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Peça-chave da defesa ucraniana, Starlink preocupa Kiev

19 out 2026 - 14h22
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Resumo
Essencial para a defesa da Ucrânia, a rede Starlink, de Elon Musk, opera cerca de 50 mil terminais no país, viabilizando comunicações vitais e o controle de drones em tempo real contra a Rússia. Contudo, relatos recentes de falhas e de possíveis restrições de velocidade impostas pela SpaceX preocupam Kiev. Sem essa conexão e sem os dados de inteligência ocidentais, operações militares estratégicas ficariam cegas, e alternativas europeias ainda não têm eficácia comprovada na guerra.

Sistema de internet por satélite de Elon Musk é essencial para drones utilizados pela Ucrânia. Mas restrições de velocidade e ameaças de desligamento teriam consequências drásticas em conflito com a Rússia.Poucos sistemas têm uma importância tão grande na guerra da Ucrânia quanto o Starlink. A rede de internet via satélite desempenha um papel central nas comunicações, no reconhecimento e nas operações com drones das forças armadas ucranianas. Por isso, há grande preocupação de que a plataforma de Elon Musk possa ser restringida, limitada ou até mesmo desativada. Recentemente, Kiev voltou a relatar falhas e restrições no uso do serviço.

Desde o início da invasão da Rússia em 2022, a Ucrânia vem utilizando amplamente o sistema da empresa americana SpaceX. Em locais onde a infraestrutura foi destruída ou as redes de telefonia móvel estão fora de serviço, os soldados podem continuar trocando dados e se comunicando por meio do Starlink.

De acordo com dados do Centro de Política de Segurança (CSS) da Escola Politécnica Federal (ETH) de Zurique, há atualmente cerca de 50 mil terminais Starlink (dados de 2025) em operação na Ucrânia. O termo "terminais" refere-se aos aparelhos especiais de recepção e transmissão do sistema, que possibilitam a comunicação no campo de batalha. Por meio deles, também são transmitidas ordens entre os níveis de comando e imagens de drones.

A grande importância do sistema também se explica pelos acontecimentos no início da guerra. De acordo com a análise do CSS, o sistema de satélites KA-SAT, utilizado pela Ucrânia, foi alvo de um ataque cibernético poucas horas antes do início da invasão russa. Nessa situação, o Starlink rapidamente se tornou uma infraestrutura alternativa de comunicação de grande relevância.

Starlink e Starshield: qual é a diferença?

No debate atual, os termos Starlink e Starshield costumam ser confundidos. O Starlink é o serviço comercial de internet via satélite da SpaceX. O Starshield, por outro lado, é voltado especificamente para usuários governamentais e militares e tem um sistema baseado na mesma infraestrutura técnica, mas projetado para aplicações de segurança e defesa.

Essa distinção é importante porque os relatos mais recentes sobre restrições parecem se referir principalmente a sistemas de uso militar. Elon Musk afirmou recentemente que os sistemas Starshield seriam controlados pelo governo dos EUA, enquanto o Starlink é um serviço comercial da SpaceX.

Além da comunicação, o Starlink é utilizado principalmente para operações com drones. O sistema também fornece conexão à internet para embarcações em movimento, drones marítimos e aéreos.

Dessa forma, imagens de vídeo podem ser transmitidas quase em tempo real, e os drones podem ser controlados a grandes distâncias. A Ucrânia utiliza esses sistemas tanto para missões de reconhecimento quanto para ataques muito além da linha de frente.

De acordo com a ETH de Zurique, essas vias de comunicação também são utilizadas para transmitir imagens e coordenadas de GPS das posições russas às unidades de artilharia, a fim de coordenar as operações.

O que significaria uma limitação do serviço

Segundo a imprensa ucraniana, a SpaceX teria imposto temporariamente um limite de velocidade aos terminais Starlink. Na prática, o serviço teria sido restringido para equipamentos em movimento a velocidades entre 110 e 160 km/h.

Caso tal restrição realmente entre em vigor, isso teria consequências diretas para os drones ucranianos de alta velocidade, alguns dos quais voam a até 300 quilômetros por hora: se a conexão for interrompida, não será mais possível transmitir imagens de vídeo em tempo real e os sistemas não poderão mais ser controlados simultaneamente. Os drones teriam que continuar a missão, em parte, voando às cegas.

Uma restrição ou mesmo a interrupção do Starlink não só dificultaria a comunicação, mas também teria repercussões nas operações com drones ucranianos e em outras ações militares.

Mais que uma internet por satélite

No entanto, o Starlink e sua versão militar, o Starshield, são apenas parte essencial da defesa ucraniana. A Ucrânia também recebe de parceiros ocidentais dados de reconhecimento, por exemplo, sobre ataques aéreos russos, lançamentos de mísseis, movimentos de tropas ou posições de defesa antiaérea e, consequentemente, possíveis rotas alternativas.

Essas informações auxiliam na defesa aérea e nos próprios ataques. As operações ucranianas com drones - algumas delas de longo alcance - contra alvos em território russo seriam significativamente mais difíceis de realizar sem esses dados.

A combinação dos dois sistemas aumenta a eficácia: os dados de reconhecimento identificam possíveis alvos e rotas, e o Starlink permite que essas informações sejam transmitidas rapidamente às unidades em campo e usadas em operações.

Por isso, as informações de que os dados de inteligência fornecidos pelos EUA estariam sendo limitados causam tanta preocupação quanto a possibilidade de restrições ao Starlink. Embora países da Otan como Reino Unido e França também disponham de capacidades de inteligência, eles ainda não conseguem compensar integralmente uma eventual redução do apoio americano.

Na Europa, existem várias alternativas ao Starlink, como a Eutelsat/OneWeb. No entanto, ainda não foi testado em grande escala se elas seriam capazes de igualar o desempenho do sistema de Elon Musk em condições de guerra.

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