Anfavea: nova previsão de vendas é de 1,9 milhão de veículos
Depois de prever enorme queda em julho, Anfavea revê os números da indústria automobilística e aponta mercado total com -31% em 2020
A indústria automobilística deve vender 1,925 milhão de veículos em 2020 (-31% em relação a 2019). A previsão foi feita nesta quarta-feira (10) pela Anfavea na live mensal que mostrou um balanço de setembro. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Luiz Carlos Moraes, a nova estimativa está de acordo com as projeções feitas pela maioria das montadoras. Em julho, no auge da pandemia de coronavírus, a Anfavea havia previsto um mercado total de apenas 1,675 milhão (-40%).
“A confiança aos poucos está voltando”, disse Moraes. Segundo ele, a injeção de R$ 600 bilhões na economia, feita pelo governo federal, ajudou na melhoria dos números. Apesar disso, a Anfavea preferiu ser bastante cautelosa, pois as vendas verificadas em setembro foram de 207.710 unidades. O presidente da Anfavea destacou a fragilidade do mercado de trabalho (13,8% de desemprego), a redução do auxílio mensal e a falta de 13º salário para os aposentados (foi adiantado) como fatores de riscos. Como oportunidades, ele citou a poupança guardada e os gastos adiados com viagem e lazer, entre outros.
Quanto aos veículos leves (automóveis de passeio e comerciais leves), a nova previsão da Anfavea é de 1,828 milhão de licenciamentos (-31%). Vale lembrar que em 2019 o mercado de carros e comerciais leves teve 2,666 milhões de vendas. Por causa disso, a previsão inicial da Anfavea para 2020 era de 2,907 milhões (+9,4%). Confira abaixo o quadro com todas as projeções da Anfavea.
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SETOR x1.000 unidades |
REAL 2019 |
PROJ JAN |
PROJ JUL |
PROJ OUT |
DIF % |
| Total | 2,788 | 3,050 | 1,675 | 1,925 | -31 |
| Veículos leves | 2,666 | 2,907 | 1,600 | 1,828 | -31 |
| Exportações | 428 | 381 | 200 | 284 | -34 |
| Produção | 2,945 | 3,160 | 1,630 | 1,915 | -35 |
Luiz Carlos Moraes disse que o setor sofre com uma perda de receita no valor de R$ 60 bilhões e que há um forte aumento de custos (como o preço do aço, por exemplo), além do câmbio desfavorável em relação ao dólar. Por causa disso, as montadoras estão ajustando a produção de acordo com a demanda do mercado. A ociosidade das fábricas é de 3 milhões de unidades. Moraes disse mais uma vez que uma saída para o setor -- e que favoreceria o Brasil -- seria criar um ambiente econômico e industrial que aumente as exportações. “Exportar 200 mil ou 300 mil veículos é muito pouco pela qualidade e capacidade da nossa indústria”, disse.