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Kimi Raikkonen, o homem que não vai sentir saudades da F1

Recém-aposentado, Kimi Raikkonen fala sobre o incômodo que o lado político do esporte lhe causava: “Muita falsidade”

21 jan 2022 17h45
| atualizado às 18h07
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Raikkonen "anuncia" a própria aposentadoria durante seu último fim de semana na F1
Raikkonen "anuncia" a própria aposentadoria durante seu último fim de semana na F1
Foto: Alfa Romeo / Twitter

Kimi Raikkonen se aposentou da Fórmula 1 ao final da temporada 2021 como o piloto mais experiente da história da categoria, com um total de 349 largadas. Com passagens por Sauber, McLaren, Ferrari, Lotus e Alfa Romeo, o finlandês conquistou 21 vitórias ao todo e um título mundial, em 2007 pela Ferrari. 

Não foi só dentro do carro que Kimi fez sucesso. O jeitão peculiar, aparentemente desinteressado, quase sempre de respostas curtas e cara fechada, alheio à toda a mídia que envolve a categoria, se tornou uma marca registrada e acabou por lhe transformar num dos pilotos mais populares dos últimos anos. 

Raikkonen nunca escondeu de ninguém que não se importava muito com o que acontecia fora do carro. Pode até parecer um contrassenso pensar que o piloto que por mais tempo esteve presente na F1 não se sentia confortável naquele o ambiente, mas era justamente isso que acontecia. Coisas de Kimi Raikkonen. 

Em entrevista concedida à Autosport durante o fim de semana do GP de Abu Dhabi (o último de sua carreira na F1), mas publicada apenas recentemente, Kimi falou sobre como a política e o dinheiro têm peso no mundo da categoria, e como isso o incomodava. Bem ao seu estilo de responder sem responder direito, ele resume todo o jogo político e de interesses da F1 como “bobagem” em sua resposta. 

“Muita coisa não faz sentido, pelo menos na minha cabeça”, contou. “Todo tipo de bobagem que acontece. A gente sabe disso, mas ninguém fala. São coisas que nem deveriam estar lá”. Sem especificar exatamente o que seriam tais “coisas”, Kimi continua: “Muita coisa é falsidade aqui. Para mim, é bom estar fora. Mentalmente, é muito bom ficar fora de toda essa bobagem. Há muito mais bobagem do que as pessoas veem de fora.” 

O finlandês não tem dúvidas ao apontar o que considera o maior causador desse tipo de situação que tanto lhe incomodava: “Dinheiro, com certeza. O dinheiro mudou as coisas, como em qualquer esporte. Quanto mais dinheiro você coloca, mais política. Em geral, em qualquer país, existem ‘jogos’ que as pessoas não conhecem até que estejam dentro de tudo.” E prosseguiu: “Com certeza, o dinheiro tem grande participação nisso. E poder. Imagino que as pessoas queiram ter poder, e essas coisas.” 

Para ele, isso é antigo na F1. O que mudou foi apenas a percepção do público: “É assim há muitos, muitos anos. Só que as pessoas percebem mais agora.” 

Segundo Kimi, a receita para não se estressar é simples: “Não me envolvo. Sei muitas coisas que acontecem, mas não me envolvo. Se você se envolve nisso todo dia, não acho que vá ser saudável para você.” 

Sem plano para o futuro 
Kimi chegou a tirar um período sabático da Fórmula 1 entre 2010 e 2011, mas ocupou seu tempo participando de ralis, NASCAR e outras categorias. A situação agora é diferente. Em sua segunda fase na F1, Kimi deixou o lado festeiro para trás, se casou e constituiu família. Agora, essa é sua prioridade. 

“Não quero fazer planos, porque é a primeira vez em muito, muito tempo que meu calendário de trabalho não dita minha vida inteira. Antes só a minha, agora da minha família também”, contou. “Estou ansioso por esse momento, e por isso não quero fazer grandes planos. Vai ser legal ter um tempo em casa, as crianças estão esperando por isso. E minha esposa também. Não vou mais precisar falar ‘estou aqui, estou ali’, ficar por uma semana e depois ir de novo.” 

A falta de planos é tamanha que Kimi não sabe dizer se o GP de Abu Dhabi foi sua última corrida no automobilismo. Perguntado, ele respondeu: “Pode ser [a última], facilmente. Mas, por outro lado, pode ser que eu esteja completamente errado”. 

Isso porque ele se diz aberto receber convites no futuro: “Tenho certeza que as pessoas vão vir com oportunidades legais que possam surgir. E se alguma delas fizer sentido, por que não? Mas, primeiro de tudo, preciso ter um tempo longe.” 

Descanso mais que merecido, depois de tanto tempo aguentando as “bobagens” da F1, presenteando os fãs com sua pilotagem do mais alto nível e encarnando o anti-herói favorito do público - tudo que compõe a persona Kimi Raikkonen. Suas últimas declarações mostram alguém absolutamente seguro da decisão de parar. A carreira vitoriosa cumpriu seu ciclo, e a rotina estressante já não cabia mais na vida do pai Kimi. Ele dá sinais claros de que não sentirá saudades da Fórmula 1. Mas a Fórmula 1 e os fãs, seguramente, sentirão saudades de tê-lo por perto.

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