Como Alonso mudou seu estilo para ganhar títulos na F1
Além de ter um ótimo carro à disposição, Alonso mudou seu estilo de direção para fazer os pneus funcionarem melhor e ter vantagem na F1
Quando ganhou seus títulos na F1 em 2005 e 2006, Fernando Alonso mostrou um estilo de pilotagem insólito até então. Ele usava ângulos de direção muito grandes para poder gerir as temperaturas dos pneus dianteiros da melhor forma.
O amigo Mirko Bartolozzi, dono do perfil F1 Data Analysis, se debruçou sobre o assunto e trouxe uma visão técnica do tema, que trazemos aqui com a devida autorização do autor.
Para entender isso, temos que voltar no tempo. Para a temporada de 2005, a FIA mudou os regulamentos e os pneus tinham que ser os mesmos para a qualificação e a corrida. Diante da proibição das paradas de box, Michelin e Bridgestone endureceram os compostos para que pudessem durar este período.
Isso resolvia a questão da corrida, mas criava um grande problema para fazer os pneus chegarem a um ponto razoável de uso nos treinos. Àquela altura, a Renault usava os pneus Michelin e já tinha um bom resultado de tração.
Mas com a introdução do amortecedor de massa, o que era bom, ficou melhor. Basicamente, era um bloco ligado ao chassi através de uma mola e compensava a oscilação do carro quando este passava em zebras e ondulações.
Pelas características, quando a aderência traseira é maior do que a dianteira, o carro saí de traseira. Aí, os pneus dianteiros deslizam mais do que os traseiros, fazendo o carro ter uma trajetória mais aberta das curvas. Assim, quando chega na saída da curva, a transferência de carga longitudinal acaba piorando a situação como as cargas verticais sobre os pneus traseiros.
Mas Alonso achou uma maneira de transformar isso em uma vantagem: ele abordava a curva normalmente. Então virava o volante de maneira bem agressiva bem antes do apex da curva, levando o carro a deslizar mais na frente.
Fazendo isso, ele conseguia aumentar muito a temperatura dos pneus dianteiros. Quanto maior o anglo de deslize, maior a potência térmica gerada. Esta técnica era usada principalmente em baixas velocidades, quando a pressão aerodinâmica era menor. Como o desgaste era considerável, controlar a temperatura dos pneus era algo bem crítico.
As características dos Michelin, que tinham uma construção mais rígida do que os Bridgestone (para compensar os compostos ligeiramente mais macios), ajudaram a potencializar este estilo de condução, que não foi mais visto depois de 2006, justamente pelo fato dos franceses terem saído da F1 e os pneus japoneses foram usados por todos.
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