de que, com o regulamento novo que entrará em vigor no ano que vem, é possível que haja uma troca de forças entre as equipes e a McLaren surja como potência novamente. Mas não será fácil: o último piloto a conquistar seu primeiro título com idade igual ou superior à de Ricciardo hoje foi Damon Hill, que tinha 36 anos em 1996.

O que diz a equipe do Parabólica:

Sergio Milani:
"Ricciardo tem que pensar que ainda pode sim voos mais altos. E acredito que sua grande esperança está na grande embaralhada que será dada em 22 com o novo regulamento.
A sua fala dá um equilíbrio e tira um pouco a pressão. Mas ele sabe que muitos o vêem como um bom piloto mas que falta o algo mais para ser campeão. Muitos encararam a sua saída da Red Bull como uma "falta de apetite" em disputar espaço e a sua passagem pela Renault muito aquém do esperado.
Se a McLaren lhe der um bom carro, pode sonhar. Mas vai ter que combinar com Lando Norris primeiro. Só que já vi o australiano com mais pinta de vencedor em outros tempos..."

Sergio Quintanilha:
"Daniel Ricciardo faz bem em sonhar, mas acredito que seu tempo de ser campeão do mundo já passou. Em 11 temporadas na Fórmula 1, Daniel só foi realmente competitivo em duas: 2014 e 2016, quando obteve metade de suas 8 vitórias. É pouco. Rápido ele é. Ninguém faz pole em Mônaco se não for rápido. Daniel fez duas. Mas ele já está numa fase descendente de sua carreira, com enormes dificuldades de se adaptar ao carro, enquanto uma avalanche de novos pilotos têm o mesmo objetivo que ele: Lando Norris, George Russell, Pierre Gasly e Charles Leclerc são exemplos. Somente um piloto na história conseguiu ser campeão depois de 12 temporadas: Nigel Mansell (com um carro espetacular). Não acredito que Daniel repita a façanha."

Parabólica
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