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Volkswagen quer congelar salários de 660 mil funcionários até 2030

19 out 2026 - 13h42
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Resumo
A Volkswagen planeja congelar os salários de seus 660 mil funcionários no mundo até 2030, suspendendo reajustes e benefícios em um severo plano de austeridade. A medida, que visa enfrentar a concorrência chinesa e os custos da transição elétrica, soma-se ao corte previsto de 100 mil vagas e à reestruturação de fábricas na Alemanha. Rejeitada por sindicatos como o IG Metall, que exige aumento de 5% e alerta para perdas inflacionárias de ao menos 10%, a proposta promete forte embate trabalhista.

Montadora pretende manter vencimentos de cerca de 660 mil funcionários sem reajustes até o fim da década. Medida deve acirrar embate com sindicatos em meio a cortes de empregos.A Volkswagen pretende congelar os salários de seus cerca de 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030, aprofundando um pacote de medidas de austeridade que já inclui cortes de empregos e a revisão da ocupação de fábricas na Alemanha. A proposta, revelada inicialmente pela imprensa alemã e confirmada por representantes dos trabalhadores, deve se tornar um dos principais pontos de conflito nas negociações salariais previstas para começar no fim de novembro.

Funcionários da Volkswagen podem enfrentar congelamento salarial até 2030, enquanto a montadora avança com um amplo plano de cortes de custos e reestruturação global.
Funcionários da Volkswagen podem enfrentar congelamento salarial até 2030, enquanto a montadora avança com um amplo plano de cortes de custos e reestruturação global.
Foto: DW / Deutsche Welle

Segundo o sindicato IG Metall e o Conselho Europeu e Mundial de Trabalhadores da Volkswagen, a diretoria do grupo determinou aos responsáveis por recursos humanos que adotem "rodadas zero" até 2030, mantendo os salários nos níveis atuais e suspendendo reajustes em todas as operações da empresa. A orientação estaria em vigor desde o início de outubro.

De acordo com a edição alemã do jornal Süddeutsche Zeitung, a medida consta de um documento interno denominado Group Target Picture, que prevê uma nova abordagem para as negociações trabalhistas internacionais. O plano não se limitaria aos salários-base, mas poderia alcançar remuneração variável, bônus, pagamentos extraordinários e outros benefícios.

A Volkswagen se recusou a comentar as informações. Procurada pela imprensa alemã, a empresa afirmou apenas que questões salariais serão discutidas nas negociações coletivas que se aproximam.

Para a representação dos trabalhadores, a proposta rompe com uma prática adotada há anos pela montadora, que costumava prever compensações pela inflação e espaço para negociações salariais descentralizadas nos orçamentos globais de pessoal.

Sindicatos rejeitam proposta da empresa

O conselho de trabalhadores classificou a ideia como irrealista e afirmou esperar forte resistência por parte dos empregados. "Um desejo desse tipo por parte dos empregadores de Wolfsburg não pode se tornar realidade", afirmou a entidade em referência à sede da companhia.

A IG Metall também criticou os planos. Segundo o sindicato, o congelamento salarial poderá provocar perda real de renda de pelo menos 10% até o fim da década, caso a inflação continue corroendo o poder de compra dos trabalhadores.

As negociações coletivas envolverão tanto o acordo específico da Volkswagen quanto o contrato do setor metalúrgico e eletroeletrônico alemão, aplicado a empresas do grupo como Audi, Porsche e MAN. O sindicato reivindica aumento salarial de 5%.

Na Alemanha, a Volkswagen emprega cerca de 275 mil pessoas. Desse total, aproximadamente 130 mil estão vinculadas ao acordo coletivo próprio da montadora.

Reestruturação já prevê 100 mil cortes de vagas

A discussão ocorre em meio à mais profunda reestruturação da empresa em décadas. Em setembro, o grupo anunciou a eliminação de mais 50 mil postos de trabalho no mundo, além de outros 50 mil cortes já acertados anteriormente, elevando para 100 mil o total de vagas que deverão ser suprimidas até o fim da década.

A fabricante também estuda o futuro de parte de sua rede industrial na Alemanha. As fábricas de Emden, Hannover e Zwickau, além da unidade da Audi em Neckarsulm, ainda não têm definida uma ocupação considerada competitiva para os anos posteriores aos atuais ciclos de planejamento. A empresa prometeu apresentar em 2027 alternativas para a continuidade das operações desses locais, incluindo a possibilidade de atribuir novas funções produtivas às unidades.

O anúncio reforça os desafios enfrentados pela indústria automobilística europeia, pressionada pela transição para veículos elétricos, pelo aumento da concorrência de fabricantes chineses e pela desaceleração da demanda em mercados estratégicos.

gq (AFP, DPA, DW, OTS)

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