Usina pioneira de etanol produzido a partir do trigo entra em operação no Rio Grande do Sul
Instalação em Santiago recebe autorização da anp e inicia atividades comerciais a partir de janeiro
O Rio Grande do Sul passou a sediar a primeira usina de etanol de trigo em operação no Brasil. Localizada no município de Santiago, no Vale do Jaguari, a planta industrial da CB Bioenergia teve a operação comercial autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A liberação consta em publicação no Diário Oficial da União desta quinta-feira (8).
A autorização da ANP permite a produção diária de 43 mil litros de etanol hidratado, conforme detalhado no documento oficial. Com isso, a unidade passa a operar de forma regular no mercado nacional de biocombustíveis, tornando-se a primeira do país a utilizar o trigo como principal matéria-prima para a fabricação de etanol.
Segundo o diretor da CB Bioenergia, Tiago Lacerda, o início das atividades está previsto para a segunda-feira (12). Nos primeiros dias, a operação será voltada a testes técnicos e ajustes dos equipamentos, com parte da produção sendo armazenada para análises de qualidade antes da comercialização.
A usina havia recebido, em novembro, a licença ambiental de operação concedida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e pela Fepam, etapa necessária para a posterior autorização da ANP. Com a capacidade liberada, a expectativa é de uma produção anual de até 12 milhões de litros de etanol, embora o combustível não seja o único foco do empreendimento.
De acordo com a empresa, a comercialização inicial ocorrerá conforme a demanda do mercado, sem contratos de fornecimento previamente firmados. Há interesse de setores como o de CO₂ industrial, nutrição animal e bebidas, áreas que já demonstram procura pelos produtos derivados da nova planta.
Além do etanol hidratado, a estrutura industrial — que ocupa uma área de 150 mil metros quadrados e recebeu cerca de R$ 100 milhões em investimentos — também é capaz de produzir álcool neutro e subprodutos como DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) e WDGS (grãos de destilaria úmidos com solúveis), utilizados na alimentação animal.
A empresa informou ainda que possui estoque de trigo suficiente para aproximadamente três meses de operação e que, em até seis meses, a produção deverá utilizar exclusivamente o cereal. A usina, no entanto, já está preparada para processar outros grãos, como triticale, cevada, centeio e milho, além de incentivar pesquisas sobre o uso do arroz como alternativa futura de matéria-prima.