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As academias e a F1: procuram-se vagas para jovens pilotos

Não é só a Red Bull que tem problemas para dar acesso de seus pilotos para a F1. As academias em geral batem na questão de falta de vagas

3 jun 2022 - 11h58
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A F1 cresce em valores, mas não em vagas. Isso é um problema para os jovens valores
A F1 cresce em valores, mas não em vagas. Isso é um problema para os jovens valores
Foto: Pirelli / Divulgação

Historicamente, chegar na F1 não é puramente uma questão de talento. Há a oportunidade e obviamente a mala cheia de dinheiro. Nos últimos anos, fazer parte de uma academia de desenvolvimento de pilotos tornou-se uma condição muito importante para entrar neste grupo restrito.

A F1 tem tido uma grande renovação nos últimos tempos. Isso juntamente com o aumento da vida útil dos pilotos e a restrição de equipes acabou por diminuir a disponibilidade de vagas na categoria. Isso acaba tornando a vida dos jovens pilotos cada vez mais complicada e ser campeão das categorias de base não é garantia alguma de promoção (Oscar Piastri e Nyck De Vries que o diga).

Temos que pensar que as academias acabam servindo como um esquema semelhante aos times de futebol: eles vão trabalhando em cima da quantidade, identificando jovens talentos desde cedo e direcionando para chegar ao topo. Mas até lá, muita coisa acontece e poucos conseguem atingir o objetivo em sua totalidade.

Anteriormente, abordamos um pouco mais a fundo a questão da Red Bull. Hoje, ela tem 4 pilotos de seu programa na F2: Juri Vips, Liam Lawson, Jehan Daruvala, Dennis Hauger e Ayumu Iwasa. Destes, Hauger e Iwasa tem a perspectiva de mais longo prazo, já que estão em sua primeira temporada. Os demais, já tem um bom tempo na categoria e ficam cada vez mais pressionados para subir, mas em que vaga? (ver aqui)

Só que este não é um problema unicamente da Red Bull. Outro exemplo é Oscar Piastri, que venceu a F2 ano passado e não conseguiu uma vaga de titular. Guanyu Zhou também era membro da academia, mas acabou por conseguir subir pela força do dinheiro chinês. Hoje, na F2, Jack Doohan é o mais próximo da F1 e já fez um teste no Bahrein, podendo figurar em algum Treino Livre. O mesmo acontecendo com Olli Caldwell, mas que não tem nem parte da capacidade dos demais pilotos, até mesmo os da F3.

A Mercedes é um caso curioso: Russell foi a grande vitrine do programa até agora e ela conta com Nyck De Vries, que já andou na Williams em Barcelona, podendo aspirar a algum posto para 2023. Mas ainda tem o dinamarquês Frederick Vesti na F2, campeão da F3 Regional Europeia em 2019 (batendo Enzo Fittipaldi) e que vem tendo um desempenho abaixo do esperado. Tirando ele, somente Andrea Kimi Antonelli na F4.

A Sauber conta com um programa interessante e que conta com Theo Pourchaire como estrela. O francês já mostrou capacidade e já tem pontuação para obter a Superlicença. Certamente deve aparecer em um Treino Livre esta temporada. Mas Frederic Vasseur teria cacife para bancar sua titularidade? A conferir

A Ferrari já contou com um encavalamento no final do ano quando Robert Shwartzman e Callum Ilott também atingiram condições para a Superlicença e não tiveram oportunidades de subir. O russo não quis fazer mais um ano de F2 e está agora em aguardo, ainda mais com a situação Rússia e Ucrânia, seguindo no programa. Já o inglês foi tentar a sorte na Indy. Marcus Armstrong também foi dispensado. Formalmente, Mick Schumacher segue na academia...

A Williams resolveu retomar o seu processo de formação de pilotos, trazendo inicialmente Jamie Chadwick e o israelense Roy Nissany. Dan Ticktum, ex-Red Bull, havia sido incorporado ao grupo no ano passado e foi dispensado. Para este ano, o americano Logan Sargeant tomou parte. Hoje, a equipe diz que a questão financeira foi controlada e pode pensar mais livremente. Mas a ver como será o tratamento: Latifi sai? A Mercedes impõe mais uma vez um piloto? A Red Bull segue influindo além de Albon? E a possibilidade Piastri? Estas são as perguntas, já que Chadwick ainda dependeria de mais pontos para a SL (tem 15 hoje), Nissany precisaria de pelo menos um 4º lugar na temporada e Sargeant teria que obter pelo menos um 5º lugar na F2.

McLaren está reconstruindo o seu programa de pilotos, mas não conta com ninguém no curto prazo. Aston Martin e Haas não contam com um programa estruturado.  Os americanos chegaram no início da sua operação estruturar um esquema de pilotos, mas hoje repousam sua confiança no programa da Ferrari.

A situação não é simples e todos os envolvidos no processo devem observar com cuidado este quadro. A perspectiva de abertura de vagas melhora para 2024. 2023 pode até permitir a abertura de algumas lacunas, mas existem muitas condicionantes. O quadro, seguindo desta forma, caminha para a desidratação dos programas de formação de pilotos diante das restrições de vagas na F1. Ou ainda manter o programa e abrir o escopo para demais categorias de alto nível.

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