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Brasil recupera sexta posição no ranking mundial de carros

Anfavea divulga estudo que mostra os principais números da indústria automobilística em 10 anos. Veja as principais mudanças

6 fev 2020
18h37
atualizado às 18h41
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A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) apresentou em sua segunda entrevista coletiva do ano um estudo com os principais dados da indústria automobilística. O Brasil passou de oitavo para sexto lugar no ranking mundial de vendas de carros, com 2,7 milhões de licenciamentos, contra 2,6 milhões da França e 2,5 milhões do Reino Unido. Apesar da recuperação, o Brasil ainda está distante do quarto lugar que manteve durante metade da década passada, de 2010 a 2014. Hoje essa posição é ocupada pela Índia, com 4,4 milhões de veículos leves vendidos.

O Brasil subiu no ranking mundial, mas já esteve melhor.
O Brasil subiu no ranking mundial, mas já esteve melhor.
Foto: Anfavea / Divulgação

Na produção automobilística, porém, o Brasil continua em nono lugar, com 2,9 milhões de unidades fabricadas em seu território. Nesse ranking está mais fácil recuperar a posição ocupada de 2010 a 2013, que foi o sétimo lugar. Com a crise econômica, o Brasil caiu para nono lugar de 2015 a 2017. Ao apresentar o estudo, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse: “Os anos 2010 foram um teste sem precedentes à resiliência da indústria automotiva nacional, e a década de 2020 dá todos os sinais de que será a mais disruptiva na história do nosso setor e da mobilidade”.

Faz sentido. Afinal, segundo a Anfavea, a indústria automobilística inicia os anos 20 com um cenário completamente diferente do que iniciou os anos 10. Segundo o Google Play, o Brasil possui atualmente 253 aplicativos de transporte. Para além da revolução da mobilidade, que tem afastado muita gente da compra de um automóvel, a indústria ainda enfrenta o crescimento das vendas diretas, que é formada por seis tipos de clientes: governo, táxi, frotista, produtor rural, locadora e PcD.

A participação das vendas diretas é um fenômenos mais sérios.
A participação das vendas diretas é um fenômenos mais sérios.
Foto: Anfavea / Divulgação

Este último nicho foi o que mais cresceu, impactando de forma dramática nas margens de lucro das montadoras. Em 2010, as vendas diretas de automóveis e comerciais leves representavam 23%, sendo que apenas 1% era relativo ao público PcD. Em 2019, as vendas diretas foram de 45%, sendo 8% para PcD. A Anfavea também mostrou um comparativo com as modalidades de pagamentos no Brasil e em alguns países. Segundo dados colhidos junto à ANEF, Deloitte e Experian, o financiamento de carros no Brasil é de apenas 53%. Mas fica entre 81% e 89% em países como França, Espanha, Itália, EUA e Reino Unido. “Várias empresas terceirizam suas frotas, muitos motoristas de aplicativos usam carros de locadoras, e assim esse canal de vendas torna-se fundamental para o setor automotivo”, disse o presidente da Anfavea.

Evolução dos equipamentos nos carros nacionais.
Evolução dos equipamentos nos carros nacionais.
Foto: Anfavea / Divulgação

Todo esse panorama, segundo Luiz Carlos Moraes, fez a indústria automobilística atravessar a década com uma curva ascendente nos investimentos e descendente no faturamento. Ou seja: diante de uma queda de 35% no faturamento, a indústria investiu 24,1 bilhões de dólares no setor, considerando a entrada líquida de capitais. Nos últimos dez anos, 16 fábricas foram inauguradas no país. Atualmente, segundo a Anfavea, a setor possui 67 fábricas em 10 Estados: Ceará, Pernambuco, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mais de 2.400 versões de veículos são produzidos atualmente no Brasil.

As vendas de carros por segmento mostra a mudança na preferência do consumidor.
As vendas de carros por segmento mostra a mudança na preferência do consumidor.
Foto: Anfavea / Divulgação

Ao longo da década, 5,1 milhões de veículos foram importados, o que representou 17% dos licenciamentos. Só da Argentina vieram 2,638 milhões de veículos. O país vizinho produz atualmente 6% dos carros comprados pelos brasileiros (chegou a ser de 11%). A segunda origem dos carros que rodam no Brasil é o México (2%), seguido da Alemanha (1%). A Coreia do Sul também vende muitos carros para o Brasil, mas sua participação caiu de 5% para menos de 1%.

Quanto às exportações, a Argentina é também o primeiro destino dos carros brasileiros, com 49%. Mas em 2018 era de 70% e em 2013 chegou a ser de 81%. Com a crise na Argentina, o México cresceu, passando de 9% para 17%. A Colômbia também triplicou sua participação, passando de 4% para 12%, assim como o Chile, que dobrou (de 4% para 8%), mas não porque tenham comprado mais carros e sim porque as exportações caíram e seus percentuais subiram. Só com a recuperação da economia argentina as exportações podem voltar a subir num curto prazo. No total da década, foram 5,2 milhões de veículos exportados.

A variação dos impostos nos carros nacionais.
A variação dos impostos nos carros nacionais.
Foto: Anfavea / Divulgação

Luiz Carlos Moraes também enfatizou que os carros brasileiros nunca estiveram tão bem equipados. Segundo a Bright Consulting, itens como controle de estabilidade, câmera de ré, controle de velocidade (piloto automático), câmbio automático, central multimídia e ar-condicionado cresceram de forma contínua nos carros, passando de índices muito baixos, como 2% e 3% para índices como 45%, 49% e até 97%. Até a preferência por cores mudou. Segundo a Anfavea, o branco tomou o lugar do cinza. Assim, a monótona combinação preto/prata/cinza, que representava 73% das vendas em 2010, caiu para 47% em 2019. A cor branca, sozinha, representa 43% das vendas de carros.

Cor branca: a preferida pelos consumidores brasileiros.
Cor branca: a preferida pelos consumidores brasileiros.
Foto: GM / Divulgação

Na visão de Luiz Carlos Moraes, a década conturbada deixou várias lições. “Há muito espaço para melhorar as formas de financiamento de veículos, aumentar a competitividade, ampliar as exportações e explorar o potencial criativo da indústria instalada no país”, disse o presidente da Anfavea. “Só assim cresceremos de forma consistente, sustentável, gerando empregos de qualidade e surfando nas novas tendências de mobilidade conectada.”

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