Nem prompt, nem hype: o que vai legitimar novas marcas de IA é a verdade
Estamos no meio de uma mudança de era que parece técnica, mas é profundamente cultural. A inteligência artificial deixou de ser tema de mesa-redonda e virou parte da rotina: está no celular, na planilha, no trabalho e, aos poucos, nas decisões que tomamos sem perceber. Mas junto com o fascínio vem uma certa histeria coletiva. Entre futurologias apocalípticas e teorias de dominação das máquinas, é fácil esquecer que a IA não chegou de foguete, e sim de WhatsApp.
O curioso é ver como o mercado reage. Empresas querem desesperadamente parecer prontas para essa nova era, mesmo quando muitas ainda não entenderam o que isso significa. Outro dia, um amigo, economista de um grande banco, me contou que o uso de IA entrou como meta no farol que define o bônus anual dele. Perguntei como ele ia fazer isso. Ele respondeu: "Nem eu sei, e acho que ninguém sabe". É um bom retrato do momento. Quem tem mais de quarenta anos sente um certo déjà-vu. Lá atrás, as companhias se debatiam entre a digitalização e o medo das nativas digitais. Hoje, a história é igual com novos nomes. A diferença é que o tempo é outro. A transformação é mais rápida, mais invisível, e igualmente inevitável.
E no meio desse cenário surgem startups que nasceram dentro da lógica da IA, e que não a usam como ferramenta, mas sim como estrutura. Elas não precisam "adotar" inteligência artificial porque foram criadas por causa dela. E aí mora o novo dilema: como ser uma companhia de IA sem parecer uma companhia sem alma? Como construir uma marca que seja tecnológica e, ainda assim, profundamente humana?