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Você ainda vai ter um Peugeot. E vai se orgulhar disso

Análise: agora administrada pela Stellantis, Peugeot vai ganhar novos motores, melhor atendimento na rede e preços mais justos

17 jul 2021 06h00
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Peugeot 3008.
Peugeot 3008.
Foto: Peugeot / Stellantis

A Peugeot vai passar por uma revolução no Brasil. Na verdade, ela já começou. Agora administrada pela Stellantis, a Peugeot é o grande desafio do grupo que surgiu com a fusão das antigas FCA (Fiat Chrysler) e PSA (Peugeot Citroën). Recentemente, a Peugeot reajustou seus preços… para baixo! Os carros foram reposicionados e ficaram até R$ 9 mil mais baratos.

O caminho para que a Peugeot rompa a resistência dos consumidores, fazendo com que eles tenham orgulho de possuir um carro da marca, está só no começo. Se você hoje torce o nariz para a marca francesa, por causa de experiências ruins no passado, acredite: não será surpresa se você ainda tiver um Peugeot e se orgulhar disso. A Stellantis trabalha em cinco frentes para que isso aconteça.

1. Preços justos
A Stellantis é uma gigante do mercado brasileiro e mundial. No Brasil, já deixou para trás as poderosas General Motors e Volkswagen. Com maior poder de compra do que a antiga PSA, a Stellantis pode negociar melhor com fornecedores, ganhando no volume com pedidos que envolvem também as marcas Citroën, Fiat e Jeep.

Na visão da Stellantis, o carro pode ter um alto valor, mas precisa ser competitivo. Por isso, uma das primeiras atitudes da nova direção foi reajustar os preços do Peugeot 208 para baixo. Com isso, o carro -- que ainda usa um defasado motor 1.6 aspirado -- ficou mais competitivo e pode ganhar mercado nas vendas diretas, uma das grandes forças da Fiat e da Jeep.

Peugeot 208.
Peugeot 208.
Foto: Peugeot / Stellantis

Para facilitar a vida dos consumidores e também os processos de produção e comercialização, a linha Peugeot passar a ser mais enxuta, com versões realmente necessárias, bem posicionadas e de fácil identificação para os clientes.

2. Motores mais eficientes
Dentro de uns dois anos, os carros da Peugeot poderão usar os mesmos motores que já começam a equipar os modelos da Fiat e da Jeep. Um deles é o 1.3 turbo flex de 185 cavalos. Esse motor poderá equipar o SUV 2008 em substituição ao atual 1.6 THP, de 173 cavalos. Além de ter uma produção mais barata, devido à escala, o novo 1.3 turbo será mais eficiente do que o 1.6 THP.

Para o Peugeot 208, o motor que caiu como luva será o  novo 1.0 turbo de 3 cilindros, da mesma família GSE do 1.3 de 4 cilindros. Ele também será produzido em Betim (MG). Espera-se que ele seja mais potente do que o atual 1.6 aspirado da Peugeot (118 cavalos). Algo em torno de 125 cv já deixará o 208 melhor. Mas o maior ganho virá no consumo. O novo 208 tem uma carroceria excepcional, mas o consumo é relativamente alto porque o motor é defasado.

Peugeot 2008.
Peugeot 2008.
Foto: Peugeot / Stellantis

3. Origem francesa
Da mesma forma que a Fiat foi reposicionada para explorar sua origem italiana, a Peugeot receberá um trabalho de marketing para marcar as virtudes de sua origem francesa. Na Europa, a Peugeot é muito respeitada por sua história. Recentemente, o logotipo foi renovado para dar mais ênfase ao Leão (saiu o corpo, ficou só a cabeça).

A participação da Peugeot em competições de longa duração também poderá ser explorada pela marca no Brasil, caso os resultados esperados para o hipercarro 9X8 nas 24 Horas de Le Mans sejam confirmados. A inovação também é uma característica forte da Peugeot, mas não havia dinheiro para esse trabalho no Brasil.

Peugeot 308 SW.
Peugeot 308 SW.
Foto: Stellantis / Divulgação

4. Linha completa
Em breve a Peugeot começará a fabricar no Uruguai sua inédita picape Landtrek. A partir de sinergias com as picapes da Fiat e até da Ram, a Peugeot vai reforçar sua imagem de marca generalista. Estar presente no mercado de picapes será duplamente vantajoso: a Stellantis enfim terá um modelo para disputar diretamente com as tradicionais Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger no segmento de picapes médias.

Como a Peugeot tem uma boa força no mercado de veículos comerciais (também importados do Uruguai), é possível até que a marca ganhe uma picape de pequeno porte, como a Strada. Vale lembrar que a Peugeot já teve dois modelos nesse segmento: a saudosa 504 Pick-up (carregava 1,3 tonelada) e a Hoggar (que não vingou no Brasil). Nesse caso, bastaria à Stellantis utilizar a mecânica da nova Fiat Strada e adotar o visual interno e externo com o design da Peugeot. A produção seria em Betim (MG) e não em Porto Real (RJ).

Peugeot 208 Hoggar.
Peugeot 208 Hoggar.
Foto: Renato Aspromonte / Projeção

O novo SUV 3008, que acaba de ser lançado, também tem forte apelo para a marca. Trata-se de um SUV médio com grande potencial, por seu design primoroso e suas soluções mecânicas muito interessantes. É um carro que receberia muito bem o motor 1.3 turbo do Jeep Compass. Hoje, o Peugeot 3008 é vendido com o motor 1.6 THP a gasolina, com 165 cavalos.

5. Rede mais forte
Nos últimos anos, a Peugeot modificou toda sua rede de atendimento. Os problemas que aconteceram no passado foram fundamentais para que a antiga PSA adotasse novos critérios (mais rígidos) de atendimento no pós-venda. Porém, nesse aspecto, a PSA não tinha o fôlego e a expertise que a Peugeot agora terá, utilizando as mesmas práticas que garantem o sucesso comercial da Fiat.

Também haverá uma postura comercial mais agressiva. O passo inicial foi dado com a entrada da Peugeot nas vendas diretas. Com isso, a marca teve em junho o seu melhor mês no ano. Muitos consumidores trocaram a espera pelo novo Chevrolet Onix (fora de produção) pelo novo Peugeot 208. Também espera-se que em breve a Peugeot faça parte da plataforma de assinaturas Flua, que atualmente oferece veículos apenas da Fiat e da Jeep.

Nova concessionária Peugeot
Nova concessionária Peugeot
Foto: Peugeot / Stellantis

Em maio, o Peugeot 208 teve a melhor venda dos últimos 42 meses. A Stellantis pretende ser mais forte também nas séries especiais, explorando todas as oportunidades para que o 208 se torne um carro não apenas bom de guiar, mas também valorizado pelo mercado e, portanto, desejado. No primeiro semestre, com 149% de crescimento, a Peugeot foi a marca que mais cresceu no mercado brasileiro.

A primeira fase do projeto é a mais difícil, pois é preciso “trocar o pneu do carro com o carro em movimento”, como disse um analista da indústria automobilística. A nova geração de automóveis, entretanto, já vai estar planejada para operar junto com a Fiat, a Jeep, a Citroën e a Ram, em termos industriais e comerciais. Por isso, a Peugeot se candidata a substituir a Ford no ranking top 10 de marcas. Atualmente, ela está em 12º lugar, logo atrás da Caoa Chery.

Com carros bonitos, modernos, potentes e econômicos, uma rede de atendimento confiável e uma marca orgulhosa de sua origem francesa, a Peugeot passará a produzir carros valorizados pelo mercado. Assim, quem possuir um Peugeot estará satisfeito e orgulhoso. A ideia é essa. O plano está em ação. O futuro dirá se deu tudo certo conforme os sonhos da Stellantis.

Peugeot Landtrek.
Peugeot Landtrek.
Foto: PSA / Divulgação
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