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Volvo domina vendas de caminhões pesados, mas mercado cai 13,6% no ano

Marca sueca domina os rankings mensal e anual, enquanto mercado de caminhões sente os efeitos dos juros altos e da desaceleração econômica

5 jun 2026 - 10h10
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O Volvo FH 540 foi o caminhão pesado mais emplacado do Brasil em maio de 2026, com 469 unidades registradas. O modelo também lidera o acumulado do ano do segmento de veículos com mais de seis toneladas, com 2.066 emplacamentos entre janeiro e maio.

O desempenho contrasta com o cenário do setor: as vendas de caminhões pesados acumulam queda de 13,6% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Fenabrave, entidade que representa os concessionários de veículos.

Apesar da retração do mercado, a Volvo segue ampliando sua presença entre os caminhões pesados. A fabricante coloca quatro modelos entre os dez mais vendidos do ano e domina as primeiras posições tanto no resultado mensal quanto no acumulado de 2026. O FH 540 responde sozinho por 12,79% de todos os emplacamentos do segmento entre janeiro e maio.

Volvo ocupa três primeiras posições em maio

No mês de maio, o pódio dos pesados ficou com três modelos da Volvo: o FH 540 (469 unidades), o FH 500 (225 unidades) e o VM 360 (176 unidades). A DAF aparece logo atrás com o XF 530 (119 unidades), enquanto a Mercedes-Benz fecha o top 5 com o Atego 2730 (115 unidades). Scania e Mercedes-Benz também figuram entre os dez modelos mais vendidos do mês.

  1. Volvo/FH 540 — 469 unidades
  2. Volvo/FH 500 — 225 unidades
  3. Volvo/VM 360 — 176 unidades
  4. DAF/XF 530 — 119 unidades
  5. M.Benz/Atego 2730 — 115 unidades
  6. DAF/XF 480 — 103 unidades
  7. Scania/R500 — 77 unidades
  8. M.Benz/Axor 2545S — 76 unidades
  9. Volvo/FH 460 — 65 unidades
  10. Scania/G560 — 54 unidades

FH 540 amplia vantagem no acumulado do ano

No acumulado de janeiro a maio, a liderança da Volvo aparece de forma ainda mais evidente. O FH 540 soma 2.066 unidades e mantém ampla vantagem sobre os concorrentes. A DAF aparece como principal rival da marca sueca, com dois modelos entre os seis mais vendidos do ano. Mercedes-Benz e Scania completam o grupo das fabricantes com maior presença no ranking.

  1. Volvo/FH 540 — 2.066 unidades (12,79%)
  2. DAF/XF 530 — 1.196 unidades (7,41%)
  3. Volvo/FH 500 — 1.049 unidades (6,49%)
  4. Volvo/VM 360 — 1.026 unidades (6,35%)
  5. Volvo/FH 460 — 762 unidades (4,72%)
  6. DAF/XF 480 — 714 unidades (4,42%)
  7. M.Benz/Axor 2545S — 625 unidades (3,87%)
  8. Scania/G560 — 614 unidades (3,80%)
  9. M.Benz/Atego 2730 — 613 unidades (3,80%)
  10. Scania/R500 — 597 unidades (3,70%)

Venda de caminhões segue em retração

A liderança da Volvo, porém, ocorre em um ambiente menos favorável para a indústria de caminhões.

No mês de maio, foram registrados 8.200 emplacamentos em todos os segmentos de caminhões, queda de 5,32% em relação a abril e de 6,96% na comparação com maio de 2025. No acumulado de janeiro a maio, o total de 38.611 unidades representa uma contração de 13,64% frente aos 44.710 emplacamentos registrados no mesmo período do ano passado.

Os indicadores de confiança do transporte rodoviário mostram um ambiente menos favorável para investimentos em renovação de frota. Segundo o Índice CNT de Confiança do Transportador, apurado com empresários do transporte rodoviário de cargas de São Paulo ao final de 2025, a confiança atingiu 45,3%, o menor nível desde o início da pesquisa, em 2023, e 5,8 pontos percentuais abaixo do registrado no segundo semestre de 2024. O índice que mede as condições atuais da economia e dos negócios chegou a 34,3%, queda de 12 pontos percentuais em um ano.

Entre os fatores apontados pelos empresários estão a manutenção da taxa Selic em patamares elevados — que encarece o financiamento de frotas por linhas como o Finame —, a desaceleração da atividade industrial, que aumenta a ociosidade dos veículos e reduz as margens de operação, além da escassez de motoristas qualificados. A insegurança jurídica e as incertezas em torno da reforma tributária também aparecem entre os motivos de preocupação.

Renovação de frota continua represada

De acordo com dados do Renavam compilados pelo Ministério dos Transportes em dezembro de 2025, o Brasil conta com uma frota de 3,2 milhões de caminhões e mais 1 milhão de caminhões-tratores, totalizando mais de 4,2 milhões de veículos pesados em circulação.

São Paulo concentra a maior frota individual do País, com 734 mil caminhões e 244 mil caminhões-tratores registrados, totalizando quase 980 mil unidades. A região Sul aparece na sequência, com 751 mil caminhões.

O tamanho da frota brasileira indica um mercado potencial relevante para renovação nos próximos anos. Segundo os próprios transportadores, porém, o custo do crédito continua sendo um dos principais obstáculos para a substituição dos veículos, ao lado das incertezas sobre o desempenho da economia.

Eletrificação avança lentamente

Em maio de 2026, apenas 28 caminhões elétricos foram emplacados no Brasil | Volkswagen/Divulgação
Em maio de 2026, apenas 28 caminhões elétricos foram emplacados no Brasil | Volkswagen/Divulgação
Foto: Volkswagen/Divulgação / Estadão

Além da desaceleração do mercado convencional, a transição para tecnologias de baixa emissão também avança em ritmo lento no segmento pesado.

Em maio de 2026, 28 caminhões elétricos foram emplacados no Brasil. No acumulado do ano, foram 150 unidades, exatamente o mesmo volume registrado entre janeiro e maio de 2025. Nenhum caminhão híbrido foi emplacado no mês.

O contraste com o mercado de automóveis é expressivo. Entre carros e comerciais leves, os veículos eletrificados superaram 51 mil emplacamentos apenas em maio, com crescimento de 131% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Enquanto isso, a eletrificação dos caminhões segue limitada por fatores como custo de aquisição, infraestrutura de recarga e desafios operacionais em rotas de longa distância.

Estadão
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